«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Sábado, 31 de Janeiro de 2009

às vezes encontra-se outra coisa qualquer

porque

às vezes decido engolir-me.

com cinco letrinhas apenas... (a trama ao fim-de-semana)

"Em formato grande, a imagem de Mónica Mendes tornou-se irreal, a trama penteada da cópia impressa claramente discernível, os contornos difusos, como um cruzamento de Roy Lichtenstein e o Noronha da Costa."
em Letra e Música de Paulo Castilh
o
(gentilmente enviado pelo Emanuel)

ainda em leituras

«Para viver não posso mais largar. Papel no qual invisto tacteamento, ou artes de mergulho até ao centro do que sou. Esta certeza, seja o que for que sou: não vou forçar, mas deixar-me ir. E eis: todo o planeado some-se. Formas previstas pulverizam-se neste preciso instante aberto a qualquer brisa vinda de verdade - estrondo tilintante, megatonelada de berlindes despejada na cidade.»
Nuno Bragança em A Noite e o Riso

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

e hoje dir-te-ia

«Toto, I’ve a feeling we’re not in Kansas anymore.»

primeira paragem

o barco abandonou o porto

a cópia da cópia




um trabalho realizado por estes senhores.

com cinco letras apenas (da rússia, com)

«Não é boa altura para falarmos desta renovada paixão de Ivan Fiódorovitch que viria, depois, a repercutir-se em toda a sua vida: poderia servia de trama a uma outra história, de outro romance que não sei ainda se alguma vez empreenderei.»
Fiódor Dostoiévski, em Os Irmãos Karamázov
(cortesia de um admirador de Fausto)

novidade (em 1997)

«- não tenho paciência para ouvir os outros, não tenho paciência para viver, não tenho paciência para morrer, estou aqui, parada, num desequilíbrio interminável, nunca mais acabo de cair, irrito-me se me falam, sofro se me não dizem nada, odeio o gesto caridoso: a mão de alguém nos meus cabelos, o que eu quero é uma voz que me queira, um momento de descanso nessa voz.»
Rui Nunes, em Grito

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

consciência vol. 2

mas pelo menos os livros ficaram muito, muito arrumadinhos.

consciência

hoje vinguei-me e não escrevi. passei o dia todo a pensar nisso. no que não ia escrever. e arrumei tudo. que nervos.

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

nesta data querida

o indivíduo entra, cumprimenta-nos, falamos sobre livros, mostra-me este videoclip, este e ainda este, diz, como sempre, um sem fim de coisas que eu me esforço por memorizar, pede os livros que estavam guardados para ele e, mesmo antes de sair, comenta: sabiam que faz hoje um ano que entrei pela primeira vez na Trama?

então podia dizer-te

ficava(s) tão bem naquele canto da sala*.
*a roubar descaradamente o título de uma peça do Carlos Alberto Machado

singing to the birds

e para nós também
Lisa Germano - Excerpts From A Love Circus

a nossa OBSCENA decoração

um trabalho realizado pela Pixel Reply

as mulheres e os livros

calhamaço n.m. 1. Livro muito grande, antigo, de pouco préstimo, ALFARRÁBIO. 2. Livro muito grande, em geral para estudo de matérias específicas. Passa o dia na biblioteca, rodeado de ~s de Direito Civil. 3. POP:, PEJOR. Mulher grande e pouco atrativa ou de comportamento duvidoso.
Dicionário VERBO Língua Portuguesa Conforme o Novo Acordo Ortográfico (2ª edição)

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

acaba de sair uma senhora que

depois de comprar um terço, veio à trama comprar um livro. não sei o que é que isto quer dizer mas fez-me parar.

pesquisa para G.

simpatizar (conjug. -ar, p.p. simpatizado) v. 1. t.ind. Sentir simpatia, interesse ou inclinação espontânea por uma pessoa ou por um ser vivo, engraçar. Logo que vi a tua amiga simpatizei com ela.
Dicionário VERBO - Língua Portuguesa (
conforme o Novo Acordo Ortográfico!)

e mais

a Trama mudou de look e vestiu-se com as páginas da Obscena. No balcão, nas mesas, na cafetaria, em algumas paredes...
e do resto faço suspense...

