«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Programação Maio

2ª feira, 4 de Maio, 19h00 (entrada livre)
Sax Symbol - Inauguração da exposição do artista plástico Carlos Carvalho. Desenho, fotografia e objectos. Na livraria até 30 de Maio.
3ª feira, 5 de Maio, 19h00 (entrada livre)

Encontros OBSCENA - apresentação do novo número da revista
5ª feira, 7 de Maio, 21h30 (€3,00)

Duonde
Sábado, 9 de Maio, 18h00 (entrada livre)

Clube do Livro (org. Respigarte) - Mistério de Valis, de Philip K. Dick
5ª feira, 14 de Maio, 21h30 (€3,00)

Minta
6ª feira, 15 de Maio, 19h00 (entrada livre)

Gonçalo M. Tavares - As Cidades Invisíveis e o Sr Swedenborg (conversa)
5ª feira, 21 de Maio, 21h30 (€3,00)

Pedro Esteves
6ª feira, 22 de Maio, das 21h30 às 04h00 (entrada livre)

Cinema na Trama: Rir de formas diferentes
O MEU TIO, de Jacques Tati (1958)
BIANCA, de Nanni Moretti (1984)
ESTÁS-TE A SAFAR?, de Takeshi Kitano (1995)
5ª feira, 28 de Maio, 21h30 (entrada livre)

Saxion
6ª feira, 29 de Maio, 21h30 (€3,00)

Histórias de um Vinyl - DJ Yoke&Beware Jack
Atelier de Escrita Criativa sempre à Quarta-Feira das 19h00 às 22h00 - dias 13, 20 e 27 de Maio (inscrições abertas até 8 de Maio)

enquanto Blanchot

escreve sobre «The Writing of the Disaster» eu podia escrever sobre «The Living of the Disaster».

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

O sol intitula a natureza

"O sol de certa forma intitula a natureza. Eis de que forma.
Durante a noite aproxima-se dela por debaixo. Depois aparece no hoizonte do texto, incorporando-se por instantes na sua primeira linha, da qual aliás logo se desliga. E há aí um momento sangrento.
Erguendo-se pouco a pouco, atinge então no zénite a situação exacta de título, e tudo então fica justo, tudo se refere a ele segundo raios iguais em intensidade e em extensão.
Mas a partir daí, ele declina pouco a pouco, em direcção ao ângulo inferior direito da página, e quando transpõe a última linha, para voltar a mergulhar na obscuridade e no silêncio, há um novo momento sangrento.
Rapidamente então a sombra cresce pelo texto que em breve deixa de ser legível.

É então que o brado nocturno da indignação ressoa."


- "Alguns Poemas" - Francis Ponge

( este poema não precisa de imagem. para o sr Joel e para EM nascidos e criados nas Cidades Invisíveis)

Do que nos faz chorar


"Quem sabe se neste preciso momento
tu não estás à espera , ansiosa, que eu
enfim compreenda, e que venha, longe
da vida onde já não estás, juntar-me a
ti, pobremente, pobremente, decerto,
sem meios, mas nós ainda, nós
dois
...

-"Nós dois ainda" - Henri Michaux - Bonecos Rebeldes - traduçãoe apresentação incrível do Sr Rui Caeiro

e depois, o que fica?

«fica sobre a terra o espaço das mãos»
(António Franco Alexandre)

depois de uma tarde menos zen

Minhas pequenas dúvidas estabelecem
habitação violenta. furam pelos ossos,
espalham os dedos em volta, os caules
aquecidos do vento, roem
lentamente os pátios inertes,
instalam a dobra azul dos cotovelos,
resistem. têm, ambígua, a elegância
elementar da água. Dobram
as espigas nos dentes,
conhecem o nervo
estendido no céu.
(...)
António Franco Alexandre
, Poemas (Assírio&Alvim)

uma manhã a ler contos zen

Desfiz-me dessa coisa insignificante
a que chamam «Eu»
e tornei-me no mundo imenso

