«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

seja bem vindo à Trama!

parece um passatempo


Foi mesmo sem querer: abri-o e desmontou-se. Então, decidi ficar com ele. Que remédio. Quem estraga paga, foi o que me ensinaram. E depois pensei: mesmo assim, desmontado, podia oferecê-lo. Quem quiser ficar com ele só tem que dizer qual é. Só. Ah, a capa é da Ilda David.

as meninas são literárias

só consegui que o ricardo gostasse delas depois de as ouvirmos cantar:
If every angel's terrible
Then why do you welcome them
If every angel's terrible
Then why do you welcome them
If every angel's terrible
Then why do you welcome them
You provide the birdbath
I provide the skin
And bathing in the moonlight
I'm to tremble like a kitten
If blue eyed babes
Raised as hitler's little brides and sons
They got angelic tendencies
Like some boys tend to act like queens
Oh if every angel's terrible
Then why do you watch her sleep
You love to hear her sing
And wear purple eyes like rings
Well the flowers have no scent
And the child's been miscarried
Oh every angel's terrible
Said freud and rilke all the same
Rimbaud never paid them no mind
But jimmi morrison had his elevators
His elevators
He had his elevator angels
If every angel's terrible
Why do you hide inside her
Like a child in a skirt
The supermarket's loud and bright
And boy don't she feel warm tonight
Boy don't she feel warm tonight
Boy don't she feel warm tonight
If every angel's terrible...
Cocorosie, Terrible Angels, La Maison de Mon Rêve (2004)

um passo sério

A Trama vai casar com o Absurdo.

no caderno vermelho



Isotta Dardilli, responsável por todas as ilustrações da revista Entre o Vivo e Não-Vivo e o Morto (nº2)

coisas que se encontram por aqui




revista ópio vol. 2.1 2000/2001
(foto da capa - Maria Lusitano Santos / texto - Gonçalo M. Tavares / foto - Didier Fiuza Faustino)

a menina falou em saldos?

os dois da direita €5


os dois da esquerda €7,5

a linha de ariadne

Começa assim:
Tens direito a escrever o que ninguém diz. O que ninguém diz por ti porque só tu é que sabes - pensas que sabes. E tens que escrever o que já está mais que dito - mas tu não sabes onde nem como.
(Tens que escrever com o desembaraço de um rufia a cuspir fininho ou como um pombo que caga sobre a cabeça do transeunte).
*
Tens direito a fazer todas as perguntas e tens direito a escrever sem te perguntares porquê.
*
Tens direito a meter na boca alguns porquês e a saboreá-los e a digeri-los. Expelir um porquê é sempre melhor do que ter uma resposta.
*
Tens direito a todos os direitos, coisa que mais cedo ou mais tarde acaba por te cair em cima e atrapalhar a vida toda.
O Toureiro de Deus é um livro de Rui Caeiro de 1998

eu dava-te, mas tu não mereces #1

seja bem vindo à Trama!

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

lá vem a conversa dos saldos outra vez

Um bom livro para o Inverno - Se numa Noite de Inverno um Viajante, Italo Calvino, Teorema
€10,00
Um bom livro para quem já leu "tudo" - Ravelstein, Saul Bellow, Teorema
€5,00
Ontem o Zé Maria levou a a biografia do Coltrane, e para celebrar...
"Do interior da escuta emerge espaço.
Envolve o pulso arguto. Previsível
como se quase se fosse aproximando
a invisibilidade sem limites.
E, dentro dela, aquele ponto amargo
de inteligência em riste
que pugne desde o interminável lado
para onde escutarmos se dirige.

Então, o lustro imóvel da cesura
acusa o lento acréscimo
onde vai vermos recebendo a escuta
e esta iluminado acesso
à área em que se inculca
o empolgamento de expansão e verbo."