(está tão bonita, a Trama!)

pede-se a vossa atenção

chegaram os livros da media vaca!

enquanto me entretenho a mastigar raivas*

diz Séneca: Demasiada abundância de livros é fonte de dispersão; assim, como não poderás ler tudo quanto possuis, contenta-te em possuir apenas o que possas ler.
*
as raivas são uns biscoitos retorcidos que se vendem ali na charcutaria Brasil

só para relembrar que é hoje

apontamento

esperei, toda a vida, que uma grande tragédia me acontecesse.
ainda hoje não percebo porque não há tristeza que não me chegue de luvas calçadas.

notícias do mundo livreiro

Num acto de má fé e tendo como resultado a mais desleal das concorrências, Catarina Barros, uma das responsáveis pela livraria Trama, está desde ontem a espalhar vírus pelas livrarias circundantes. Usando como pretexto uma entrega do livro Quando Escreve Descalça-se, de Miguel-Manso, Catarina passou ontem na Poesia Incompleta e, segundo uma das fontes deste blogue, esteve sentada no sofá, a menos de dois metros de Changuito, o responsável da "livraria sobretudo de poesia". Changuito já mencionou hoje no seu blogue algumas dores de garganta, o princípio de uma certa tosse e dores corporais «muito estranhas, que talvez tenham que me obrigar a ficar de cama um ou dois dias». Ao fecho desta edição pudemos ainda apurar que a livreira foi, logo de manhã, à Letra Livre, pelo que se aconselha cautela a todos os livreiros de Lisboa.

sabedoria popular reinventada

«Livreira doente, livreira carente.»

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

leituras na linha amarela

Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.
Podeis indicar-me alguém que dê o justo valor ao tempo, aproveite bem o seu dia e pense que diariamente morre um pouco? É um erro imaginar que a morte está à nossa frente: grande parte dela já pertence ao passado, toda a nossa vida pretérita é já do domínio da morte!
Procede, portanto, caro Lucílio, conforme dizes: preenche todas as tuas horas! Se tomares nas mãos o dia de hoje conseguirás depender menos do dia de amanhã. De adiamento em adiamento, a vida vai-se passando.
Nada nos pertence, Lucílio, só o tempo é mesmo nosso. A natureza concedeu-nos a posse desta coisa transitória evanescente da qual quem quer que seja nos pode expulsar. É tão grande a insensatez dos homens que aceitam prestar contas de tudo quanto - mau grado o seu valor mínimo, ou nulo, e pelo menos certamente recuperável - lhes é emprestado, mas ninguém se julga na obrigação de justificar o tempo que recebeu, apesar de este ser o único bem que, por maior que seja a nossa gratidão, nunca podemos restituir.
Séneca - Cartas a Lucílio

quando escreve descalça-se - uma opinião

(clicar para tornar maior e, já agora, legível)
esta crítica saiu no suplemento Actual do jornal Expresso no Sábado passado

até quinta?

Projecto [10:10]:
durante 10 semanas os cartazes dos concertos da Trama são feitos por um artista convidado. Este projecto, à semelhança do que tem vindo a acontecer, tem como objectivo dar a conhecer o trabalho de cada artista e, simultaneamente, divulgar as actividades da livraria. Hoje, e por mais algumas semanas, será o ilustrador Xavier Almeida a tomar conta dos cartazes.
Programação musical: geral@seivabruta.org
Coordenação Artes Visuais: sarafranco005@gmail.com

esta semana

Já na terça-feira, pelas 19h, mais um encontro da Revista Obscena
(clicar na imagem para mais informação)


5ªFeira, 21h30

e assim se faz plim

O verdadeiro pecado original / ingénito / nos homens é nascer de mulher. O único vício (...) humano é amar a própria mãe.
Fernando Pessoa, em Livro do Desassossego (p. 147), Relógio D'Água, 2008

Sábado, 24 de Janeiro de 2009

ofício cantante

Cantar onde a mão nos tocou,
o ombro se acendeu, onde se abriu o desejo.
Cantar na mesa, na árvore
sorvida pelo êxtase.
Cantar sobre o corpo da morte, pedra
a pedra, chama a chama - erguido,
amado,
aprendido.

herberto helder, a cantar desde...

nota:

quero, de tal forma, mostrar aos clientes de quem mais gosto que, de facto, gosto tanto deles, que me comporto como uma idiota atabalhoada toda risinhos e sílabas mal pronunciadas.

consequências da leitura da noite e o riso

a cada livro lido, tudo à minha volta ganha amplitude e perde contornos, a cada dia que passa eu sou menos eu.
(a leitura como forma de ficar sem nada para, eventualmente, ter alguma coisa)

"poème électronique"

É o nome daquela que pode ser considerada a primeira experiência de música electrónica. Este poème, feito através de uma cuidadosa combinação entre vários sons - sinos, máquinas, vozes humanas, sirenes, percussões e notas electrónicas, editadas momento a momento - durava exactamente oito minutos e oito segundos.

