sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Toda a humilhação leva à morte #4

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Caríssimos Leitores, eis o poeta Carlos de Oliveira
analisasse
a própria oscilação
interior,
cristalizasse
um outro movimento
mais subtil,
o da estrutura
em que se geram
milénios depois
estas imaginárias
flores calcárias,
acharia
o seu micro-rigor."
- "Micropaisagem"-
Tempos Sombrios

Alguns capítulos:
-Louise Bourgeois- No Trespassing - o corpo da escultura é uma vagina com dentes.
-Eduardo Batarda - Defesa Ataque - "Sempre a mesma merda"
- Ana Mendieta - Monumento que tu muerte levanta a la muerte
- Willie Doherty - Aquele que apenas se identifica consigo mesmo
- Francis Bacon - Fabricando corpos no grau zero da esperança
Fogo sobre Fogo

"Se não fossem tão impuras
não seriam
tão belas"
"Um nenúfar flutua
na mesma água
que a lua"
"Nem todos os frutos vermelhos
merecem o céu
da tua boca"
é por isto que gosto de trabalhar aqui
Do Oriente com amor

"A grande sabedoria vê tudo num só.
A pequena sabedoria multiplica-se entre as muitas partes."
-"A Via de Chuang Tzu" - Thomas Merton
Eat my dust Holmes Place

"Ancient Way to Keep Fit" - Zong Wu/ Li Ma
Exercícios milenares de respiração, postura, auto- massagens e meditação.
"Ah esse agora é muito difícil!"- diziam eles

"Noite e o Riso" - Nuno Bragança
Esta é a verdadeira "obra prima desconhecida". Para quem quer aguçar o apetite para as "Obras Completas".
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
esta quinta, até às tantas

12 de Novembro, 21h30 [€3] Above the Tree
concerto de abertura: Pedro e Diana
cartaz: Carlos Valentim
o homem da quarta-feira #13

sim, gosto de estar aqui, qual é o problema?
não podendo mais enfrentar o dilema da escrita, foi no regresso que me apercebi que não havia sequer um dilema, ou debate, ou questão ou menor das dúvidas.agora que arrumei cada coisa no seu lugar vou fazendo da casa a minha viagem. cada prato arrumado, cada gaveta despejada [as tuas e as minhas meias bem dobradas, apertadas e alinhadas], cada ida à varanda para um dos cigarros contados, cada janela ou porta abrindo e fechando, nada é já um dos velhos truques feitos na pressa de ver virada a página do dia. o que eu queria, enquanto limpava os copos, enquanto colocava os casacos nos cabides [são leves, não farão o guarda-fatos cair], enquanto despejava os sacos largados à entrada, era chegar de forma diferente a esta morada: sem remorsos.
postal 2
e depois parece-me tão difícil parar esta corrente. penso, penso, penso. e tudo faz sentido sem que haja uma certeza que seja. não quero saber. ouço um amigo falar e apercebo-me do quanto se estreitou a compreensão entre nós, ouço-o falar e talvez aquilo que ele diga seja diverso daquilo que me chega, mas continuo a ouvi-lo, e respondo-lhe em silêncio, e questiono-o, com o olhar, não é preciso falar, não é preciso falar sempre. vejo o que ele me diz, imediatamente, estou cheia de uma energia que não compreendo, parece-me física a atracção pelas palavras, chegam até mim feitas coisas, são pesadas, ocupam lugares (make yourself confortable, no transvio da língua), criam espaços. e no alinhamento do texto, porque continuo a precisar de ter sempre a página arrumada, excitada e ansiosa, digo a mim mesma que é só isto, ir registando, sem querer saber do leitor, ir anotando tudo, aqui ou num caderno, tanto faz, porque não sofro com outro desejo que não este, porque não preciso de nada, ou de quase nada, a sorte de um amor tranquilo, e as transformações diárias de tudo o que me rodeia, lidas, escritas, apontadas, a vida que não é vidinha, dizia-me ele, a vida que é isto que se faz, vista, vista e revista, vida feita outra coisa qualquer, cheia de atenção e de postais com três frases, mesmo que muito mal escritas, é só isso. e hoje não me importo se não se percebe o que escrevo ou se, pelo contrário, me torno transparente à luz desta escrita. se me visto ou se me dispo. hoje estou em casa.postal 1

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Teoria da Conspiração #6 (ou o cheiro da inconveniência)

Sei que pode parecer manhoso mas...

o Sr Vila-Matas refere esta senhora numa história do "Bartleby & Companhia".
Aconteceu na Índia, a escritora aproxima-se de um grupo de homens reunidos a contar histórias.
Senta-se e começa a ouvir a narrativa de um velho ancião.
Aos poucos vai-se apercebendo do quão familiar aquela história é para si.
É a sua vida que está a ser contada, inclusive o início do livro que ela estava a escrever mas que estava completamente bloqueada antes de começar a viagem.
Peço desculpa pelas imprecisões mas estou a escrever de memória sobre um livro que já li há cerca de 6 ou sete anos.
Pois não Sir Da(m)n Brown, pois não
Dan Brown: “Eu queria muito que toda a gente gostasse do meu trabalho, mas não é assim que funciona”
Talvez a santidade

"Talvez a santidade, a partir do advento do moderno, tenha encontrado refúgio (asilo) na arte: no acto da arte."
- Sr Pasolini -
No outro dia
Eu interpretei: Também a ler tenho uma cara terrível.
Das Ligações (post scriptum ao post sobre a Sra Morrison)

"Só se cria o que não existe, o que não resiste ao amor, à dádiva. O canavial ondeia ao longe. Chega aqui a música que era já memória não sabia de onde. Poderosa, vai pelo mar e pelo ar. Que esta dor se escreva e se lhe reúna. Vão levantar-se em nuvem, os pássaros. Regressam ao entardecer. Também essa música é diferente ao nascer e ao pôr do sol. São outras as distâncias, outro o impossível. E o modo como se parte, para sítio nenhum. Distância infinita. Os sinais da beleza, ninguém os decifrou.
São absorvidos pela terra antes de serem conferidos. Movemo-nos na precariedade e é a ela que o amor traz os seus abismos."
- "Sobretudo as vozes" - Silvina Rodrigues Lopes
domingo, 8 de Novembro de 2009
sábado, 7 de Novembro de 2009
Da Polónia com um sorriso

