«La luz del lenguaje me cubre como una música»

(Alejandra Pizarnik)

sábado, 22 de Março de 2008

Ainda sobre livros de seda (não resisto, não resisto...)

Acabei de ler estas linhas sobre esta nova editora para mulheres:

"As coisas estão definitivamente a mudar: as mulheres são hoje um importante motor do mercado, têm instrução, tempo e formação e, naturalmente, querem que os produtos passem a ser feitos também à sua imagem, mais empáticos, comunitários (...) enfim, mais humanos e integrados na sociedade, mais preocupados e seguindo uma estética menos agressiva e com mais referências na sua vida" (dito por Vanda Acates do departamento de marketing da editora)

Disse a mim mesma que não falaria do assunto mas, lamento, é-me impossível ignorar uma coisa destas - porque consigo, SIMULTANEAMENTE, ser livreira, leitora, mulher e pessoa!! Parece estranho? Já que acumulo tantas funções, quero então "produtos" à minha medida - como livros, obviamente. Quero livros à minha imagem - PORQUE SOU EMPÁTICA E COMUNITÁRIA! Eu, que sou tão humana, que todos conhecem pelas minhas preocupações sociais, preciso de livros MENOS AGRESSIVOS com mais referências à minha vida!

Desculpem se ainda me choco com estas coisas mas fui educada no (absurdo) princípio da igualdade entre sexos, se não física, pelo menos intelectual.

Fui educada para escolher os meus livros e não para escolher os livros que são para mim.

16 comentários:

Eduarda Sousa disse...

Assino por baixo, também. já agora, obrigado por concluíres o meu primeiro post ;)

Não há muito mais a dizer. Eu ao ler as declarações da Seda quase me sinto,enquanto "mulher", estúpida.

Veio a editora libertadora para nós dar, a nós "mulheres", aquilo que nunca fomos capazes de escolher. Poupem-me...

beijinho

Anónimo disse...

n sei onde foste ver isso tudo...
acho que tas a exagerar um pouco. eu ja vi os livros. estao bonitos, femininos.
e os autores sao bons, especialmente o philippe grimbert. confesso que nao conhecia a do livro de interrupção em tudo.

fallorca disse...

Francamente, sejam eles (os livros) de seda ou de chita, shit!, uma editora que pretende ser uma «nova editora para mulheres», é de um machismo repugnante.

o homem que embirra disse...

Terá a vontade livreira da Seda ter nascido da sua imaturidade ao conhecer Emma Bovary? ou terá sido um preverso apelo da ambição de Catherine Earnshaw?

Catarina disse...

Pela minha parte, o problema inicial está na apresentação desta editora, que se baseia numa série de pressupostos femininos de rigor pelo menos duvidoso. Se os autores são bons, porque são para mulheres? Os bons autores têm os seus leitores divididos por género?! Que se criem novas editoras é algo que acho óptimo mas prefiro encarar os livros de outra forma. Só a ideia de estar a ler um livro "para mulheres" me deixa arrepiada, soa-me demasiado aos tão saudosos anos 50... O que é que é um livro feminino? Um livro com a capa cor-de-rosa? Ou com uma flor? E, na verdade, no mercado editorial a sério, será a masculinidade/feminilidade um critério de publicação? Eu sei a resposta, claro. Admito, sinceramente, a possibilidade de serem bons livros, não me agrada a imagem que se cria da mulher enquanto leitora, distinguindo-a do homem de forma tão... eu sei lá! :) Mas podemos aproveitar para lançar o debate: será que a Odisseia é um livro para rapazes?

Anónimo disse...

meninas, já ouviram falar de segmentação?
É uma ideia radical que descobriram, onde inventaram que as crianças têm gostos diferentes dos adultos, ou dos idosos, que as pessoas da cidade gostam de coisas diferentes que as do campo, e têm menos tempo, ou que homens e mulheres foram educados com padrões culturais diferentes... estúpido, não é?...
daqui a mais dizem que o curso superior e a leitura influenciam os livros que lemos... até parece...
Filipa Jorge

Anónimo disse...

vocês são mesmo cromas... quando os homens vos fazem livros cor-de-rosa e vos mandam tomar chá, calam-se e compram romances da treta. Quando são mulheres a editar livros para mulheres, querendo fazer livros para mulheres que elas consideram inteligentes, vocês atacam.
merecem mesmo é romances cor-de-rosa, pelos vistos.

Daqui a mais fazem um grupo de ataque para destruir a sic mulher, as casas-de-banho diferenciadas e a Zara, entre outras coisas claramente discriminadoras.