"Obra Inacabada" - Fernando Echevarría - Afrontamento

conselheiros literários

Jorge Fallorca, tradutor

um bom livro para ler pelo menos cinco vezes na vida - As Vozes do Rio Pamano, Jaume Cabré (Tinta-da-China)
Um bom livro para quem nunca se impressiona - Leitura “entrelaçada” de O Último Leitor, de Ricardo Piglia (Teorema) e de David Toscana (Oficina do Livro, colecção Ovelha Negra)
Um bom livro para o Inverno - Morte na Pérsia, de Annemarie Schwarzenbach (Tinta-da-China)
Um bom livro por muito pouco dinheiro
- Qualquer título da Alma Azul, colecção Literatura Portátil
Um bom livro que se lê numa tarde
- O Segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell (Dom Quixote)
Um bom livro para oferecer a alguém que não goste de ler
- Efeito Borboleta, José Mário Silva (Oficina do Livro)
Um bom livro para quem já leu "tudo"
- A Cartilha Maternal, de João de Deus, lido de preferência com o bibe do Jardim-Escola
Um bom livro para alguém que mal conheço
- Anatomia da Errância, Bruce Chatwin (Ed. Quetzal)

miopia

a passagem desta menina por aqui, ontem à tarde, deixou a minha auto-estima num ponto estável com duração aproximada de uma semana.

olha para ela a desabafar

nunca tive tanta vontade de escrever como na última semana. não sei porquê, é uma sensação quase idiota. gosto de escrever neste blogue porque me tranquiliza. o resto é uma confusão de cenas-ideias, gestos-palavras.
depois chega uma senhora com uma caixa de bolachas que trouxe para acompanhar com o café e porque talvez eu também gostasse. e gosto. e deste momento para a frente a escrita parece muito pouco importante.

mais um poeta em repeat

Hoje tudo me dói, de não saber
como fazer que a chama te incinere,
ou que não tenhas tu nunca existido,
ou fosse eu cego e surdo à tua boca.
Quando souberes que é teu este retrato
feito de cor fingida e falsa luz
irás de porta em porta declarar
que não me conheceste, ouves, ou vês;
que é tudo imaginário; que uma vez
me deste uns dedos de conversa, mas
apenas desejando ser cortês;
(...)
António Franco Alexandre, em Duende, Assírio&Alvim, 2002

sim

«Tudo se estrutura por relação e reciprocidade. A cor não existe senão por via doutra cor, a dimensão é definida pela outra dimensão. É por isso que eu afirmo: a relação é a coisa principal.»
Eu, a citar o Nuno Brangança, que cita Mondrian no livro Directa.
Ela a dizer sim.
E ele a responder: e dizeres que não?
Ela a dizer não, sabendo que esse não vem a ser um sim.
E a esse não (que é sempre concordância) ele vai arrancar um sim, em pleno Cais do Sodré.
Sim, a relação é a coisa principal.
e dizeres que não?

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

dos saldos, ainda






(Todos a €3,00 excepto o médico inverosímil e henry e gato que custam €5,00.)

quando não sei o que dizer, leio, quando não sei o que escrever, copio

Tinha um cu admirável,
embora - de perfil -
lembrasse decididamente
o descuido místico
do último Heidegger.
Bardamerda
(&etc)

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

eu ia escrever um post

mas o ricardo resolveu instalar-se aqui ao meu lado e não mais se calou. sou uma blogger em sofrimento.

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

é entrar e chorar por mais

Venha conhecer o novo número da OBSCENA
Quarta-feira, 25 de Fevereiro, às 19h, descubra os temas que compõem a edição que marca o segundo aniversário da OBSCENA - revista de artes performativas. À roda de um copo de vinho, aproveite para conhecer a intervenção que preparámos para as paredes e mobiliário da livraria, converse com alguns dos autores deste novo número e conheça melhor os dossiers desta edição especial, já à venda por apenas 4,20€. Na compra de um exemplar da OBSCENA oferecemos-lhe um cd-rom com todas as edições já feitas.
5ª Feira às 21h30
(€3)
A composição do grupo instrumental Raspa de Tacho reflecte a realidade da presença do Brasil em Portugal. O grupo é composto por músicos brasileiros que vivem e tocam por estas bandas há já longos anos e também músicos portugueses com grande paixão pelos sons do Brasil. Esta formação tem o essencial para soar como um “regional”, que é o nome dado às bandas que tocam chôro no Brasil. Chôro e não só: como é natural, o samba, o baião, a bossa-nova e outras cores do riquíssimo arco-íris musical brasileiro são convidados para a festa. Os clássicos estão presentes, mas também não faltam os temas originais compostos por membros do grupo. Para uma amostra basta clicar na imagem abaixo.