"A galinha é o melhor exemplo daquilo a que pode levar o viver constantemente entre humanos. Perdeu completamente a leveza e a graciosidade de um pássaro. A sua cauda eleva-se sobre o traseiro proeminente como um chapéu largo e de mau gosto. Os seus raros momentos de arrebatamento, quando está de pé sobre uma só perna e cobre os olhos com as pálpebras transparentes, são invulgarmente desagradáveis. Como o é aquela paródia de canção, súplicas de uma garganta arranhada sobre uma coisa incrivelmente cómica: o ovo redondo e cheio de manchas.
A galinha faz-me lembrar certos poetas."
Das Ligações (post scriptum ao poema da Sr Hatherly)

"Hadewijch não se dava mais ao amor; e os ladrões
sabiam-no;
dava-se ao caminho de receber, pela abertura da sua vida,
o jardim.
Teve de um deles- um, a que chamavam "o ladrão
e o sábio -, o nome de Hadewijch, a subtil."
-"Contos do Mal Errante" - Maria Gabriela Llansol
Repetir em caso de emergência
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
o Mal-estar da Civilização #9

Os meus prémios

Por certo os leitores mais atentos repararam que hoje em 12 posts sobre livros, 6 são da editora Relógio D'Água.
Não se trata aqui de compras e vendas de espaço como nas grandes superfícies ( ou pequenas que tentam agir como grandes que tentam agir como pequenas).
O que acontece é que somos constantemente seduzidos por estes livros tão bem feitos por quem sabe, por quem também como nós tem desejo de partilhar.
E por mais que demore, o que é feito com gosto, com paixão, com desejo de seduzir e ser seduzido acaba por prevalecer, se não aos olhos do grande público, pelo menos em pequenos posts de livreiros que têm como um dos grandes objectivos nesta vida "tornar-se melhor leitor", em tudo o que isso implica.
"Ofício de Viver".
Retiro pelo risco

"E porque havia os lábios o jardim agora subia a parede e subia floral teu pescoço macio e tudo germinava em seu crescimento pela maior superfície possível e de noite um ângulo sólido é menos convexo e uma lágrima de onde a onde atravessa o punhal que separa um prédio das tuas mãos em corola e o jardim dá mais uma volta sobre o tecto e nesse momento tu olhavas para o outro lado de todas as coisas que tremem no meu peito à varanda cerrando os olhos diante do súbito crescimento da relva sobre a tua coxa e tudo o que é verde é tão tranquilo e mesmo em tua coxa que eu jamais beijara sem medo da verdade aí tudo cresce e sem outra razão
Estou na varanda enquanto tu estás sentado em teu jardim de noite e mesmo o jardim está em tua coxa e eu estou na varanda e o verde é necessário à tranquilidade
-"Um Calculador de Improbabilidades" - Ana Hatherly
Em busca do ponto Zero

-"Livro por vir" - Maurice Blanchot
Alguns capítulos:
-Artaud
- Joubert e o espaço
- Palavra Profética
- Broch - Os Sonâmbulos: a vertigem lógica/ A Morte de Virgílio : em busca da unidade
- Musil - A paixão da indiferença
- Diário Íntimo e a narrativa
- Morte do último escritor
Lispector Gadgets

"Amo esta língua.
Não é uma língua fácil. É um verdadeiro desafio para quem escreve.
Sobretudo para quem escreve querendo roubar às coisas a sua primeira camada superficial. É uma língua que por vezes reage contra um pensamento mais complexo. Por vezes o imprevisto de uma frase causa-lhe medo. Mas eu gosto de manejá-la - tal como outrora gostava de montar um cavalo para o levar pelas rédeas, umas vezes lentamente, outras a galope."
- Clarice Lispector -
Tudo é ruído e confusão (inclusive a frase seguinte)
Dos Morrison de Venice Beach

Para quem não percebe essa grande língua universal que é o estrangeiro e não lê mensagens subliminares, o que esta senhora está a dizer é que "O AMOR É UMA DÁDIVA".
Where it's at? I got two turn tables and a microphone...
...and a lot of BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS BOOKS...
Mas pelas reacções, não deve ser muito simpática
BECK lição nº 2
Para além do sr das maracas é claramente uma mais valia ter uma moçoila da escola Polly Jean/Sonic Youth à tua direita.
a praga continua
qualquer tolo pode ir ver os museus, os monumentos e as exposicoes.
qualquer tolo pode comprar souvenirs e enviar postais.
mas.
ha qualquer coisa a escapar-me.
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Da série K.

"Aquele que traz o saber não há-de lutar; nem falar verdade; nem fazer favores; nem não comer; nem recusar honrarias; nem dar-se a conhecer. Aquele que traz o saber tem como única virtude entre todas: ser ele quem traz o saber", disse o senhor Keuner.
-"Histórias do senhor Keuner" - Bertold Brecht
Candidaturas

Dado que já temos um Sr das 4as feiras e um das 5ªs, vimos por este meio dar conhecimento aos interessados que a partir deste momento estão abertas as candidaturas para os restantes dias da semana ( considerando também que o Tiago é o senhor dos Domingos).
Pede-se aos senhores e senhoritas interessados que se dirijam à Trama com as suas melhores graçolas, chalaças e trocadilhos literários e apresentem-se como candidatos.
Para além dos artifícios humorísticos devem também vir munidos de um canivete suíço devidamente afiado, plasticina e um rádio de pilhas que só transmita o "Jogo da Mala".
Deve também conseguir fazer caretas à "Malucos do Riso" de modo a que a clientela tramada saiba quando se deve rir e uma tanga preta para se bater com um dos livreiros, famosos pelas suas técnicas de combate adquiridas durante vários anos de treino nas violentas viagens de comboio pela linha de Sintra.
Ass: A Gerência Tramada
Tipo Passatempo
(escolher as hipóteses que aprouver e excluir as que não se adequam à Trama)
a) amigos
b ) clientes
c ) Dan Brown
d ) colegas
e ) o sr da bicicleta do Benfica que vagueia pelo Jardim da Estrela
f ) os livros
Pergunta
Será que ninguém está interessado em produzir isto?
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
o homem da quarta-feira #12

