Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
parece um passatempo

as meninas são literárias
Then why do you welcome them
If every angel's terrible
Then why do you welcome them
If every angel's terrible
Then why do you welcome them
You provide the birdbath
I provide the skin
And bathing in the moonlight
I'm to tremble like a kitten
If blue eyed babes
Raised as hitler's little brides and sons
They got angelic tendencies
Like some boys tend to act like queens
Oh if every angel's terrible
Then why do you watch her sleep
You love to hear her sing
And wear purple eyes like rings
Well the flowers have no scent
And the child's been miscarried
Oh every angel's terrible
Said freud and rilke all the same
Rimbaud never paid them no mind
But jimmi morrison had his elevators
His elevators
He had his elevator angels
If every angel's terrible
Why do you hide inside her
Like a child in a skirt
The supermarket's loud and bright
And boy don't she feel warm tonight
Boy don't she feel warm tonight
Boy don't she feel warm tonight
If every angel's terrible...
no caderno vermelho



a linha de ariadne
Começa assim:(Tens que escrever com o desembaraço de um rufia a cuspir fininho ou como um pombo que caga sobre a cabeça do transeunte).
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
"Do interior da escuta emerge espaço.Envolve o pulso arguto. Previsível
como se quase se fosse aproximando
a invisibilidade sem limites.
E, dentro dela, aquele ponto amargo
de inteligência em riste
que pugne desde o interminável lado
para onde escutarmos se dirige.
Então, o lustro imóvel da cesura
acusa o lento acréscimo
onde vai vermos recebendo a escuta
e esta iluminado acesso
à área em que se inculca
o empolgamento de expansão e verbo."
"Obra Inacabada" - Fernando Echevarría - Afrontamento
conselheiros literários
um bom livro para ler pelo menos cinco vezes na vida - As Vozes do Rio Pamano, Jaume Cabré (Tinta-da-China)
Um bom livro para quem nunca se impressiona - Leitura “entrelaçada” de O Último Leitor, de Ricardo Piglia (Teorema) e de David Toscana (Oficina do Livro, colecção Ovelha Negra)
Um bom livro para o Inverno - Morte na Pérsia, de Annemarie Schwarzenbach (Tinta-da-China) Um bom livro por muito pouco dinheiro - Qualquer título da Alma Azul, colecção Literatura Portátil
Um bom livro que se lê numa tarde - O Segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell (Dom Quixote)
Um bom livro para oferecer a alguém que não goste de ler - Efeito Borboleta, José Mário Silva (Oficina do Livro)
Um bom livro para quem já leu "tudo" - A Cartilha Maternal, de João de Deus, lido de preferência com o bibe do Jardim-Escola
Um bom livro para alguém que mal conheço - Anatomia da Errância, Bruce Chatwin (Ed. Quetzal)
miopia
olha para ela a desabafar
depois chega uma senhora com uma caixa de bolachas que trouxe para acompanhar com o café e porque talvez eu também gostasse. e gosto. e deste momento para a frente a escrita parece muito pouco importante.
mais um poeta em repeat
como fazer que a chama te incinere,
ou que não tenhas tu nunca existido,
ou fosse eu cego e surdo à tua boca.
Quando souberes que é teu este retrato
feito de cor fingida e falsa luz
irás de porta em porta declarar
que não me conheceste, ouves, ou vês;
que é tudo imaginário; que uma vez
me deste uns dedos de conversa, mas
apenas desejando ser cortês;
(...)
António Franco Alexandre, em Duende, Assírio&Alvim, 2002
sim
Eu, a citar o Nuno Brangança, que cita Mondrian no livro Directa.
E ele a responder: e dizeres que não?
Ela a dizer não, sabendo que esse não vem a ser um sim.
E a esse não (que é sempre concordância) ele vai arrancar um sim, em pleno Cais do Sodré.
Sim, a relação é a coisa principal.
e dizeres que não?
Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
quando não sei o que dizer, leio, quando não sei o que escrever, copio
embora - de perfil -
lembrasse decididamente
o descuido místico
do último Heidegger.