Sábado às 18h00: Clube do livro (org. RESPIGARTE) dedicado a'O Castelo de Kafka


«As interpretações d'o Castelo são muitas, desde simplesmente uma crítica à burocracia estatal até uma visão religiosa, mais especificamente judaica. Há também uma visão psicológica dizendo que o castelo seria o incosciente de K. e a vila sua consciência. Este romance possui algumas similaridades com O Processo, por exemplo, os protagonistas dos dois livros são inicialmente perturbados pelo Estado por determinado motivo, mas logo percebem a burocracia e as falhas do sistema, perdendo-se nele. Contudo, enquanto n'o Processo o Estado vai de encontro a Joseph K., e impõe suas regras e suas condições sem oferecer qualquer possibilidade de diálogo; n'o Castelo, K. vai de encontro ao Estado e o resultado é o mesmo, a indiferença e, em muitos casos, o silêncio.»

E estamos cá no Sábado à noite

Márcio Rangel às 21h30 (€5)

Violonista, guitarrista e compositor, Márcio Rangel nasceu em Mossorò (BR) em 1974. Estudou no Conservatório D'alva Stella, onde se diplomou em 1998. Frequentou ainda numerosos seminários de música em Itália, onde desenvolveu uma técnica particular de execução ao violão e guitarra, com o instrumento invertido (sem inverter as cordas). Em Itália representou o Brasil em vários festivais e teatros dividindo o palco ao lado de grandes artistas italianos e internacionais como "Ort" (Orquestra Da Toscana), Yumi Tanaka (soprano), Franco Morone, Cibele, Acoustic Strawbs, Thommas Clausen, Lea Freire, Hermeto Pascoal, entre tantos outros. Soundcheck aqui.

admirável mundo novo

Ontem ofereceram-me um calhamaço de 735 páginas intitulado Receitas Fáceis Para Toda a Família. Se não me virem por aqui é porque ando de volta de alguma couve roxa «flamande» ou de um faisão assado.

à medida que escurecia

(A minha mãe pedia-me que não lhe tocasse enquanto escrevia. Não suportava o toque, a presença, o amor. Escrevia como num intervalo.)

ele na janela a mandar beijos à rapariga que passa

As coisas são assim, Ana: eles sobem as escadas e encontram o largo, umas ruas abaixo de casa. No centro, três árvores. Dos ramos fitas coloridas, no chão um balão vermelho escuro. E o texto, despontuado, a surgir de repente num soluço.
Acima, uma guitarra com um grupo. Mãe e filho brincam com o balão (a mãe olha o mundo através das lentes do balão) até que das fitas surge o interesse do filho que salta
e salta
e salta
e salta.
Aproxima-se o bêbedo do fato azul, baixa a fita a que o filho não chegava
(embora saltasse tanto).
E a mãe ao fundo, junto ao chão, a apaixonar-se pelo filho, pelo largo, pelo bêbedo, pela luz. Sobretudo pela luz.

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

rosé

costuma dizer o fallorca coisas que não sei aqui colar - falar de mim é falar do fucsia e da máquina do multibanco que costuma estar estacionada mesmo à frente da minha mão direita.
hoje, e se tudo correr bem, fucsia são as meias, altos os saltos, e vamos para a rua.
a livreira bem pensa mas pouco anda. as ideias andam assim, como ela, quero dizer, como os saltos: momentos raros e preciosos.