Digamos que se o versejar fosse uma arte marcial ele era o Bruce Lee

Ansiedade
Extingue-se a luz do sol,
a névoa cobre as flores,
a Lua, branca como a seda, chora e não dorme.
Esfiapadas nas cordas da cítara,
não mais dedilhadas.
Melhor escutar ao longe
o tanger do alaúde.
Ninguém sabe
o porquê desta canção
arrastada pelo vento da Primavera
para terras longínquas.
Tu, tão distante,
por detrás do céu azul.
Tive outrora
um vislumbre de ti,
em meus olhos,
hoje um poço de lágrimas.
Se não acreditas
no rasgar de um coração,
regressa e olha comigo
este espelho."
-"Poemas de Li Bai"
Tão apetitoso que até mete nojo

-"Revolution of the mind, the life of André Breton"- Mark Polizzotti
| Tenho na minha frente a fada de sal cuja túnica recamada de cordeiros desce até ao mar Cujo véu pregueado de queda em queda ilumina toda a montanha. Ela brilha ao sol como um lustro de água iridiscente E os pequenos oleiros da noite serviram-se das suas unhas onde a lua não se reflecte para moldar o serviço de café da beladona.
O tempo enrodilha-se miraculosamente detrás dos seus sapatos de estrelas de neve ao longo dum rasto perdido nas carícias de dois arminhos.
Os perigos anteriores foram ricamente repartidos e mal extintos os carvões no abrunheiro bravo das sebes pela serpente coral que sem custo passa por um delgado filete de sangue seco na lareira profunda sempre sempre esplendidamente negra Esta lareira onde aprendi a ver e sobre a qual dança sem cessar o crepe das costas das primaveras Aquele que é necessário lançar muito alto para dourar a mulher em cujos cabelos encontro o sabor que perdera O crepe mágico o sinete voador do amor que é nosso. |
terça-feira, 3 de Novembro de 2009
a poesia não me interessa #8

na nossa boca.
É necessário dar um passo atrás.
Voltar a sussurrar.
Partilhar o segredo.
E esperar que a sombra
cumpra em nós
o seu destino.
- Mário Santín -
I don't do politics nor play mental chess
-"Ulisses" - James Joyce
Depois do regabofe

"Seria bom ferver as palavras durante muito tempo antes de fazer delas contas de um rosário"
- Deligny -
Dicionário Etimológico da Imaginação
perspectiva de quem parte no momento da despedida.
saudade antecipada.
- Gustav Gomich -
Já percebo umas coisas de hardware
O bombo é o leitor do código de barras.
Rock on!
A cantar desde 1866

-"Cantos de Maldoror , poeisa 1 e 2" - Isidore Ducasse, Conde de Lautreamont
trad.- Manuel Freitas
* para obter umas pistas sobre a obra deste senhor, assim como de Sade, o humilde livreiro sugere o título "Banho de Diana" de Pierre Klossowski. Dicas preciosas.
A partir de hoje: Novas aventuras do SuperEstagiário
Chegam sms e nem sempre a insultar o livreiro

Caríssimo livreiro...tu começaste o dia com Radiohead- sim senhor, nada mau. Eu comecei com o "Senhor Teste" e já tenho sérias dúvidas de conseguir chegar ao final do dito dia. 4 ou 5 bujardas no corpo, logo de manhã, perdi o equilíbrio no metro umas 3 vezes.
Ainda por cima tomei um pequeno almoço frugal.
Isto é exigente; só para que conste.
- Xico Nunes dixit -
Das ligações

Neste momento para além de perseguido pelo Sr Blanchot, estou a ler uma biografia do Sr Valéry e as "Histórias do senhor Keuner" ( como já devem ter reparado).
E tenho uma revelação que vai ocupar as capas de todos os jornais e revistas literárias de todo o mundo: o senhor Keuner é Valéry!
Reconheço um génio quando o leio

"O senhor K. disse uma vez: Aquele que pensa não se serve de luz nenhuma a mais, de pedaço nenhum de pão a mais, de pensamento nenhum a mais"
-"Histórias do senhor Keuner" - Bertold Brecht
Dos comentários
Qualquer dia o que vai acontecer? Deixam de ter cerveja?"
Livreiro (quase) Inútil: "Bem... ainda temos uns livritos."
Sr K.

"O que é que o senhor faz, perguntaram ao senhor K. quando gosta muito de uma pessoa?
Esboço-lhe o retrato", disse o senhor K. e esforço-me para que se lhe assemelhe.
Quem? O esboço?
Não, disse o senhor K., a pessoa"
"Histórias do senhor Keuner" - Bertold Brecht
Diz que foi livreiro

-"Critical Essays" - George Orwell
Alguns capítulos :
"Lear, Tolstoy and the Fool"
"Reflections on Gandhi"
"Confessions of a book reviewer"
"T. S. Elliot"
"Good bad books"
"Some notes on Salvador Dali"
"Can socialists be happy?"
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Teoria da Conspiração #5 (ou a praga de esperar)

«Não é necessário que saias de casa. Permanece à mesa e escuta. Nem sequer escutes, aguarda apenas. Nem sequer aguardes, fica em silêncio e só. O mundo apresentar-se-á perante ti para ser desmascarado, não poderá fazer outra coisa, contorcer-se-á, em êxtase, aos teus pés.»
Franz Kafka (1883-1924)
"Da literatura como um tiro certeiro" ou "Llansol e a arte do tiro com palavras"