Uma editora de gajas a publicar para gajas, realmente, o que sabem elas disso. É preferível gajos a dizer-vos o que devem ler, para continuarem a ler merda pink.

Catarina disse...

Oh não! De certeza absoluta que passei a vida a ler os livros errados (o que certamente potenciou um descontrolo hormonal causador de um abrupto aumento de pelos nas pernas, para castigo). Uma chatice. O próximo passo: literatura para homossexuais, criada por homossexuais, com os temas que os homossexuais precisam. Avanço já com com alguns nomes: Al Berto, Oscar Wilde... E mais: literatura para pretos, já que é sabido que pretos e brancos estão em sectores de mercado diferentes. (e pensar que li o suleiman cassamo e o germano almeida, um dia destes nasce-me uma carapinha)
Mas, bem, talvez aqui não se discutam livros mas antes produtos e, então, toda esta conversa é uma treta.

fallorca disse...

Catarina, não seja segragacionista... então e os livros para ciganos? Nem todos são analfabetos e alguns lêem extraordinariamente bem com as mãos, e não é Braille, não ;)

Sara Franco® disse...

E logo a mim que me estão sempre a dizer que eu sou agressiva!

Anónimo disse...

Cara Catarina,
a titulo de exemplo. Literatura para homossexuais... já existe! chama-se bico de pena e pertence, julgo eu, à pergaminho. (ou asa???)

acho que a questão foi que a catarina não aprecia a frontalidade com que eles apareceram a dizer que os livros eram destinados a mulheres. mesmo que, como diz e bem, os autores bons não são femininos ou masculinos.

acho que é uma questão de como se colocam as coisas. Agora... parece óbvio que as editoras já estão a segmentar... e se a catarina não deu por isso, de livreira para livreira, digo-lhe que, isso sim, é bem grave.

Catarina disse...

Cara livreira anónima, se leu os meus comentários anteriores acho que devia ter percebido o que é que me incomoda nesta questão. Uma das coisas que já disse, por exemplo, foi: "E, na verdade, no mercado editorial a sério, será a masculinidade/feminilidade um critério de publicação? Eu sei a resposta, claro." Não, a segmentação não é novidade. Aliás, a Bertrand já tem aquela colecção de livros para mulheres da Nora Roberts há não sei quanto tempo. Mas, o que quer, estas coisas são, para mim, sempre uma surpresa! Que há mercado para tudo não é novidade nenhuma. A ideia que está por trás, ou pelo menos a forma como esta ideia foi exposta, é que não me parece positiva, aliás, parece-me mais um passo para a desconstrução da igualdade. Caramba, ainda há tantas mulheres a ganharem menos que os homens! Ainda há tantas mulheres a levar porrada dentro de casa! A igualdade não existe, ainda não existe, e, para mim, seria importante não fomentar ainda mais a desigualdade. Porque cada vez há mais gente a ler! Cada vez os livros chegam a mais gente e a informação é poder! Literatura é literatura, ponto final. É isto que pretendo ensinar ao meu filho, não vá um dia ele oferecer um livro da Seda à namorada, por achar mais "adequado". Estamos a falar de comércio de ideias... (de qualquer forma gostaria de deixar claro que o tema não me atormenta, acho a discussão saudável mas não me tira o sono nem me estraga o dia, não tenho vontade de saltar na campa de ninguém nem de ir para a rua queimar o soutien. A questão fundamental, para mim, é: acreditam realmente que existe literatura para mulheres? Atenção, não me refiro a mercado, refiro-me a literatura...)

Sara Franco® disse...

Catarina, sou tua fã!

L. disse...

"livros para mulheres"

não é mais que uma estratégia de marketing. nada tem de nobre ou de realmente pró-mulher.

uma estratégia que, sim, parte do princípio da incapacidade da mulher escolher por si...

se os livros forem bons e bem apresentados... que se leiam. mas não decerto porque a editora se afirma assim ou assado...

Anónimo disse...

Catarina,

Concordo plenamente consigo, se era uma estratégia de marketing, foi claramente mal sucedida.

Depois vem com a ideia de frescura de inovação de pioneirismo - é clraramente uma falta de respeito por colegas do sector. A Saída de Êmergência à seculos que desenvolveu uma estratégia semelhante, mas com uma grande diferença, humilde, discreta e sedutora.

Anónimo disse...

+ para além de humilde, discreta e sedutora - VENCEDORA.

Já a LD, até à data ainda não vimos nada.