Na verdade, todos os materiais sonoros usados na composição de Edgard Varèse já tinham sido usados anteriormente noutras composições, contudo, apenas na "academia". Foi em 1958, no pavilhão da Philips numa feira mundial em Bruxelas, que esta composição passou a ser ouvida por quinhentas pessoas, ao mesmo tempo, várias vezes ao dia. Em seis meses, dois milhões experimentaram.
Thom Holmes, em Electronic and Experimental Music - Technology, Music, and Culture (Routledge)

hoje a matéria é: "daily routine"

primeira tentativa, a preto e papel.
segunda tentativa, preto sobre a pele.
decorre de ambas as tentativas uma interrogação, vermelha
*
esta noite sonhei com seis homens
um enviava-me um vhs com música
eu chamava-lhe amor
o outro, um cd
e eu chamava-lhe amor
os restantes quatro não me falavam
levantei-me e tomei banho
*
imaginei, enquanto me enfiava nas calças, que o meu barco viajava, à procura do seu mar. começava numa estante qualquer lá de casa, navegava de livraria em livraria, descobria uma biblioteca, um quiosque, um caixote de almanaques, uma pedra.
e o mar, à espera.
*
quando fui escolher a música, e me baixei para ver os álbuns e decidi, para vir a trocar passados dez minutos, e voltar a baixar-me para ver os mesmos álbuns e decidir novamente, pensei: só acredito na repetição. de imediato me lembrei que, se acaso o tivesse pensado em voz alta, ana saltaria de uma estante ou
a rir-se, ou
enfurecida,
porque eu só acredito no irrepetível.
pensei, seguidamente, que isto não faz sentido nenhum.
*
um dia ele vai escrever-lhe do preto sobre a pele e ela irá sorrir. nunca lhe conseguirá responder.

quem não ler hoje a Actual fica de castigo

toca a ir comprar o Expresso, vá.

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

às vezes uma só pergunta pode mudar um dia inteiro

encontro um cliente no largo do rato, em frente à farmácia: a catarina por acaso não sabe onde é que se vendem coentros?

Ofício Cantante

Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
(herberto helder)

or l'on ne peut pas ne pas parler

chegou o livro. é belo, diria benjamin.
nele se reunem outros: a colher na boca, poemacto, lugar, comunicação académica, a máquina lírica (cuja primeira edição, anteriormente intitulada electronicolírica, já por cá passou e em nobres mãos foi depositada), a máquina de emaranhar paisagens, húmus, cinco canções lacunares, os brancos arquipélagos, antropofagias, etc., exemplos, o corpo o luxo a obra, dedicatória, flash, a cabeça entre as mãos, última ciência, os selos, os selos, outros, últimos., do mundo e o logo desaparecido a faca não corta o fogo.
aceitamos, logicamente, reservas (mail, telefone ou telegramas cantados)

P. S. R. "Parallel Synchronized Randomness"

ou: aleatoriedade paralela sincronizada. duas pessoas caminham em direcções opostas e, no exacto momento em que vão cruzar-se uma com a outra, tomam, nesse momento, a mesma decisão. um passo para a esquerda. um passo para a direita. e continuam, frente a frente.
depois corrigem.
depois corrigem.
depois corrigem.
depois corrigem.
basicamente, num mundo matemático, estas duas pessoas poderiam ficar assim até ao fim dos tempos.

a importância dos filmes

também eu tenho um barco (e nele espaço para uma floresta) à procura de son mer.

às vezes bastava dizer

que farei quando tudo arde?

há perguntas que renascem

all the lonely people, where do they all come from?

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

hoje, ainda

quando coloco os choccocinos na mesa eles arregalam muito os olhos.
queres aquele não é, pergunta-lhe ele, e ela ri-se muito (ela ri-se sempre muito), eu sei, já te conheço.
e enquanto ficam naquele exercício de conhecimento e reconhecimento em redor de duas canecas de chocolate quente tornam-se, por um minuto, nas criaturas mais adoráveis que alguma vez olhei.

hoje

chegou ela mais cedo. acomodou-se, pediu para deixar o telemóvel a carregar, esperou. depois veio ele, completamente encharcado, passou por nós sorridente e subiu. não os vejo mas ouço-os, no canto, junto ao balcão, aquele som meloso de bocas a colar e descolar, ininterruptamente, como quem respira. e os risinhos entrecortados, as frasesinhas sussurradas. nunca vi namorados tão irritantes.