Natsume Sōseki

Esforços Literários

"Tenho estado aqui a rasgar recados para ti. Continuo a começá-los com coisas como «Este está muitíssimo bem construído», e «A mulher na traseira do camião tem muita piada», e «A conversa entre os dois polícias é fora de série». Vê-se que estou a esquivar-me. E não sei bem porquê. Comecei a ficar um bocadinho nervoso mal tu começaste a ler. Soava-me ao começo de uma coisa que o teu arqui-inimigo Bob B. chamaria uma história muito bem esgalhada. Não te parece que ele havia de dizer que isto era um passo na boa direcção? E isso não te deixa preocupado? Mesmo aquilo que tem piada na mulher da traseira do camião não soa a uma coisa a que tu aches piada. Soa muito mais a uma coisa que tu achas que toda a gente considera ter piada. Sinto-me aldrabado. Ficas chateado? Podes dizer que o nosso parentesco compromete a minha objectividade. Isso preocupa-me bastante. Mas sou também um simples leitor. És um escritor ou apenas alguém que escreve histórias bem esgalhadas? Não são histórias bem esgalhadas o que espero de ti. Quero a tua pilhagem."
J. D. Salinger (Seymour: Uma Introdução)

A outra noite

"Ó noite sem objectos! Ó janela indiferente ao exterior, ó portas cuidadosamente fechadas; instalações de tempos remotos transmitidas, reconhecidas, nunca inteiramente compreendidas. O silêncio no vão das escadas, silêncio dos quartos vizinhos, silêncio lá em cima no tecto. Ó mãe: ó única, que dissimulaste todo este silêncio outrora, na minha infância. Que o toma sobre si, dizendo; não te assustes, sou eu. A que tem a coragem de ser, em plena noite, este silêncio para aquele que tem medo, que está perdido de medo. Acendes uma luz e já o ruído és tu. Ergue-la e dizes: sou eu, não tenhas medo. E lentamente pousa-la e não há dúvida: és tu, tu és a luz que envolve os objectos familiares e queridos que ali estão sem segundo sentido, bondosos, simples, unívocos. E quando qualquer coisa se agita na parede ou dá um passo no soalho: então sorris apenas, sorris, sorris com transparência sobre um fundo claro para o rosto angustiado que te sonda como se tu te identificasses com o mistério, nele submersa, e com qualquer som abafado, combinada com ele e de acordo com ele."

-
As Anotações de Malte Laurids Brigge - Sr Rilke

De três em pipa


"Aborrecimento é fome."

"Psicologia- O amor é o objectivo final da história do mundo - o Amen do universo."

"Antropologia- A criança é um amor tornado visível.
Nós mesmos somos um germe, tornado visível, do amor entre a Natureza e o espírito ou a arte.

- "Fragmentos de Novalis" - Tradução e Desenhos por Rui Chafes

Queiram desculpar...

... mas quem hoje não vier ao CoPo é claramente um ovo podre.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

com cinco letrinhas apenas (a rosa, não a fucsia)

cortesia Dr. Fausto

Cadernos do labirinto

"Entretanto procuramos o outro e encontramos o nosso desespero, encontramos solidão, eu a olhar para mim e a pensar: é só isto?
Até que chega a nós uma melodia, a última palavra, e somos abraçados.
E é tudo."

-"Cadiernos del Labirinto"-Angél Campos

Labirinto


"Nunca haverá uma porta. Estás cá dentro
E a fortaleza abarca o universo
E não possui anverso nem reverso
Nem externo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor do teu caminho
Que obstinado se bifurca noutro.
E obstinado se bifurca noutro,
Tenha fim.É de ferro o teu destino
Como o juiz. Não esperes a investida
Do touro que é um homem, cuja estranha
Forma plural dá horror à maranha
De interminável pedra entretecida.
Não existe evasão. Nada te espera.
Nem no negro crepúsculo a fera."


-"Obras Completas Vol 2"- Jorge Luís Borges

Hoje acordei exactamente assim...



...mas longe dos aplausos

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

tenho a certeza

que há quem componha músicas só para me atormentar.

a loucura das 23:17

no ballet - não tens jeito.
no piano - não tens dinheiro.
então faço o quê, mãezinha?
escreve, fazes menos barulho.

fazia-se tarde

a camisola fica molhada e ana diz: a camisola ficou molhada. depois senta-se com um copo de qualquer coisa ao lado e um cinzeiro à frente. diz: sentei-me com um copo ao lado e um cinzeiro à frente. mas não é verdade. ambos estão ao lado, do lado esquerdo, para precisar. sabe então que começou o texto com uma mentira embora não seja capaz de explicar porquê.
mas. estamos no fim do mês de abril e ana ainda não foi capaz de desligar o aquecedor. todas as noites o mesmo, planeia, o que quer que seja, e diz: não ligues o aquecedor. todas as noites acontece o mesmo, planeia, o que quer que seja e liga o aquecedor.