(variação final)

diz que.
mas.
não.

diz que há

mas não. havia.
(miguel-manso, o esgotado)

diz que havia

mas não há.
(miguel-manso, esgotado)

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

cálcio

ontem, num sopro de coragem, acabei a noite e o riso. a sensação foi esta: nada. fechei o livro e pensei: pronto, já está. não consegui ler mais nada até agora. mas já tenho um plano: obra completa, portanto, já a seguir: directa.
Depois talvez me atire ao Vida Modo de Usar do Perec, que me tem andado a piscar o olho.
No entanto, neste Domingo que se planeia de praia e bola na areia, talvez faça um intervalo com Um Bom Homem é Difícil de Encontrar, da Flannery O'Connor, livro com aquele título tentador que pelo Natal veio viver cá para casa.
(começa a ser estranho que os domingos não me queiram a morrer)

Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

portanto, era um diário

[então ana vai ao meu lado a falar sobre a falta de vontade de falar, eu a ouvir a vontade que ela não tem, a pensar na que a mim também vai faltando, e surge-lhe a frase, gritada em itálico: tempo, logo existo! percebes?
e eu sem perceber muito bem, seguimos pela da escola politécnica, sei que mais à frente vou parar, que mais à frente vou beber um copo de tinto, e depois, mais à frente, talvez possa perceber alguma coisa - peço-lhe que espere, deixa-me anotar isso, pode ser que sirva para alguma coisa.
(até agora: nada.)]

Com 3 citações apenas se inscreve a palavra Trama 1

" E, se aparecer uma costa longínqua, não a quer ver, prefere ficar encostado aos flancos do navio até que a costa desapareça de novo, pois sabe muito bem que lá longe o não aguardam nem o amor nem o despertar de todos os laços nem a liberdade, mas sim a trama da angústia e o muro do seu objectivo.
Ora quem procura o amor procura o oceano.
Talvez ainda fale da terra que está longe, para além dos mares, mas os seus pensamentos estão algures, pois crê que a viagem não tem fim, esperança da alma solitária, esperança de abrir e de acolher a alma, esta que nasce da bruma luminosa e se esvai dentro dele, o homem sem entraves, e que o reconhece naquilo que ele é, o próprio ser, para além do nascimento e da morte."

"Sonâmbulos" - Hermann Broch

( todas as citações gentilmente cedidas por Joel do Telhado)

Com 3 citações apenas se inscreve a palavra Trama 2

" Huguenau acordou cedo. É um homem activo.
Um quarto decente, não um quarto de criado como em casa do cura, uma boa cama.
Huguenau coçou as coxas. Depois, procurou orientar-se.
Propriamente falando, muitas coisas o teriam levado a recomeçar a trama da vida onde ela fora interrompida, não lhe faltariam razões para cumprir os seus deveres de comerciante, e aproveitar o dinheiro que lhe caía aos pés, como intermediário na venda de manteiga e têxteis."

"Sonâmbulos"- Hermann Broch

Com 3 citações apenas se inscreve a palavra Trama 3

"...e agora que, apesar de tudo, se esboçava uma vitória sobre Bertrand, agora que Elisabeth repelira Bertrand a seu favor e que ele próprio aparentemente para dar satisfação aos seus desejos de pai, se preparava para atrair Bertrand e Ruzena, eis que a desgraça chegava.
Cúmplice que atraiçoa o seu cúmplice e que seu pai acusa com razão de conspirar com Bertrand!
Não ia outra vez rasgar-se esta trama, a traição gerar contratraição?"