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

boa noite

é de uma trémula solidão
não estar aqui.
(silêncio, alguém arruma os livros lá em cima)

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

esta semana

www.myspace.com/cicerolee
Projecto [10:10]: durante 10 semanas os cartazes dos concertos da Trama são feitos por um artista convidado. Este projecto, à semelhança do que tem vindo a acontecer, tem como objectivo dar a conhecer o trabalho de cada artista e, simultaneamente, divulgar as actividades da livraria. Hoje, e por mais algumas semanas, será o ilustrador Xavier Almeida a tomar conta dos cartazes.
Programação musical: geral@seivabruta.org
Coordenação Artes Visuais: sarafranco005@gmail.com

verão de canterbury

não há em nenhuma cidade
resposta para tudo
procurei no Verão de
Canterbury
pressionei a campainha de uma porta
com os dedos sujos de morangos
cá fora nada que pudesse dizer
que lá dentro
quem ouvia
ouvia desde Bangalore
que é como quem diz
os poetas sempre afirmaram
que o universo recomeça sempre a
cada dealbar da voz mais
funda uma
onda um desenho de Hokusai

Miguel-Manso em Contra a Manhã Burra (ed. autor, 2008)
(ou um presente de aniversário de uma oficina de pintura para uma empregada de balcão que não sabe desenhar)

a decorrer

Maria João Franco nasceu em Leiria em 1945 e é artista plástica. Licenciada em Pintura pela ESBAL (Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa), desde os anos 80 que expõe individual e colectivamente com regularidade tendo sido diversas vezes premiada.
O seu trabalho está presente em diversas colecções particulares nacionais e estrangeiras e está representado em diversas instituições. Em 1997 executou um cartão de tapeçaria para Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, cujo 1º exemplar faz parte do acervo do Sr. Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.
Fez parte do júri do concurso “32 Jovens Pintores” com o Alto patrocínio da Presidência da República Portuguesa integrado nas Comemorações do 10 de Junho de 2000 - Dia de Portugal.
Trabalha como artista convidada em cerâmica artística na Keramos – Condeixa.
Foi Convidada pela Foundation for the Support of Monestery Bentlage para participar no International Summer Workshop em Rheine – Alemanha Agosto 2005.
Em 2005 executa um painel alusivo a “O Motim” de Miguel Franco inserido no Teatro Miguel Franco em Leiria.
Funda em 2006 o jornal on-line “Casamarela5b & ARTS” em homenagem ao Pintor Nelson Dias: www.casamarela5b.com

para ouvir

nota para um noite qb

depois de atenta conversa telefónica ela depreende que, embora as luzes não fossem favoráveis , as palavras faziam, pela primeira vez, o mesmo sentido da urgência.

36

a menina tem as ideias desorganizadas, não tem?
li um dia, numa entrevista qualquer, um encenador descrever um curso de teatro que teria como público-alvo secretárias. e à data, o que é que a menina fazia? dava preços e organizava pastas, sim, era secretária, acho eu, não me lembro bem. e aquele encenador que fazia cursos para secretárias magoava-me, assim como quem diz: há coisas só para as pessoas como tu. mais tarde, num palco, uma coreógrafa mostrava pessoas de fora e eu, lá dentro, magoava-me por ser dessas.

a menina claramente alinha as ideias numa lógica muito estranha
, saia, vá tirar fotografias. e ela foi. havia a amiga que queria fotografar velhotes em bancos de jardim e ela pensou que podia fazer o mesmo para rapidamente perceber que o que a atraía não podia ter vida. foi aí que começaram os sapatos? sim. quero dizer, on
de quer que eu vá encontro pares de sapatos: em frente dos bancos de jardim, na calçada, junto às casas, na estrada ou até pendurados em cabos de alta tensão. e aquilo deixa-me inquieta. quem é que deixa os sapatos, juntos e arrumados, e se vai embora? a menina precisa de descansar. a menina não consegue. quer ficar muito, muito cansada.

Sábado, 17 de Janeiro de 2009

das exigências

De tempos a tempos lá vem a jovem livreira com uma nova exigência totalmente para além da nossa realidade:
-"O que nós precisamos é de uma lareira!"
Pois bem, aqui tens...aquece-te.

"Queria recuperar o leão gravado por cima da porta
onde ninguém via mais que uma imperfeição na pedra
vender a casa estava fora de questão o amor pode ruir
mais depressa que algumas honradas edificações
para mim bastaria uma cadeira uma prancha apoiada
em dois cavaletes e tempo para anotar a aproximação dos
insectos a custosa mas precisa promoção do Inverno"

- "Quando escreve descalça-se" - Miguel-Manso

da poesia como retorno ao silêncio

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

com cinco letrinhas apenas... (a trama internacionaliza-se)

"Salvando las insalvables distancias con Flaubert pero pensando que todo se puede cambiar, me digo ahora que de mi obra, antes de que sea demasiado tarde, debería, por ejemplo, cambiar el final de mi séptima novela, mejorar la novena (desaproveché las amplas possibilidades de la trama), suprimir la tercera, etcétera."
Enrique Vila-Matas,
París no se acaba nunca, Editorial Anagrama, Barcelona [2003]
(obrigada, mais uma vez, simão)

não quero alarmar ninguém

mas estou em crer que o Bairro está prestes a desmoronar-se.