"É estranho. Levanto-me com um desejo louco de manipulação, de tocar em toda a matéria que pode alimentar, cobrir, acolher o corpo. estou no interior da trama dos sentidos, das essências odoríferas. Tenho a visão das séries de frasquinhos que aliviam, que curam; as diferentes cores projectadas pelas plantas sobrepõem-se numa mesma imagem delicada. Nunca, parece-me, experimentei uma tal emoção, tão intensa, e a palavra alquimia regressa em mil fragmentos e em todas as formas de representação.
Procurou por todo o lado. E , de repente, ao lado da mãe transfigurada, ela encontrou o seu corpo, no mesmo precioso momento de morrer e de nascer. Pegou em toda a série de frasquinhos que possuía; e, com toda a beleza do seu corpo que se desvanecia, encheu de odores, de essências, mulheres de inteligência insuspeita.
Escrevia completamente nua, o ar fresco sobre si, via o futuro sair de si própria e a chama do tempo. Estava contente por já não viver com os homens, mas com os seres.
Ler, reter, situar, reflectir ao nível dos livros: em toda a minha vida já fiz mil programas. Começados e abandonados. Com que assimilei, à minha maneira. Mas agora parece-me que, mais importante do que estudar, descobrir seja o que for através da leitura, é seguir a revelação das mãos que manipulam, agindo na matéria.
Eu sou também matéria.
-"Uma data em cada mão; Livro de Horas I" - Maria Gabriela Llansol
Por Toutatis !

-"Entretiens de Francis Ponge avec Philippe Sollers"
1º Capítulo - "Conditions de travail de quelqu'un qu'on appelle encore un poète"
domingo, 1 de Novembro de 2009
é meia-noite no fim do céu #1

Espécie de Espaço IrmãoLúcia
Hoje todos dizem mal do Jesus.
Cada verdadeiro poema contem todos os poemas

"Os três sabiam disso.
Ela era a companheira de Kafka.
Kafka a sonhara.
Os três sabiam disso.
Ele era o amigo de Kafka.
Kafka o sonhara.
Os três sabiam disso.
A mulher disse ao amigo:
-Quero que esta noite me queiras.
Os três sabiam disso.
O homem lhe respondeu: Se pecarmos,
Kafka deixará de sonhar-nos.
Alguém soube disso.
Não havia mais ninguém na terra.
Kafka disse a si mesmo:
Agora que os dois partiram, fiquei sozinho.
Deixarei de sonhar-me."
- Jorge Luís Borges -
sábado, 31 de Outubro de 2009
Toda a humilhação leva à morte #3
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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
no final de novembro
com cinco letrinhas apenas, em repeat, acho eu
Ernesto Sabato, O Túnel, pág. 69-70, 1ª edição, Relógio d'Água
"o lápis é mais forte que a espada"
Com alguma leveza (não confundir com ligeireza) são apresentados mapas para colorir que ilustram os territórios da Palestina e de Israel, desenhos para unir os pontos criando a Linha Verde (linha de armistício de 1967) e a Barreira de Separação, bem como algumas ilustrações comparativas com o Muro de Berlim. Há também um muro em branco onde se podem graffitar umas quantas palavras de ordem, e mais um sem fim de imagens, sempre para colorir, acompanhadas de textos que explicam vários pontos do conflito israelo-palestiniano.
O livro conta também com fotografias da exposição deste projecto, textos dos autores que relatam as experiências vividas na cidade de Nablus (Cisjordânia) e ainda contribuem com as suas perspectivas: Alban Biaussat, Alexandra Lucas Coelho, David Tartakover, Ferran Izquierdo Brichs, Ingrid Quiroga, Joana Bértholo, Mat Ward, Maya Pasternak, Ruba Shahrour e Tiny Domingos.
victan rima com manhã?
Quando Escreve Descalça-se

Queria apenas referir que não só merece como teve uma reedição em Março e que esta 2ª edição, embora esteja a terminar, continua disponível nos livrarias do costume: Trama, Poesia Incompleta e Letra Livre.
de resto
puseram-me um sedativo nas almôndegas de seitan
ensaio
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
singularidades de uma rapariga loira. ruiva. castanha. que se lixe.
Orelhas de Elefante #8


prontos para a grande noite?
(agora estão lá uns senhores na conversa mas não são eles que vão tocar)
Soco no estômago


-"Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?" - António Lobo Antunes
Desculpem, estou com preguiça de passar isto tudo (cliquem na imagem, por favor, que o Ginsberg já me deu cabo dos pulsos, ai, que isto também não correu muito bem), mas leiam isto, este senhor sabe o que faz, não liguem aos livros de histórinhas phónix, isto está a bater mesmo ó Sr Fallorca, é verdade, este gajo vai às profundezas e canta isso, incrível, fechamos o livro e ficamos com frases que não saem da cabeça até fazerem o devido estrago, livro com fantasmas, sim, e a Catarina disse-me que a crítica não disse muito bem deste livro mas que interessa o que a crítica diz. E é preciso ler o livro todo porque só este fragmento não aquece nem arrefece mas leiam isto porque também este senhor tem a "intuição do tempo", a hora de tristeza e a hora do luto que se repetem como o refrão daquela música que queremos esquecer mas que teima em acordar connosco e cantar ao nosso ouvido durante todo o dia.
As senhoritas literárias que não nos saem da cabeça. Depois de Sophia e da Zana...Ana e Beatriz.
Da banda para o mundo

-"Livro dos Guerrilheiros" - Luandino Vieira
Dos encontros que tive com este senhor, nunca falámos de um único parágrafo literário.
Era só ouvir, falar e vibrar com o Sr Coltrane.
ontem
o professor de ginástica bartlebyano que podia ser protagonista de um filme de Jean-Pierre Jeunet (embora o conjunto de palavras mais utilizado seja "campo de concentração").
a ex-livreira filósofa, que fala a uma velocidade tão impressionante que não se lhe conhecem palavras repetidas.
e o poeta que há uns tempos entrava mudo e saía calado mas que agora, não pude deixar de reparar, pragueja com convicção.
quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
o homem da quarta-feira #11
e depois pus-me a pensar
- qual é a deixa? qual é a deixa?
a mãe de heitor