Bardamerda (&etc)
Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
eu ia escrever um post
Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
é entrar e chorar por mais
5ª Feira às 21h30 (€3)
Sábado às 18h00: Clube do livro (org. RESPIGARTE) dedicado a'O Castelo de Kafka
«As interpretações d'o Castelo são muitas, desde simplesmente uma crítica à burocracia estatal até uma visão religiosa, mais especificamente judaica. Há também uma visão psicológica dizendo que o castelo seria o incosciente de K. e a vila sua consciência. Este romance possui algumas similaridades com O Processo, por exemplo, os protagonistas dos dois livros são inicialmente perturbados pelo Estado por determinado motivo, mas logo percebem a burocracia e as falhas do sistema, perdendo-se nele. Contudo, enquanto n'o Processo o Estado vai de encontro a Joseph K., e impõe suas regras e suas condições sem oferecer qualquer possibilidade de diálogo; n'o Castelo, K. vai de encontro ao Estado e o resultado é o mesmo, a indiferença e, em muitos casos, o silêncio.»
E estamos cá no Sábado à noite
Márcio Rangel às 21h30 (€5)
Violonista, guitarrista e compositor, Márcio Rangel nasceu em Mossorò (BR) em 1974. Estudou no Conservatório D'alva Stella, onde se diplomou em 1998. Frequentou ainda numerosos seminários de música em Itália, onde desenvolveu uma técnica particular de execução ao violão e guitarra, com o instrumento invertido (sem inverter as cordas). Em Itália representou o Brasil em vários festivais e teatros dividindo o palco ao lado de grandes artistas italianos e internacionais como "Ort" (Orquestra Da Toscana), Yumi Tanaka (soprano), Franco Morone, Cibele, Acoustic Strawbs, Thommas Clausen, Lea Freire, Hermeto Pascoal, entre tantos outros. Soundcheck aqui.
admirável mundo novo
à medida que escurecia
ele na janela a mandar beijos à rapariga que passa
Acima, uma guitarra com um grupo. Mãe e filho brincam com o balão (a mãe olha o mundo através das lentes do balão) até que das fitas surge o interesse do filho que salta
e salta
e salta.
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
rosé
Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
cálcio
Sábado, 21 de Fevereiro de 2009
portanto, era um diário
e eu sem perceber muito bem, seguimos pela da escola politécnica, sei que mais à frente vou parar, que mais à frente vou beber um copo de tinto, e depois, mais à frente, talvez possa perceber alguma coisa - peço-lhe que espere, deixa-me anotar isso, pode ser que sirva para alguma coisa.
(até agora: nada.)]
Com 3 citações apenas se inscreve a palavra Trama 1
" E, se aparecer uma costa longínqua, não a quer ver, prefere ficar encostado aos flancos do navio até que a costa desapareça de novo, pois sabe muito bem que lá longe o não aguardam nem o amor nem o despertar de todos os laços nem a liberdade, mas sim a trama da angústia e o muro do seu objectivo.Ora quem procura o amor procura o oceano.
Talvez ainda fale da terra que está longe, para além dos mares, mas os seus pensamentos estão algures, pois crê que a viagem não tem fim, esperança da alma solitária, esperança de abrir e de acolher a alma, esta que nasce da bruma luminosa e se esvai dentro dele, o homem sem entraves, e que o reconhece naquilo que ele é, o próprio ser, para além do nascimento e da morte."
"Sonâmbulos" - Hermann Broch
( todas as citações gentilmente cedidas por Joel do Telhado)
Com 3 citações apenas se inscreve a palavra Trama 2
Um quarto decente, não um quarto de criado como em casa do cura, uma boa cama.
Huguenau coçou as coxas. Depois, procurou orientar-se.
Propriamente falando, muitas coisas o teriam levado a recomeçar a trama da vida onde ela fora interrompida, não lhe faltariam razões para cumprir os seus deveres de comerciante, e aproveitar o dinheiro que lhe caía aos pés, como intermediário na venda de manteiga e têxteis."