planos para o fim-de-semana?

obrigada Tiago

hoje,

na Biblioteca Municipal Marquesa de Cadaval em Almeirim, às nove e meia, estaremos (eu, o Miguel-Manso e o João Pacheco) no auditório a apresentar o livro Quando Escreve Descalça-se. Como já toda a gente sabe, a mim compete apenas sorrir. Ou corar.

não me amarga

o eixo maligno entre jornalistas
pretensiosos,
"profissionais" dos livros
pretensiosos,
bloggers
pretensiosos
e críticos de trazer por casa
pretensiosos.
Não.
Só me irrita.

a 13 páginas do fim

O ar era azul, apanhávamo-lo na mão. Azul.
(Marguerite Duras, em O Amante)

antigamente era cerveja

atendendo às vendas do nosso pequeno bar na noite passada, tendo a concluir que entrámos na era latte macchiato.

capricórnio

a mulher que ama a estação vai sentar-se na linha cinco e olhar as luzinhas que se dispersam em raios espessos partindo em todas as direcções. na porção de tempo que ocupa com o olhar, mais ninguém passa. há apenas um homem que aspira a estação, de um lado ao outro, e o marulhar de cada viagem, ora para um lado, ora para outro, acompanhado pela respiração pesada de um dos comboios. a mulher, terminada a última bebida, sabe que nunca conhecerá outra estação que não aquela. noutra linha encontra uma máquina de fotografias e, sem fechar a cortina, ajusta o banco à sua altura e senta-se. brinca com os botões e a máquina responde-lhe. vai ficar ali sentada a olhar para o que poderá ser o seu rosto até que um segurança a venha buscar. a estação fecha. olha uma última vez para o painel luminoso onde todos os destinos se anunciam com hora marcada. amanhã.

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

comportamento desviante

(é ter uma epifania ao receber um mail de uma pessoa chamada ana só.)

realidade, fora daqui

ontem esteve cá a Sara, mesmo quando eu saía. Não tive tempo de lhe dizer que a imaginava loura.

Manuela

aqui posso tratar-te por tu (porque aqui as regras são diferentes). e posso dizer-te que te escrevo, quase todos os dias, ou se não te escrevo, uso-te como uma razão para qualquer outra frase, porque sei que me lês. aqui não te chamas Manuela mas sim ana, como todas as outras, és a ana que não cai, que não sobra.
deixa-me explicar-te:
se escrevo neste blogue é apenas porque, quando o iniciei, julguei que ninguém o leria. e agora que tu o lês (e eu preciso que tu o leias) dei por mim a ter medo de te desagradar. estou presa a isto: não suporto que não gostem de mim.
mas, percebe, desconfio sempre que gostam.

massive attack

tenho a certeza que o tempo hoje não reparou em mim quando saí de casa.

Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

1986


quando digo alguma coisa estúpida
o meu irmão obriga-me a voltar ao exacto lugar onde a disse
e depois recomeçamos
tudo
outra vez

quem é que trata assim tão bem os clientes, hm?

Um cliente sobe as escadas e dirige-se ao balcão da cafetaria. Pede um chocolate quente mas, logo se seguida, hesita: para quem está constipado não seria melhor um chá?... a funcionária não só aprova o chá como saca de imediato do cêgripe, esticando o braço na direcção do seu interlocutor.
Três pontos para mim.

a decorrer

exposição de cerâmica da artista plástica Maria João Franco
até 13 de Fevereiro

el invierno me dejó ver caminos que el verdor del verano escondía

Cecilia Afonso Esteves é também a ilustradora de um livro muito, muito bonito chamado O Jacinto Vicente no Calcanhar do Mundo
pvp: €9,95 (inclui um cd)

Lunário (2009)

retirado daqui

de uma certa desilusão

Comento qualquer coisa com Ana, sentada à janela, o telefone quase sem bateria. Ela diz: «que giro, na Insustentável Leveza do Ser ele diz o mesmo!». Mas a partir de que momento é que eu deixei de ter ideias próprias?!

bis


INSCRIÇÃO PARA A CABANA DO EREMITA DE TSUEI
O caminho dos simples coberto de musgo vermelho
A janela na montanha abrindo para o azul
Invejo-te o vinho que bebes entre as flores
e todas essas borboletas que voam nos teus sonhos.
TSIEU KI, China, séc. VIII D.C., em O Vinho e as Rosas - Antologia de Poemas Sobre a Embriaguez, Assírio&Alvim (1995)
ilustração de Guo Xi, O Princípio da Primavera, séc. XI
pvp €24,00

vendido!