Por essa lei antiga que os amantes obriga
a suceder-se em outras e outras gerações,
eu em minhas entranhas dei vida a um herói jovem.
Ante as luas curvei-me e à sua espera de júbilo
os hibiscos tingiram-se.
Transparente se tornava seu rosto sobre o meu
e ele dava-me nobreza, beleza, plenitude.
Incêndio após incêndio, o corpo prevalece.
María Victoria Atencia, Antologia Poética
Nesse tempo, eu era um hóspede na terra.
o mais doce dos nomes para os lábios e os ouvidos.
Maravilhosas eram para mim as alegrias terrenas,
e dias de festa eram não os doze,
mas cada um dos dias que no ano havia.
Em obediência a um qualquer secreto imperativo,
tomei a liberdade por companheira,
e amava apenas o sol e as árvores.
Um dia, no fim do verão, encontrei uma estrangeira
a essa hora imprecisa da madrugada,
e juntas mergulhámos no mar cálido.
(...)
«Diz-me, diz-me, por que razão a memória se dilui?
E porque é que, tendo torturado os meus sentidos
com tais carícias,
hás-de levar contigo a delícia da repetição?»
E apenas uma vez, quando eu colhia
uvas para um cesto de verga,
uma mulher sombria veio sentar-se na relva,
de olhos fechados e tranças desfeitas,
e exausta, e inebriada
pelo forte aroma dos bagos azuis
e pelo perfume picante da hortelã,
depositou-me na memória
as mágicas palavras,
e eu deixei cair o cesto cheio
e lancei-me sobre a terra seca e asfixiante,
como sobre o amigo, quando o amor canta.
fotografia de Lisa Sarfati
imóvel e em parte alguma, instável e em toda a parte
linguagem da carne e do anjo, de bosch e de rilke. o corpo gera o sublime, a mão é mística, nega-se o erro de distinguir, ama-se a ideia do amor no corpo do amante: "pois é tempo de, amando, / nos libertarmos do amado e de no frémito de nos superarmos: / como a seta supera a corda para, tensa, ao libertar-se / ser mais do que ela própria. pois é nenhum o lugar de paragem."
ERROR! ERROR !
Quando digo "Beatnik" percebem "Bite Neck"
Dos senhores que sabiam o que faziam

