«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

da identidade

parece-me cada vez mais importante anunciar as diferenças. consciente de que o assunto não interessa a todos, parece-me que a coisa pode ir lá com uns quantos berros, sempre se alarga o número de ouvidos. para já, há uma frase que me anda a perseguir há uns meses:
aqui, só os livros estão à venda

por razões exclusivamente plásticas, ainda não a afixei onde todos a possam ver. tentei, é verdade, com canetas especiais compradas numa papelaria quase falida cá do bairro. mas falta-me a mão para as artes gráficas e a frase ficou suspensa. desta semana não passa. é preciso assegurar aos que passam: podem fazer perguntas.
são tão aborrecidas todas as generalizações. são tão aborrecidas as pessoas que não fazem outra coisa se não debitar sentenças sobre isto e aquilo, coisas que, na maior parte dos casos, nem conhecem assim tão bem. como é aborrecida a falta de critério, a falta de exigência, a falta de atenção.
dos tipos que fazem livros aos tipos que vendem livros, poucos são aqueles que estão dispostos a ter uma identidade. felizmente ainda há alguns, normalmente os mais silenciosos. falar alto nunca foi coisa que rendesse, já se sabe: fomos educados para falar baixinho.