- "Sonâmbulos" - Hermann Broch

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

é claro que podia fazer um esforço

e dizer assim:
Dirijo-me a todos os homens que são ou foram jovens,
Conto-lhes o segredo das minhas noites e dos meus dias,
Celebro a necessidade de companheiros.
mas estaria a citar o Whitman.
ou o José Agostinho Baptista?

não sei se disse ou se ouvi

a Catarina da Trama anda a escrever menos, consta que não tem nada para dizer.
será que ao menos tem a casa arrumada?
podes crer que não.

também eu, zana

No fundo, eu tinha passado o dia a tentar escrever coisas diferentes daquilo que sentia, e o que eu sentia todo o dia está em borrão nesses versos.
(a noite e o riso)

12 cartões

www.serrote.com

Esta noite todos os caminhos vão dar à Trama


Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

(o fim é qualquer coisa de muito angustiante)

estou a dezoito páginas do fim d'a noite e o riso e não consigo ler mais que um parágrafo de cada vez.
(fecho o livro e começo à procura das coisas para fazer.)
tenho a sensação que podia ler isto durante toda a vida. que este podia ser o livro de sempre. dou por mim a pensar que terei, mais cedo ou mais tarde, que aceitar a morte daquilo e, com isso, a minha morte naquilo. porque tenho-o vivido e vivido através dele. quando leio zana, vejo zana e sou zana. com o virar da última página também eu terei que partir para outro lugar.
e isto parece-me tão definitivo.

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

banda sonora para as horas extraordinárias

e na sexta

(um cartaz do Xavier Almeida)

e assim, o poema

O BARCO EM QUE SE DEVE
deixar baloiçar
um homem. Uma mulher
em que se pensa, em que o homem pensa,
até ao último momento, talvez.
Devemos então fechar os olhos
para ver como, mar calmo,
e vista clara, o barco uma vez
após outra, cada vez mais penetrante,
alcança o mesmo promontório.
Hans Faverey, em Uma Migalha na Saia do Universo - Antologia da Poesia Neerlandesa do Sáculo Vinte, Assírio&Alvim, 1996, trad. Fernando Venâncio

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

aconselha-se VIVAMENTE


Projecto [10:10]: durante 10 semanas os cartazes dos concertos da Trama são feitos por um artista convidado. Este projecto, à semelhança do que tem vindo a acontecer, tem como objectivo dar a conhecer o trabalho de cada artista e, simultaneamente, divulgar as actividades da livraria. Hoje, para terminar, foi o ilustrador Xavier Almeida a tomar conta do cartaz.
Programação musical:
geral@seivabruta.org
Coordenação Artes Visuais: sarafranco005@gmail.com

OBSCENA quase, quase a chegar

O novo número da OBSCENA, o décimo oitavo, marca o segundo aniversário da revista e chega às bancas a 23 de Fevereiro. São 100 páginas onde se incluem entrevistas a Slajov Zizek, Hans-Thies Lehmann, Paul Ardenne, Dimítris Dimitriádis e Hans-Ulrich Gumbrecht, bem como artigos de e sobre Jon Fosse, Jérôme Bel e Jacques Ranciére. Faz-se um balanço destes dois anos, do ponto de vista das políticas culturais, alerta-se para os perigos dos Ano Internacional para a Criatividade e Inovação e chama-se a atenção para os modelos de circulação das obras de arte da responsabilidade do Estado. Analisa-se o síndroma Britney Spears, dá-se conta da experiência vivida por um grupo de portugueses nos recentes conflitos na Grécia, pré-publica-se uma nova tradução de Sobre o Teatro de Marionetas, de Kleist, e reflecte-se sobre o modo como a pornografia pode ajudar a recuperar o poder orgásmico das artes performativas. Reserve já a sua cópia.
Com a compra de um livro na Trama, a OBSCENA oferece um cd-rom com todos os números editados em formato pdf.