HOWL
For Carl Solomon
I
I saw the best minds of my generation destroyed by
madness, starving hysterical naked,
dragging themselves through the negro streets at dawn
looking for an angry fix,
angelheaded hipsters burning for the ancient heavenly
connection to the starry dynamo in the machin-
ery of night,
who poverty and tatters and hollow-eyed and high sat
up smoking in the supernatural darkness of
cold-water flats floating across the tops of cities
contemplating jazz,
who bared their brains to Heaven under the El and
saw Mohammedan angels staggering on tene-
ment roofs illuminated,
who passed through universities with radiant cool eyes
hallucinating Arkansas and Blake-light tragedy
among the scholars of war,
who were expelled from the academies for crazy &
publishing obscene odes on the windows of the
skull,
who cowered in unshaven rooms in underwear, burn-
ing their money in wastebaskets and listening
to the Terror through the wall,
who got busted in their pubic beards returning through
Laredo with a belt of marijuana for New York,
who ate fire in paint hotels or drank turpentine in
Paradise Alley, death, or purgatoried their
torsos night after night
with dreams, with drugs, with waking nightmares, al-
cohol and cock and endless balls,
incomparable blind; streets of shuddering cloud and
lightning in the mind leaping toward poles of
Canada & Paterson, illuminating all the mo-
tionless world of Time between,
Peyote solidities of halls, backyard green tree cemetery
dawns, wine drunkenness over the rooftops,
storefront boroughs of teahead joyride neon
blinking traffic light, sun and moon and tree
vibrations in the roaring winter dusks of Brook-
lyn, ashcan rantings and kind king light of mind,
who chained themselves to subways for the endless
ride from Battery to holy Bronx on benzedrine
until the noise of wheels and children brought
them down shuddering mouth-wracked and
battered bleak of brain all drained of brilliance
in the drear light of Zoo,
who sank all night in submarine light of Bickford's
floated out and sat through the stale beer after
noon in desolate Fugazzi's, listening to the crack
of doom on the hydrogen jukebox,
who talked continuously seventy hours from park to
pad to bar to Bellevue to museum to the Brook-
lyn Bridge,
lost battalion of platonic conversationalists jumping
down the stoops off fire escapes off windowsills
off Empire State out of the moon,
yacketayakking screaming vomiting whispering facts
and memories and anecdotes and eyeball kicks
and shocks of hospitals and jails and wars,
whole intellects disgorged in total recall for seven days
and nights with brilliant eyes, meat for the
Synagogue cast on the pavement,
who vanished into nowhere Zen New Jersey leaving a
trail of ambiguous picture postcards of Atlantic
City Hall,
suffering Eastern sweats and Tangerian bone-grind-
ings and migraines of China under junk-with-
drawal in Newark's bleak furnished room,
who wandered around and around at midnight in the
railroad yard wondering where to go, and went,
leaving no broken hearts,
who lit cigarettes in boxcars boxcars boxcars racketing
through snow toward lonesome farms in grand-
father night,
who studied Plotinus Poe St. John of the Cross telep-
athy and bop kabbalah because the cosmos in-
stinctively vibrated at their feet in Kansas,
who loned it through the streets of Idaho seeking vis-
ionary indian angels who were visionary indian
angels,
who thought they were only mad when Baltimore
gleamed in supernatural ecstasy,
who jumped in limousines with the Chinaman of Okla-
homa on the impulse of winter midnight street
light smalltown rain,
who lounged hungry and lonesome through Houston
seeking jazz or sex or soup, and followed the
brilliant Spaniard to converse about America
and Eternity, a hopeless task, and so took ship
to Africa,
who disappeared into the volcanoes of Mexico leaving
behind nothing but the shadow of dungarees
and the lava and ash of poetry scattered in fire
place Chicago,
who reappeared on the West Coast investigating the
F.B.I. in beards and shorts with big pacifist
eyes sexy in their dark skin passing out incom-
prehensible leaflets,
who burned cigarette holes in their arms protesting
the narcotic tobacco haze of Capitalism,
who distributed Supercommunist pamphlets in Union
Square weeping and undressing while the sirens
of Los Alamos wailed them down, and wailed
down Wall, and the Staten Island ferry also
wailed,
who broke down crying in white gymnasiums naked
and trembling before the machinery of other
skeletons,
who bit detectives in the neck and shrieked with delight
in policecars for committing no crime but their
own wild cooking pederasty and intoxication,
who howled on their knees in the subway and were
dragged off the roof waving genitals and manu-
scripts,
who let themselves be fucked in the ass by saintly
motorcyclists, and screamed with joy,
who blew and were blown by those human seraphim,
the sailors, caresses of Atlantic and Caribbean
love,
who balled in the morning in the evenings in rose
gardens and the grass of public parks and
cemeteries scattering their semen freely to
whomever come who may,
who hiccuped endlessly trying to giggle but wound up
with a sob behind a partition in a Turkish Bath
when the blond & naked angel came to pierce
them with a sword,
who lost their loveboys to the three old shrews of fate
the one eyed shrew of the heterosexual dollar
the one eyed shrew that winks out of the womb
and the one eyed shrew that does nothing but
sit on her ass and snip the intellectual golden
threads of the craftsman's loom,
who copulated ecstatic and insatiate with a bottle of
beer a sweetheart a package of cigarettes a can-
dle and fell off the bed, and continued along
the floor and down the hall and ended fainting
on the wall with a vision of ultimate cunt and
come eluding the last gyzym of consciousness,
who sweetened the snatches of a million girls trembling
in the sunset, and were red eyed in the morning
but prepared to sweeten the snatch of the sun
rise, flashing buttocks under barns and naked
in the lake,
who went out whoring through Colorado in myriad
stolen night-cars, N.C., secret hero of these
poems, cocksman and Adonis of Denver-joy
to the memory of his innumerable lays of girls
in empty lots & diner backyards, moviehouses'
rickety rows, on mountaintops in caves or with
gaunt waitresses in familiar roadside lonely pet-
ticoat upliftings & especially secret gas-station
solipsisms of johns, & hometown alleys too,
who faded out in vast sordid movies, were shifted in
dreams, woke on a sudden Manhattan, and
picked themselves up out of basements hung
over with heartless Tokay and horrors of Third
Avenue iron dreams & stumbled to unemploy-
ment offices,
who walked all night with their shoes full of blood on
the snowbank docks waiting for a door in the
East River to open to a room full of steamheat
and opium,
who created great suicidal dramas on the apartment
cliff-banks of the Hudson under the wartime
blue floodlight of the moon & their heads shall
be crowned with laurel in oblivion,
who ate the lamb stew of the imagination or digested
the crab at the muddy bottom of the rivers of
Bowery,
who wept at the romance of the streets with their
pushcarts full of onions and bad music,
who sat in boxes breathing in the darkness under the
bridge, and rose up to build harpsichords in
their lofts,
who coughed on the sixth floor of Harlem crowned
with flame under the tubercular sky surrounded
by orange crates of theology,
who scribbled all night rocking and rolling over lofty
incantations which in the yellow morning were
stanzas of gibberish,
who cooked rotten animals lung heart feet tail borsht
& tortillas dreaming of the pure vegetable
kingdom,
who plunged themselves under meat trucks looking for
an egg,
who threw their watches off the roof to cast their ballot
for Eternity outside of Time, & alarm clocks
fell on their heads every day for the next decade,
who cut their wrists three times successively unsuccess-
fully, gave up and were forced to open antique
stores where they thought they were growing
old and cried,
who were burned alive in their innocent flannel suits
on Madison Avenue amid blasts of leaden verse
& the tanked-up clatter of the iron regiments
of fashion & the nitroglycerine shrieks of the
fairies of advertising & the mustard gas of sinis-
ter intelligent editors, or were run down by the
drunken taxicabs of Absolute Reality,
who jumped off the Brooklyn Bridge this actually hap-
pened and walked away unknown and forgotten
into the ghostly daze of Chinatown soup alley
ways & firetrucks, not even one free beer,
who sang out of their windows in despair, fell out of
the subway window, jumped in the filthy Pas-