"Sonâmbulos"- Hermann Broch
Com 3 citações apenas se inscreve a palavra Trama 3
"...e agora que, apesar de tudo, se esboçava uma vitória sobre Bertrand, agora que Elisabeth repelira Bertrand a seu favor e que ele próprio aparentemente para dar satisfação aos seus desejos de pai, se preparava para atrair Bertrand e Ruzena, eis que a desgraça chegava.Cúmplice que atraiçoa o seu cúmplice e que seu pai acusa com razão de conspirar com Bertrand!
Não ia outra vez rasgar-se esta trama, a traição gerar contratraição?"
- "Sonâmbulos" - Hermann Broch
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
é claro que podia fazer um esforço
Dirijo-me a todos os homens que são ou foram jovens,
Conto-lhes o segredo das minhas noites e dos meus dias,
Celebro a necessidade de companheiros.
mas estaria a citar o Whitman.
ou o José Agostinho Baptista?
não sei se disse ou se ouvi
será que ao menos tem a casa arrumada?
podes crer que não.
também eu, zana
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
(o fim é qualquer coisa de muito angustiante)
Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
e assim, o poema
deixar baloiçar
um homem. Uma mulher
em que se pensa, em que o homem pensa,
até ao último momento, talvez.
Devemos então fechar os olhos
para ver como, mar calmo,
e vista clara, o barco uma vez
após outra, cada vez mais penetrante,
alcança o mesmo promontório.
Hans Faverey, em Uma Migalha na Saia do Universo - Antologia da Poesia Neerlandesa do Sáculo Vinte, Assírio&Alvim, 1996, trad. Fernando Venâncio
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
aconselha-se VIVAMENTE

Programação musical: geral@seivabruta.org
OBSCENA quase, quase a chegar
O novo número da OBSCENA, o décimo oitavo, marca o segundo aniversário da revista e chega às bancas a 23 de Fevereiro. São 100 páginas onde se incluem entrevistas a Slajov Zizek, Hans-Thies Lehmann, Paul Ardenne, Dimítris Dimitriádis e Hans-Ulrich Gumbrecht, bem como artigos de e sobre Jon Fosse, Jérôme Bel e Jacques Ranciére. Faz-se um balanço destes dois anos, do ponto de vista das políticas culturais, alerta-se para os perigos dos Ano Internacional para a Criatividade e Inovação e chama-se a atenção para os modelos de circulação das obras de arte da responsabilidade do Estado. Analisa-se o síndroma Britney Spears, dá-se conta da experiência vivida por um grupo de portugueses nos recentes conflitos na Grécia, pré-publica-se uma nova tradução de Sobre o Teatro de Marionetas, de Kleist, e reflecte-se sobre o modo como a pornografia pode ajudar a recuperar o poder orgásmico das artes performativas. Reserve já a sua cópia.Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
continuo a preferir as canções de amor
Pour a little salt we were never here
My, my, my, my, my, my, my, my
Staring at the sink of blood and crushed veneer
I tell my love to wreck it all
Cut out all the ropes and let me fall
My, my, my, my, my, my, my, my
Right in the moment this order's tall
I told you to be patient
I told you to be fine
I told you to be balanced
I told you to be kind
In the morning I'll be with you
But it will be a different "kind"
I'll be holding all the tickets
And you'll be owning all the fines
Come on skinny love what happened here
Suckle on the hope in lite brassiere
My, my, my, my, my, my, my, my
Sullen load is full; so slow on the split
I told you to be patient
I told you to be fineI told you to be balanced
I told you to be kind
Now all your love is wasted?
who the hell was I?
Now I'm breaking at the britches
And at the end of all your lines
Who will love you?
Who will fight?
Who will fall far behind?
(Bon Iver)
Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
ouvido na rua da barroca
quotidiana e gazil mussitação das uvas»
(dois meses e meio a citar miguel-manso até na via pública)
contra toda a lógica
«Descobri o que tu és para mim.»
Ela fica à espera e ele deixa-a esperar. Sai da cama e vai buscar um maço de cigarros. Dá um à Zana e acende-lho, sem tirar nenhum para ele.
Ela estende-se em cima da cama e ele, que estava nu, mete-se outra vez entre os lençóis.
«Às vezes», diz ele, «quando jogo poker tenho a intuição de guardar uma só carta e pedir quatro. Mesmo que as cinco recebidas sejam uma hipótese de sequência ou full-hand, ou isso.»