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

continuo a preferir as canções de amor

Come on skinny love just last the year
Pour a little salt we were never here
My, my, my, my, my, my, my, my
Staring at the sink of blood and crushed veneer
I tell my love to wreck it all
Cut out all the ropes and let me fall
My, my, my, my, my, my, my, my
Right in the moment this order's tall
I told you to be patient
I told you to be fine
I told you to be balanced
I told you to be kind
In the morning I'll be with you
But it will be a different "kind"
I'll be holding all the tickets
And you'll be owning all the fines
Come on skinny love what happened here
Suckle on the hope in lite brassiere
My, my, my, my, my, my, my, my
Sullen load is full; so slow on the split
I told you to be patient
I told you to be fineI told you to be balanced
I told you to be kind
Now all your love is wasted?
who the hell was I?
Now I'm breaking at the britches
And at the end of all your lines
Who will love you?
Who will fight?
Who will fall far behind?
(Bon Iver)

Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

ouvido na rua da barroca

«desde há muito que os amantes recebem a
quotidiana e gazil mussitação das uvas»
(dois meses e meio a citar miguel-manso até na via pública)

Desenhar com luz

exposição de fotografia
Minerva de Carvalho

contra toda a lógica

«De que é que estás a rir?»
«Descobri o que tu és para mim.»
Ela fica à espera e ele deixa-a esperar. Sai da cama e vai buscar um maço de cigarros. Dá um à Zana e acende-lho, sem tirar nenhum para ele.
Ela estende-se em cima da cama e ele, que estava nu, mete-se outra vez entre os lençóis.
«Às vezes», diz ele, «quando jogo poker tenho a intuição de guardar uma só carta e pedir quatro. Mesmo que as cinco recebidas sejam uma hipótese de sequência ou full-hand, ou isso.»
«E então?»
Ele ri-se novamente.
«Tu és essa única carta que eu guardo. Contra toda a lógica do jogo.»
Ela vira-se na cama para o olhar de frente. O decote do roupão mostra-lhe o seio direito, porque Zana está inteiramente nua debaixo do roupão. Nos olhos dela acontece o mesmo milagre que da outra vez: vê-los é como se alguém, espreitando do alto da torre de saltos de uma piscina, descobre de repente e estupefacto que esta não tem água no seu fundo. Quem se atirar de cabeça descerá como um raio até ao centro da Terra.
Nuno Bragança em A Noite e o Riso, Dom Quixote, 1995

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

senhor tradutor

prometo que daqui para a frente indicarei sempre de quem são as traduções que uso para impressionar os leitores deste blogue.

uma manhã tão pesada

e eu a ser-lhe tão leve.

quinta-feira à noite

gosto de ficar no bar porque: o som de uma carica que levanta. estou ali escondida, embora à vista de todos. não digo grande coisa porque: um café a sair. depois as luzes baixam e alguém começa a tocar. novamente: abre-se uma garrafa. depois olho para as pessoas, e. tudo desfocado. em mim, uma espécie de rei leão, a livraria, toda uma savana. e depois dá-me aquilo: uma onda que vai do estômago até aqui. e percebo que me apaixonei, assim, quase brutalmente, por um lugar ou, antes, por um movimento, entra e sai de gente nova, sobe e desce de rosto familiar.
desço tarde a rua da rosa. às vezes como um bolo, às vezes não. e em cada passo, aquilo outra vez: uma trama que cresce. e saio a dizer, até amanhã, e saio a sorrir, dorme bem, e saio atrapalhada, gosto de ti, saio, apaziguada, és tudo o que eu sempre quis.

decidi subir a parada

E pedi a Merzbau em casamento.
Ela disse que não.

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

confissão

O cliente do apelido com os tons do Douro deixou-nos duas tangerinas numa destas manhãs. Eram tão bonitas que lhe prometi que ia tirar-lhes uma fotografia e deixá-las aqui.
Mas.
A máquina não tinha pilhas.
E.
Eu fiquei com fome.

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

gostar de pontos de exclamação

Prefácio
«Irra, coisa esquisita: "Noites na Granja ao Pé de Dikanka"! Que "Noites" são estas? Vejam só o que deitou ao mundo um abelheiro qualquer! Deus omnipotente! Como se fossem poucos os gansos depenados em prol da escrita e os trapos desbaratados para o fabrico de papel! Como se fosse pouca a gente de todas as classes e escumalhas a sujar os dedos de tinta! Agora também o abelheiro se lembrou de entrar na onda! Francamente, o papel impresso prolifera de tal modo que já não sabemos o que mais embrulhar com ele.» (...)
Nikolai Gógol, em Noites na Granja ao Pé de Dikanka, Assírio&Alvim, 2004

the dears

- Ana... Ana. Estás a dormir?
- Claro que não.

ela não escreveu

mas a cozinha ficou um brinquinho.

