
Fazemos planos para o próximo ano como se o próximo ano não tivesse sido já ontem ou não fosse agora mesmo. Não consigo deixar de pensar que aquilo que quero para amanhã é o mesmo que queria para o amanhã de trinta e um de dezembro de dois mil e oito. Parece-me, então, que tenho sido incapaz de cumprir aquilo que me prometo, sempre, dia após dia. E não há livros ou filmes que me façam passar de uma lenta tomada de consciência ao gesto, visível. Podemos alegar que o trabalho mais importante está na sombra e, por isso, não se vê. Não me convenço: é preciso acção, um certo tipo de acção. Talvez seja desta.
[O Fernando Mouro explicou-me num sábado de manhã o significado da palavra acrasia. Desde então não deixei de pensar que esta palavra poderia ser o meu segundo nome: porque embora pense e pense e volte a pensar muito raramente faço alguma coisa com o resultado dessa contabilidade mental, aliás, na maioria dos casos faço o contrário.]
No próximo ano não vou fazer nada de novo, não vou desejar nada de diferente, não vou procurar a mudança. No próximo ano quero exactamente o mesmo que tive ao longo deste, que, dizem, acaba esta noite. O que poderá então mudar? A expressão. Porque o que sinto, hoje, é que tenho sido incapaz de expressar-me, por mais que fale, por mais que escreva. É como se tudo saísse um bocado ao lado. De mim para mim ou de mim para ti. Às vezes não sei onde raio meto as coisas que aprendo. Às vezes não percebo o que digo e não posso sequer garantir que acredito no que defendo. Às vezes sou velha. Às vezes sinto-me a caminho de qualquer coisa. Às vezes parece que estou há anos no mesmo sítio. Daqui, é tudo muito confuso. E é justamente com este discurso que quero acabar, com esta expressão. Porque me habituei a ver-me como uma pessoa confusa, e até ficava ofendida quando alguém teimava em dizer-me que eu não era assim tão confusa, desacreditei-me.
Por uma expressão consciente, venha 2010.
[O Fernando Mouro explicou-me num sábado de manhã o significado da palavra acrasia. Desde então não deixei de pensar que esta palavra poderia ser o meu segundo nome: porque embora pense e pense e volte a pensar muito raramente faço alguma coisa com o resultado dessa contabilidade mental, aliás, na maioria dos casos faço o contrário.]
No próximo ano não vou fazer nada de novo, não vou desejar nada de diferente, não vou procurar a mudança. No próximo ano quero exactamente o mesmo que tive ao longo deste, que, dizem, acaba esta noite. O que poderá então mudar? A expressão. Porque o que sinto, hoje, é que tenho sido incapaz de expressar-me, por mais que fale, por mais que escreva. É como se tudo saísse um bocado ao lado. De mim para mim ou de mim para ti. Às vezes não sei onde raio meto as coisas que aprendo. Às vezes não percebo o que digo e não posso sequer garantir que acredito no que defendo. Às vezes sou velha. Às vezes sinto-me a caminho de qualquer coisa. Às vezes parece que estou há anos no mesmo sítio. Daqui, é tudo muito confuso. E é justamente com este discurso que quero acabar, com esta expressão. Porque me habituei a ver-me como uma pessoa confusa, e até ficava ofendida quando alguém teimava em dizer-me que eu não era assim tão confusa, desacreditei-me.
Por uma expressão consciente, venha 2010.