«E então?»
Ele ri-se novamente.
«Tu és essa única carta que eu guardo. Contra toda a lógica do jogo.»
Ela vira-se na cama para o olhar de frente. O decote do roupão mostra-lhe o seio direito, porque Zana está inteiramente nua debaixo do roupão. Nos olhos dela acontece o mesmo milagre que da outra vez: vê-los é como se alguém, espreitando do alto da torre de saltos de uma piscina, descobre de repente e estupefacto que esta não tem água no seu fundo. Quem se atirar de cabeça descerá como um raio até ao centro da Terra.
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
senhor tradutor
quinta-feira à noite
desço tarde a rua da rosa. às vezes como um bolo, às vezes não. e em cada passo, aquilo outra vez: uma trama que cresce. e saio a dizer, até amanhã, e saio a sorrir, dorme bem, e saio atrapalhada, gosto de ti, saio, apaziguada, és tudo o que eu sempre quis.
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
confissão
Mas.
A máquina não tinha pilhas.
E.
Eu fiquei com fome.
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
gostar de pontos de exclamação
Nikolai Gógol, em Noites na Granja ao Pé de Dikanka, Assírio&Alvim, 2004
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
é só na quinta

Programação musical: geral@seivabruta.org
os packs do amor (by sodilivros)
ou
Telefona se Precisares de Mim, Raymond Carver + Querido Corto Maltese, Susana Fortes + Um Pedaço do Meu Coração, Richard Ford = € 10,00
etc.
(também há uns a €2, €3 e €5)
o estranho caso do soalho flutuante
Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
um flamingo salta para a piscina e a cortina de seda ondula no interior da sala

Penso que nunca vi o teu rosto
Num dia de chuva, quando as sombrias artérias do céu
Pulsam junto às árvores, e no teu coração
A água corre. Nunca te vi chorar
Com o monólogo da noite, com a tua mente resistindo ao silêncio.
Chegará o dia em que as linhas do céu
Se desprenderão das torres
E em que tu, que tremes pela noite
Partirás para os lugares sombrios ao lado de um desconhecido.
sinto-me uma personagem
começo a temer que eles não voltem, agora que ela ficou desempregada
do desastre como necessidade
english breakfast
ainda sobre os monos
hoje
é um nome
Nem mesmo amanheceu
nem o sol
a evoca
Uma palavra
palavra só
a ergue
Com um nome
amanhece
clareia
Não do sol
mas de quem
a nomeia
e recomeçamos
aos bocados,
com intervalos
e mil distracções.
ainda assim, não quero menos que isso. Tudo.
com cinco musicais letrinhas
que você não se despeça
nunca mais do meu carinho
E volte, se arrependa e pense muito
que é melhor se sofrer junto
que viver feliz sozinho
Tomara que a tristeza te convença
que a saudade não compensa
e que a ausência não dá pé
Que o verdadeiro amor de quem se ama
tece a mesma antiga trama
e não se desfaz
Que a coisa mais bonita
desse mundo
é viver cada segundo como nunca mais.
Vinicius de Moraes - Tomara
(e veio com a música a acompanhar)
Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
St. Matthews Street
esquerda-direita, esquerda-direita, esquerda-direita.
Foi nesta ginástica indecisa, dança de cruza-pernas, que se lembrou do que lera (ou pelo menos do que sabia escrito): Por cada palavra que escrevo um flamingo parte a perna de apoio na lama da savana. Vinte e duas fracturas expostas cor-de-rosa.
Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
como ficar deprimido em dez minutos
cabeça de burro (2005)
Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
os tais monos em stock
Novas Cosmicómicas €7,50
Sobre o Conto de Fadas €7,50
A Nuvem de Smog e A Formiga Argentina €5,00
Se numa Noite de Inverno um Viajante €10,00
Ponto Final - Escritos sobre Literatura e Sociedade e 7,50
O Barão Trepador €7,50
Um Eremita em Paris €5,00
Fábulas e Contos Vol.1, 2 e 3 €15,00/cada
Porquê Ler os Clássicos €7,50



