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

é só na quinta



Projecto [10:10]: durante 10 semanas os cartazes dos concertos da Trama são feitos por um artista convidado. Este projecto, à semelhança do que tem vindo a acontecer, tem como objectivo dar a conhecer o trabalho de cada artista e, simultaneamente, divulgar as actividades da livraria. Hoje, e por mais uma semana, será o ilustrador Xavier Almeida a tomar conta dos cartazes.
Programação musical:
geral@seivabruta.org
Coordenação Artes Visuais: sarafranco005@gmail.com

os packs do amor (by sodilivros)

Como Ser Bom, Nick Hornby + Boda À Beira-Mar, Abdelkader Benali + O Cão Amarelo, Martin Amis = €7,50
ou
Telefona se Precisares de Mim, Raymond Carver + Querido Corto Maltese, Susana Fortes + Um Pedaço do Meu Coração, Richard Ford = € 10,00
etc.
(também há uns a €2, €3 e €5)

um ano a sugerir presentes para mim própria






Um Segredo do Bosque, de Javier Sobrino & Elena Odriozola (OQO)

o estranho caso do soalho flutuante

o melhor vendedor do mundo (a.k.a. David da Relógio d'Água) parece ter compreendido a essência da coisa - isto de termos um chão a pender para o trampolim é um dos pormenores que nos tornam... especiais?

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

atrama.blogspot.com

não há boneco para que eu goste mais de falar do que este.

um flamingo salta para a piscina e a cortina de seda ondula no interior da sala



Penso que nunca vi o teu rosto
Num dia de chuva, quando as sombrias artérias do céu
Pulsam junto às árvores, e no teu coração
A água corre. Nunca te vi chorar
Com o monólogo da noite, com a tua mente resistindo ao silêncio.
Chegará o dia em que as linhas do céu
Se desprenderão das torres
E em que tu, que tremes pela noite
Partirás para os lugares sombrios ao lado de um desconhecido.
1935
Paul Bowles, em Poemas, Assírio&Alvim, 2008

sinto-me uma personagem

quando o meu filho me chama do quarto e me diz, de olhos muito abertos: ó mãe, eu sou o menino jesus.

começo a temer que eles não voltem, agora que ela ficou desempregada

às vezes ele chegava muito cedo. tão cedo como por exemplo: seis horas antes de ela chegar. sentava-se num sofá, bebia um café, pedia dois pacotes de açúcar, agarrava num Tolkien. mudava de sofá, adormecia. ia almoçar, voltava. mais café. um dia disse-me a idade mas já não tenho a certeza: dezanove? vinte? ela era mais velha, isso é certo.
até que, se a via entrar, escondia-se e lançava-me um ssssccccchhhhh. ela subia, degrau a degrau, sorria.
cena seguinte: susto, abraço, sequência de -inhos aplicados a qualquer substantivo.
o tempo todo, se não ocupados no boca-a-boca, café e açúcar a dobrar, nicotina zero.
para ser franca, já contava com um filho feito ali, parto assistido pelos livreiros, criança lançada ao mundo à sombra de M: miller, mishima, murdoch. e as visitas, ao sábado, o descendente a que se chamaria Calvino, o café preferido do papá, os risinhos, o açúcar, e ele sempre sssschhhh.

do desastre como necessidade

às vezes pergunto-me se, acaso certas vidas não fossem um desastre, quantos livros não se teriam perdido.