saic, leaped on negroes, cried all over the street,
danced on broken wineglasses barefoot smashed
phonograph records of nostalgic European
1930s German jazz finished the whiskey and
threw up groaning into the bloody toilet, moans
in their ears and the blast of colossal steam
whistles,
who barreled down the highways of the past journeying
to each other's hotrod-Golgotha jail-solitude
watch or Birmingham jazz incarnation,
who drove crosscountry seventytwo hours to find out
if I had a vision or you had a vision or he had
a vision to find out Eternity,
who journeyed to Denver, who died in Denver, who
came back to Denver & waited in vain, who
watched over Denver & brooded & loned in
Denver and finally went away to find out the
Time, & now Denver is lonesome for her heroes,
who fell on their knees in hopeless cathedrals praying
for each other's salvation and light and breasts,
until the soul illuminated its hair for a second,
who crashed through their minds in jail waiting for
impossible criminals with golden heads and the
charm of reality in their hearts who sang sweet
blues to Alcatraz,
who retired to Mexico to cultivate a habit, or Rocky
Mount to tender Buddha or Tangiers to boys
or Southern Pacific to the black locomotive or
Harvard to Narcissus to Woodlawn to the
daisychain or grave,
who demanded sanity trials accusing the radio of hyp
notism & were left with their insanity & their
hands & a hung jury,
who threw potato salad at CCNY lecturers on Dadaism
and subsequently presented themselves on the
granite steps of the madhouse with shaven heads
and harlequin speech of suicide, demanding in-
stantaneous lobotomy,
and who were given instead the concrete void of insulin
Metrazol electricity hydrotherapy psycho-
therapy occupational therapy pingpong &
amnesia,
who in humorless protest overturned only one symbolic
pingpong table, resting briefly in catatonia,
returning years later truly bald except for a wig of
blood, and tears and fingers, to the visible mad
man doom of the wards of the madtowns of the
East,
Pilgrim State's Rockland's and Greystone's foetid
halls, bickering with the echoes of the soul, rock-
ing and rolling in the midnight solitude-bench
dolmen-realms of love, dream of life a night-
mare, bodies turned to stone as heavy as the
moon,
with mother finally ******, and the last fantastic book
flung out of the tenement window, and the last
door closed at 4. A.M. and the last telephone
slammed at the wall in reply and the last fur-
nished room emptied down to the last piece of
mental furniture, a yellow paper rose twisted
on a wire hanger in the closet, and even that
imaginary, nothing but a hopeful little bit of
hallucination
ah, Carl, while you are not safe I am not safe, and
now you're really in the total animal soup of
time
and who therefore ran through the icy streets obsessed
with a sudden flash of the alchemy of the use
of the ellipse the catalog the meter & the vibrat-
ing plane,
who dreamt and made incarnate gaps in Time & Space
through images juxtaposed, and trapped the
archangel of the soul between 2 visual images
and joined the elemental verbs and set the noun
and dash of consciousness together jumping
with sensation of Pater Omnipotens Aeterna
Deus
to recreate the syntax and measure of poor human
prose and stand before you speechless and intel-
ligent and shaking with shame, rejected yet con-
fessing out the soul to conform to the rhythm
of thought in his naked and endless head,
the madman bum and angel beat in Time, unknown,
yet putting down here what might be left to say
in time come after death,
and rose reincarnate in the ghostly clothes of jazz in
the goldhorn shadow of the band and blew the
suffering of America's naked mind for love into
an eli eli lamma lamma sabacthani saxophone
cry that shivered the cities down to the last radio
with the absolute heart of the poem of life butchered
out of their own bodies good to eat a thousand
years.
II
What sphinx of cement and aluminum bashed open
their skulls and ate up their brains and imagi-
nation?
Moloch! Solitude! Filth! Ugliness! Ashcans and unob
tainable dollars! Children screaming under the
stairways! Boys sobbing in armies! Old men
weeping in the parks!
Moloch! Moloch! Nightmare of Moloch! Moloch the
loveless! Mental Moloch! Moloch the heavy
judger of men!
Moloch the incomprehensible prison! Moloch the
crossbone soulless jailhouse and Congress of
sorrows! Moloch whose buildings are judgment!
Moloch the vast stone of war! Moloch the stun-
ned governments!
Moloch whose mind is pure machinery! Moloch whose
blood is running money! Moloch whose fingers
are ten armies! Moloch whose breast is a canni-
bal dynamo! Moloch whose ear is a smoking
tomb!
Moloch whose eyes are a thousand blind windows!
Moloch whose skyscrapers stand in the long
streets like endless Jehovahs! Moloch whose fac-
tories dream and croak in the fog! Moloch whose
smokestacks and antennae crown the cities!
Moloch whose love is endless oil and stone! Moloch
whose soul is electricity and banks! Moloch
whose poverty is the specter of genius! Moloch
whose fate is a cloud of sexless hydrogen!
Moloch whose name is the Mind!
Moloch in whom I sit lonely! Moloch in whom I dream
Angels! Crazy in Moloch! Cocksucker in
Moloch! Lacklove and manless in Moloch!
Moloch who entered my soul early! Moloch in whom
I am a consciousness without a body! Moloch
who frightened me out of my natural ecstasy!
Moloch whom I abandon! Wake up in Moloch!
Light streaming out of the sky!
Moloch! Moloch! Robot apartments! invisible suburbs!
skeleton treasuries! blind capitals! demonic
industries! spectral nations! invincible mad
houses! granite cocks! monstrous bombs!
They broke their backs lifting Moloch to Heaven! Pave-
ments, trees, radios, tons! lifting the city to
Heaven which exists and is everywhere about
us!
Visions! omens! hallucinations! miracles! ecstasies!
gone down the American river!
Dreams! adorations! illuminations! religions! the whole
boatload of sensitive bullshit!
Breakthroughs! over the river! flips and crucifixions!
gone down the flood! Highs! Epiphanies! De-
spairs! Ten years' animal screams and suicides!
Minds! New loves! Mad generation! down on
the rocks of Time!
Real holy laughter in the river! They saw it all! the
wild eyes! the holy yells! They bade farewell!
They jumped off the roof! to solitude! waving!
carrying flowers! Down to the river! into the
street!
III
Carl Solomon! I'm with you in Rockland
where you're madder than I am
I'm with you in Rockland
where you must feel very strange
I'm with you in Rockland
where you imitate the shade of my mother
I'm with you in Rockland
where you've murdered your twelve secretaries
I'm with you in Rockland
where you laugh at this invisible humor
I'm with you in Rockland
where we are great writers on the same dreadful
typewriter
I'm with you in Rockland
where your condition has become serious and
is reported on the radio
I'm with you in Rockland
where the faculties of the skull no longer admit
the worms of the senses
I'm with you in Rockland
where you drink the tea of the breasts of the
spinsters of Utica
I'm with you in Rockland
where you pun on the bodies of your nurses the
harpies of the Bronx
I'm with you in Rockland
where you scream in a straightjacket that you're
losing the game of the actual pingpong of the
abyss
I'm with you in Rockland
where you bang on the catatonic piano the soul
is innocent and immortal it should never die
ungodly in an armed madhouse
I'm with you in Rockland
where fifty more shocks will never return your
soul to its body again from its pilgrimage to a
cross in the void
I'm with you in Rockland
where you accuse your doctors of insanity and
plot the Hebrew socialist revolution against the
fascist national Golgotha
I'm with you in Rockland
where you will split the heavens of Long Island
and resurrect your living human Jesus from the
superhuman tomb
I'm with you in Rockland
where there are twenty-five-thousand mad com-
rades all together singing the final stanzas of the Internationale
I'm with you in Rockland
where we hug and kiss the United States under
our bedsheets the United States that coughs all
night and won't let us sleep
I'm with you in Rockland
where we wake up electrified out of the coma
by our own souls' airplanes roaring over the
roof they've come to drop angelic bombs the
hospital illuminates itself imaginary walls col-
lapse O skinny legions run outside O starry
spangled shock of mercy the eternal war is
here O victory forget your underwear we're
free
I'm with you in Rockland
in my dreams you walk dripping from a sea-
journey on the highway across America in tears
to the door of my cottage in the Western night
So let it be written. So let it be done