T1 com vista para o Havel
ou
Senhor Brecht
E você, já veio conhecer o andar modelo?

embaraçoso

é passar dez minutos a cantar, a dizer asneiras e a comentar a boazona das sevilhanas, completamente esquecida do cliente que estava lá em cima.

pequeno-almoço

«Nunca escrevi, julgando fazê-lo, nunca amei, julgando amar, nunca fiz nada senão esperar diante da porta fechada.»
Marguerite Duras, em O Amante, Difel (2002)

Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

O que o Sr Musil chamaria de "genial cavalo de corrida"

contrução do "bairro" - justificação


A ideia inicial era construir uma estátua equestre...mas a Caminho não tinha livros suficientes.

o bairro


que o ricardo esteve a construir

costumo dizer que sou mais velha

mas não deixo de ficar confusa quando um cliente de cerca de cinquenta anos se refere à nossa geração.

o que eu queria, vejo agora, era saber de tudo

Não cheguei a sentar-me (não queria mentir logo de manhã). Também não escrevi. Diz-me tu se é possível mentir desde já porque eu, honestamente, não sei o que dizer. Gostava de começar uma história que não fosse sobre mim, ou sobre a minha mãe, ou sobre os espaços que, embora tenham sido preenchidos, me pareçam sempre por completar. Pegava numa fotografia


como esta


e escrevia: nunca fui capaz de me situar num lugar sem me perguntar acerca do que noutro seria embrião ou derrocada. Embora fosse isto que eu escreveria, não seria exactamente isto que eu quereria dizer. Todos os fins-de-semana, a caminho da casa da praia, enquanto atravessava a ponte sobre o rio, só conseguia pensar nos automóveis que, vindos no sentido oposto e para a direcção contrária, nunca mais se cruzariam comigo. Então, cada viagem parecia-me, na altura, uma possibilidade esgotada. Quando pisasse, mais tarde, a primeira areia, iria saber que num momento anterior alguém, desconhecido ou por conhecer, perdido ou por perder, a teria pisado também. Ou quando me deitasse
(irás esquecer-te de mim quando eu morrer, perguntar-me-ia o único avô antes de apagar a luz)
ficaria de olhos abertos com medo de tudo o que nesse momento, num país onde ainda não estivesse escuro, estaria a ser pensado. Eu, ali, sem dedos para tamanha multiplicação, consciente de que tudo acontecia no mesmo exacto momento, sem qualquer relação ou possibilidade de entendimento, contabilizava o que nunca pertenceria à minha conta.
E.
Não, não era isto que eu escreveria.

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

pequeno parêntesis

enquanto o ricardo brinca aos arquitectos e cria uma verdadeira urbanização com os livros do gonçalo m. tavares lá em baixo eu fico aqui a perguntar-me até quando vai nevar no meu telhado.

e há mais

cartaz: Xavier Almeida
Sopralto Trio
esta quinta, 21h30
€3,00

mais razões para vir à Trama em vez de perder tempo com este blogue

embora a Sara já me tenha tentado explicar como é que se põe aqui uma imagem com um tamanho mais ou menos decente eu continuo sem saber como se faz (que é como quem diz: photoshop quê?!)... portanto, aconselha-se vivamente um simples click! na imagem, vá lá, não custa nada.

conselheiros literários

Miguel Figueiredo, leitor e cliente da Trama

Um bom livro para causar boa impressão - Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Um bom livro que se lê numa tarde - José Cardoso Pires, De Profundis, Valsa Lenta
Um bom livro por muito pouco dinheiro
- A morte de Ivan Ilitch de Lev Tolstoi
Um bom livro para o Inverno
- Cadernos da Casa Morta (aka Recordações da Casa dos Mortos) de Fiodor Dostoievski
Um bom livro para oferecer a alguém que não goste de ler
- A Menina do Mar de Sofia de Melo Breyner
Um bom livro para quem já leu "tudo"
- Os Problemas da Filosofia de Bertrand Russel
Um bom livro para quem nunca se impressiona
- Johnny Got His Gun de Dalton Trumbo
Um bom livro para ler pelo menos cinco vezes na vida
- O Fio da Navalha de William Somerset Maugham
Um bom livro para alguém que mal conheço
- A um Deus Desconhecido de John Steinbeck

play delicate, desire quiet

e há a voz de ana no leitor de cds, e os nomes que não se esqueceu de enunciar, era a tabuada, era matemática, não era? e de repente tornou-se quase estranho que alguém diga o meu nome.

sempre gostei mais de oferecer do que de receber: olha, comprei-te isto, é tão bonito, não é? (e depois tu rodavas a pequenina manivela e ouvias a música sem fazer a mínima ideia que o que eu queria era viver numa caixinha tão pequenina como a que tinhas nas mãos nesse momento)

ando com mais do que uma música na cabeça

ando com mais do que um nome nas mãos.

a maior parte das vezes não tenho opinião

«Escrever, agora, dir-se-ia que muitas vezes já não é nada. Por vezes sei isto: que a partir do momento em que escrever não é, todas as coisas confundidas, ir à vacuidade e ao vento, escrever não é nada.
Que a partir do momento em que escrever não é, todas as vezes, todas as coisas confundidas numa só, por essência inqualificável, escrever não passa de publicidade.»

Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

em jeito de comemoração

Sugestão para o fim de semana - parte 1


Teatro da Comuna de 7 a 11 de Janeiro 21.30h

O génio não se explica ou justifica...

mas depois de se ouvir este senhor e ler este livro é impossível voltar a pensar (ou soprar!) da mesma forma

how can you know the dancer from the dance...


Eis a bíblia do movimento para as artes performativas pelo mestre Eugenio Barba

"Biblioteca" dia 2 - Mircea Eliade


"Cada povo tem um elemento apático - sem inimigos - e homens que combatem por um centímetro de terreno.
Todos os povos têm uma parte feminina.
Nos povos clássicos, com cidades de trinta pessoas, as notícias eram colocadas em ramos de árvores, e não existindo ainda a literatura dos jornais, a notícia era concreta. Por exemplo: um homem pendurado pelo pescoço no ramo de uma árvore.
A cidade olhava para o homem enforcado e "aquilo" era a notícia do dia.
(Já leste a notícia? Vai à árvore.)
Nos bons tempos antigos, notícias eram apenas os acontecimentos que os olhos viam e os dedos podiam tocar. Tudo o resto eram mitos."

-Gonçalo M Tavares - Campo das Letras

diz lá isso outra vez

a melhor coisa que me escreveram nem sequer era para mim, comenta uma das amigas enquanto folheia o ípsilon largado na mesa cor-de-rosa. a outra limita-se a roer as unhas, de olhos fixos na janela.

entre duas facturas da sodilivros

vincent,
ando para te dizer yes, i'm lonely.

com cinco letras apenas, disse o senhor cliente

quando já o tempo não agita a tua ânsia
de voo para um desconhecido de carne e aventura
mas é sobre a pele um ácido mel
coagulando
nas rugas do amor desiludido (já sem mãos
confinado aos olhos como grito na boca pregada)
— quando a água outrora límpida e dura é sempre
doutro rio e não há torre
que possa erguer-se nesta estagnação de charco
porque os mapas que querias evitar têm caminhos
entre desertos e ruínas — quando
sobre os cabedelos onde o rio penetra o mar
te roça um amor adolescente e se perde
ignorando que nascentes de alegria
se demoram ainda em teus dedos na paciente
trama do desejo — quando uma voz de criança
traça pequenos círculos de luz no Jardim de S. Lázaro
e na sombra de folhas e veias
canta só eu
era o filho que me restava — Eugénio sentes
então a poeira tecendo no fundo de cada minuto
a vitória absurda do silêncio
— que esperança
pode esconder-se ainda no logro das palavras?
Carlo Vittorio Cattaneo, Três Solidões, tradução do italiano de «ilustres amigos» sobre uma tradução literal do Autor, Contexto, Editora, 1982

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

exercício

é impressionante a quantidade de palavras feias em que se pode pensar quando se está na companhia certa.
(as palavras feias são-no, de um modo geral, semanticamente. e isto não soa nada, nada bem)

arrefecimento global

devido às condições climatéricas a protecção civil aconselha os habitantes da cidade de Lisboa a deslocarem-se, esta noite, equipados com uma manta polar, até à livraria Trama, onde poderão aquecer-se durante algumas horas.

r.s.v.p.

quando ele saiu para o jardim
as cerejeiras,
a lavanda do mar,
as flores de ervilha,
os lírios,
os narcisos
e as margaridas brancas,
já lá não estavam.
e agora? perguntou-me. demorei cento e vinte dias para lhe responder. começa de novo.

Raymond Carver

Nem pousou as malas. Este chão compete com a queda, pensou ele, isto treme tudo. Era uma casa em vigésima mão nas paredes, e vigésimo pé no chão. Décimo coração. Em suma: no total dez pessoas tinham vivido ali.
Olhou para a mulher. Também ela competia com a queda como o chão daquela casa. Também ela tinha já mãos a mais contabilizadas no corpo. Provavelmente mais pessoas tinham habitado aquela mulher do que aquela casa.
Ela disse: esta casa treme, mas aguenta-se.
Ele não disse nada, mas interpretou aquela frase como uma declaração de amor.
Gonçalo M. Tavares, em Biblioteca (Campo das Letras, 2ªed., 2006)