english breakfast

um dia ana sentou-se e desenhou todos os telhados da cidade. traçou contornos pouco rigorosos, o rio ao fundo, como uma cortina. no carvão, o texto.
esse foi o dia em que desejou do mundo uma arquitectura sem poesia.
há, neste cenário, um homem. e dele poder-se-ia dizer: todo olhos e mãos. um belo casaco preto. talvez um chapéu, se acaso algum destes atributos pudesse distinguir de um, outro homem. fez-se deste a noite e depois outras lhe seguiram.
que não seja um poeta, borracha na mão, que não seja, apaga um telhado, que não, já desaparece o rio, que.

ainda sobre os monos

Esta manhã
hoje
é um nome
Nem mesmo amanheceu
nem o sol
a evoca
Uma palavra
palavra só
a ergue
Com um nome
amanhece
clareia
Não do sol
mas de quem
a nomeia
Fiama Hasse Pais Brandão, em F de Fiama (Teorema,1986) €3,00

e recomeçamos

gosto muito de segundas-feiras. gosto de sair de casa cheia de planos, de chegar à livraria e começar as tarefas pequeninas (arrumar um papel, ver se temos chávenas suficientes para a manhã, regar o jacinto). gosto de me aperceber que nunca vou ter tempo para fazer tudo o que era preciso e que, entre os livros e as ideias que me ocorrem, a escolha é fazer tudo
aos bocados,
com intervalos
e mil distracções.
ainda assim, não quero menos que isso. Tudo.

com cinco musicais letrinhas

Tomara que você volte depressa
que você não se despeça
nunca mais do meu carinho
E volte, se arrependa e pense muito
que é melhor se sofrer junto
que viver feliz sozinho
Tomara que a tristeza te convença
que a saudade não compensa
e que a ausência não dá pé
Que o verdadeiro amor de quem se ama
tece a mesma antiga trama
e não se desfaz
Que a coisa mais bonita
desse mundo
é viver cada segundo como nunca mais.
Vinicius de Moraes - Tomara
(e veio com a música a acompanhar)

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

St. Matthews Street

Passara por lá uma única vez, ao fundo a banda sonora: this I know she doesn't love you like I do. Cansado, o flamingo, já não sabia onde pousar a pata esquerda, nem mesmo a direita, e, nesta indecisão, ia saltitando em noventa graus,
esquerda-direita, esquerda-direita, esquerda-direita.
Foi nesta ginástica indecisa, dança de cruza-pernas, que se lembrou do que lera (ou pelo menos do que sabia escrito): Por cada palavra que escrevo um flamingo parte a perna de apoio na lama da savana. Vinte e duas fracturas expostas cor-de-rosa.
*
Está triste, o mais cor de rosa dos flamingos de St. Matthews Street. Ouviu palavras a mais.

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

como ficar deprimido em dez minutos

basta ter a sorte de, por mero acaso, agarrar num livrinho chamado A Traição do Eu (Arno Gruen, Assírio&Alvim, 1996)
ou: de como um livro sobre autonomia saltitou de mão em mão na passada quinta-feira, arruinando humores, desfazendo lares, mudando vidas.

aqueles da trama são muito invejosos

passou por cá um senhor com um daqueles sacos mostarda "daquela-livraria-que-nós-sabemos" e mostrou-me o que acabara de comprar, dizendo: vocês não tinham...
Ah não? Ah não?

também se vende disto por cá


Tiago Sousa

Noiserv

Frango

b fachada

cabeça de burro (2005)

não consigo pensar em nada mais constrangedor do que o meu nome associado a trama em plena rua da barroca, demasiado tarde, demasiado tarde.
(ah...)

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

chegaram



os filmes da Midas

os tais monos em stock

Italo Calvino
Novas Cosmicómicas €7,50
Sobre o Conto de Fadas €7,50
A Nuvem de Smog e A Formiga Argentina €5,00
Se numa Noite de Inverno um Viajante €10,00
Ponto Final - Escritos sobre Literatura e Sociedade e 7,50
O Barão Trepador €7,50
Um Eremita em Paris €5,00
Fábulas e Contos Vol.1, 2 e 3 €15,00/cada
Porquê Ler os Clássicos €7,50

está a crescer

aqui quando era ainda pequenino