"que as reuniões, ditas políticas, sejam feitas na Arrábida em estado de nudez; que os edifícios que ultrapassem dois andares sejam lançados ao mar e liquefeitos para sempre; que cada palavra passe pelos olhos, pelas mãos, pelos pés, antes de passar pela boca; que os homens de todos os meios também se dispam e, na mais ensolarada hora do dia, lavem braços, axilas, cabelos, sexos, e mutuamente se tomem nos braços e ofereçam as peles perfumadas, que os sotaques e as maneiras de falar subam nas bocas e cheguem a alguém e dêem a todos a mesma língua perfeita."
-"Uma data em cada mão, Livro de Horas I" - Maria Gabriela Llansol
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
o Mal-estar da Civilização #8

Este livro é precioso

"Seguindo o meu olhar até à vela, há sempre um espaço subterrâneo, uma fala que perscrute a sua boca aberta. Baixo os olhos sobre as claridades cintilantes, enamoradas, visualizo um volume que, na minha língua, deve ter um nome. Procuro então um outro volume para que não encontro palavras, ou superfície e imagem: água livre, nem de rio, nem de mar, nem de lago, nem de nevoeiro, água repleta de silêncio no momento do fogo, ou talvez clima vulcânico no centro das terras. Palavras sobrepostas, de múltiplas línguas, voltam à unidade, é a explosão do nascimento do tempo. É o seu princípio de fuga estelar no seio das criaturas. Levanta-se como uma brisa, sua descrição é impensável para além de uma meditação de neblina. É uma visão de deleite tão intenso, que fios de água escorrem por entre o fogo que é circundante e leve. Ali estão compreendidos os seres vivos, desde o início dos séculos ao fim carreiras mortais, e sobre eles os seres mortos não se distinguem da palpitação consumitiva. Meus companheiros vêem, alguém vem por mim, a quem eu cerro as pálpebras; acordo abrindo outros olhos
nessa paisagem informe, não ouso procurar um rosto; mil feições se ocultaram no dilúvio da água_______
e o amor - e os amados - esperam________________
-"Uma data em cada mão, Livro De Horas I" - Maria Gabriela Llansol
He blows forcefully
The more the wind blows
The more tightened we’ll be
Isn’t it nice
With some warmth
We only reveal ourselves
And change ourselves
When we’re sheltered
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
electrocardioTrama #2 (ou a actividade poética do coração)

Imagino como serias feliz se eu estivesse a teu lado e fosse teu companheiro,
Sê tão feliz como se eu estivesse contigo. (Não penses que não estou agora junto a ti.)»
nota
no entanto, estou em crer que não seria capaz de cometer o delito: da única vez que acompanhei um bando de gatunos num hipermercado vi-os serem apanhados mesmo à saída (e até hoje estou convencida que foram as minhas bochechas muito vermelhas - ou talvez a minha cara toda - que os denunciaram).
querido diário
Prendas do outro lado do oceano

E o humilde livreiro não consegue escrever mais nada a não ser "OBRIGADO C."
obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado obrigado...
Le Subissement 2

"O fogo abraça-te,
sem que isso exprima
o amor
com que sonhas.
As árvores, não prefiro nenhuma,
amo-as a todas.
A terra, amo-a
de maneira diferente,
ou talvez da mesma maneira,
com uma ligeira diferença
que me desorienta.
Mas, em matéria de natureza,
sinto-me cada vez menos
estrangeira
e tento reconstruir
uma linguagem
cheia de significação
que situe as árvores e o solo,
reciprocamente,
nas suas diferenças.
Uma árvore é uma árvore,
o solo é o solo,
a mesma energia
está por todo o lado,
mas a forma, a cor,
o tangível,
o instante de repouso
é o fruto do tempo que corre."
-"Uma data em cada mão, Livro de Horas I" - Maria Gabriela Llansol
com cinco letrinhas apenas
como é poesia não faz mal ou «não batam mais no miúdo»
APROVAÇÕES E LICENÇAS PUBLICADAS NAS EDIÇÕES CAMONIANAS EM PORTUGUÊS,
ANTERIORES À CRIAÇÃO DA REAL MESA CENSÓRIA
Os Lusíadas. Lisboa, António Gonçalves, 1572. Ed. Ee.
há uns anos valentes que não nos sentávamos
em frente à tv
com o miúdo entretido a jogar qualquer coisa
e restante irmandade - quem é este?
(e ainda aprendi que quem com ele privou lhe chamava Cesariny em vez de Cééésariny (se / sé), mas também já aprendi a dizer mestrado e não resisto ao méééstrado)
atelier estrambótico para crianças na Trama



ANIMALÁRIO UNIVERSAL DO PROFESSOR REVILLOD
Atelier estrambótico para crianças 4 - 8 anos
14 Novembro | sábado | 11h00
Duração: 50 minutos
há por aqui coisas tão munitas

Vitorino Nemésio no Prefácio do livro As Grandes Polémicas Portuguesas, Verbo, 1964 (2 vol).
domingo, 25 de Outubro de 2009
Retrato de Família #6
Luiz P. Karamazov (1925-2008)
"Tive dois ameaçozitos. De um ameaço salvou-me o Cesariny e o Carlos. De repente estive para me mandar para dentro de água…"





























































