Trama Sibéria

saindo na última estação da linha amarela
trazer vestuário adequado
(ou: o que me apetecia era dizer qualquer coisa muito inteligente acerca do Semear na Neve mas não me ocorre nada que não seja idiota)

Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

cliente 1 - trama 1

cliente entra e eu espreito por detrás do computador.
cliente apanha-me em flagrante a espreitar.
boa tarde, olá, boa tarde
cliente folheia livro de arquitectura.
(banda sonora: louis sclavis "dans la nuit", escolha do ricardo)
cliente mantém-se no mesmo lugar, com o mesmo livro, o que prejudica consideravelmente o desenvolvimento deste post.
muda de página, percebe que talvez não seja bem aquilo que procura, arruma o livro e abana-se ligeiramente. cliente coça o nariz e retira outro livro da estante (maldição, se eu não fosse míope poderia saber do que se trata!)
cliente vagueia pela livraria de mãos dos bolsos de ar aparentemente descontraído, detém-se junto da pirâmide e desloca-se até à literatura universal.
pausa.
percorre o infantil, passa pelo juvenil, regressa à pirâmide.
cliente está algures atrás de mim e eu não vou olhar para não dar nas vistas, desculpem. suponho que esteja na secção de história ou, eventualmente, nas biografias, embora pelo som me pareça estar mais perto. (move-se outra vez, muito ligeiramente, o que, com esta música, parece suspeito)
aguardamos com ansiedade algum desenvolvimento. mais um passo. vou arrumar uns livros para disfarçar.
aparentemente o livreiro estático não é apelativo: assim que arrumei o paulo cardoso 2009 na estante o cliente resolveu pedir-me ajuda. o livro, não havia, mas fez-se a encomenda.
de seguida sacou de um ramo de flores e pediu-me para dançar.
(pronto, de seguida foi-se só embora, estava só a tentar dinamizar a coisa.)

confesso

que estar aqui é uma forma de adiar a organização da papelada. nada do que possa escrever hoje deverá ser levado muito a sério. bem, quase nada.

ou

e, depois de tudo se concentrar em três dias, o que fazer com o resto do ano?

hm...

jovem livreira com a mania que é a não falar que a gente se entende começa a ficar preocupada por ter tão poucochinho que dizer.

o silêncio deste lado

Cada um tinha uma palavra a dizer, - Era um pouco
Cerimonioso. - A tua sombra valsava no meio
De um tango.
*
O mar era feito de azul.
Isso era certo.
*
Cada um, pensava ele, vinha com a sua própria dor.
*
As nuvens cobriam-se de pássaros. - Insistias.
A chuva voltava com uma espécie de agitação
Um pouco de luz era tudo o que restava.
*
Juntavas palavras.
Palavras que não conhecias.
Fingias acreditar que podias
Nem sempre ter razão.
*
O que queria dizer isso
Ter a vida à sua frente?
*
Também tu te parecias comigo.
E eu continuava sem saber
O que isso queria dizer.
Henry Deluy, noutros bocadinhos - Primeiras Sequências (Quetzal, 2000)

perder o medo

alguém deixou o cd da cat power a tocar

e o dia começa a andar para trás.

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

houve um tempo em que dizia boa noite

já não sei há quanto tempo não tinha uma noite assim. sozinha, aqui, vejo sempre o espaço mudar. suponho que seja da hora, da música, dos livros (já quase todos arrumados) e de tudo o que fica para amanhã.

rentrée


Projecto [10:10]: durante 10 semanas os cartazes dos concertos da Trama são feitos por um artista convidado. Este projecto, à semelhança do que tem vindo a acontecer, tem como objectivo dar a conhecer o trabalho de cada artista e, simultaneamente, divulgar as actividades da livraria. Durante estas semanas será o ilustrador Xavier Almeida a tomar conta dos cartazes.
Nota: este concerto terá entrada livre.

deslumbramento

Lourdes Castro (Assírio&Alvim)

esta brincadeira em jeito de Magnum

deixou-me confusa.

tinham mesmo que fazer isto?

Como se não tivéssemos mais nada para fazer, demos por nós a tentar atribuir livros aos 7 pecados mortais. Para quê, não sei. Só porque é giro. Ou não.
Gula
levar meio catálogo da Relógio d'Água para casa (e depois ficar a olhar para ele)
Luxúria


(ou, se por cá andasse: O Jardim do Éden, do Hemingway)
Ganância

(é absolutamente certo que não chego ao fim)
Preguiça


(o ricardo optou pelo Pavese, eu cá digo que o protagonista do Estrangeiro era um grande preguiçoso)
Vaidade


ou dizer que se leu O Mundo de Sofia com 10 anos (e não perceber porque é que os colegas da Clepsidra se começaram a rir)
Inveja
(crise de criatividade conjunta, aceitam-se sugestões)
Ira