e-books

já consigo imaginar os nomes dos vírus que assaltariam os livros digitais - MR.Sparks, nora_R., D Brown... Uma pessoa a ler a biografia do Ferlinghetti e a dar de caras com parágrafos do Diário da Nossa Paixão.

agenda de 1986

os objectos vivem, crescem, encolhem. a transformação não é previsível e só de longe observável. por exemplo, o que dizer daquele vestido de inverno que, subita e improvavelmente, deixou de te servir?
alguém meteu água.

quarta-feira, 29 de Abril, pelas 22h00

ó neill, tás bué baril ? - o CoPo na Trama
«Trálálálálá. Gostamos do som e do sentido, do gesto e o ruído e até de pessoas sem ouvido. Já lemos para surdos e para estrangeiros, para chiques muito espertos, para rebeldes e para meninas, para Manuéis e Joaquinas, de muita raça e muita idade, no campo e na cidade.»
PEL' o CoPo (poesia de entretenimento científico)
Nuno Moura e
Paulo Condessa
€3,00

A partir de hoje...


...e durante esta semana ,o livreiro menos académico vais estar na Faculdade de Letras a dar consultas literárias a moribundos, e primeiros socorros a estudantes em vias de trocar o seu curso por outro que "dê".
Aviso: não declamarei Florbela Espanca a pedido para ganhar corações jovens, nem tão pouco farei leituras ritmadas do Sr Aleixo.
Para que me reconheçam é só repararem nas minhas mãos: estarei entre o literato (mão no queixo para a fotografia) e o feirante ( mão na anca a gritar: "Olhó livro fresquinho!")

Chama-se a isto: trabalho de equipa


A partir das 4h a livreirita ronca e o livreirito fala histérico, embriagado de sono e cansaço.

Um povo sem poesia é um povo vencido

se o meu e-mail tivesse título seria

«Uma Ambição no Deserto»

madrid

até já se pensa em franchising
(foto via fernando mouro, a quem antóni'arroiamente agradecemos)

domingo

tenho a impressão que a biologia é qualquer coisa de muito superficial.

Domingo, 26 de Abril de 2009

é uma questão de atitude

the dears

do livro enquanto resposta

"Édipo - Estranha coisa que para compreender o próximo tenhamos de fugir dele."
Cesare Pavese em Diálogos com Leucó, Assírio&Alvim, 2007
(e agora vou limpar a casa com muito mais entusiasmo)

podia ser um conto zen

«Próprio e meu é o pensamento apenas quando eu não temo pô-lo em perigo a cada momento, quando não temo que a sua perda seja uma perda para mim, uma perda minha. Próprio e meu é o pensamento apenas quando eu o posso dominar a ele, mas não ele a mim, quando ele não me pode fanatizar e transformar em instrumento da sua realização.»
(p.268)
Uma das consequências de algumas conversas que vou tendo com o Difícil Leitor, sobretudo em tardes de quarta-feira, é a de ver o meu pensamento modificado. Não porque esse visitante procure divulgar as suas teses ou obter a aprovação dos seus ouvintes mas apenas porque, nas mais simples considerações, mesmo aquelas ditas em jeito de intervalo, encontramos nele uma consistência sincera. Quero com isto dizer que o Leitor de que falo está munido, em permanência, de provocações que nunca pressupõem uma hieraquização do diálogo em jeito mestre - aprendiz.
«De que te serve uma liberdade que não te dá nada? E se te libertasses de tudo ficarias sem nada, porque a liberdade não tem conteúdo. Para aquele que não sabe servir-se dela, essa inútil possibilidade não tem qualquer valor; mas depende da minha singularidade o modo como eu me sirvo dela.»
(p.127)
Muito descontextualizadamente o que me importa agora dizer é que, entre o Homem Universal e o homem particular, prefiro o segundo, que em vez de dar, dá-se. E isto só pode acontecer àquele que se tem a ele mesmo.

Sábado, 25 de Abril de 2009

Yataro, Nobuyuki, Issa

This world of dew
is only a world of dew -
and yet
imagem: Shiro Kasamatsu, Pine Tree in Rain (1938)

a meio da noite passada

acordei com alguém que dizia: campo e contra-campo. podia jurar que foi a emília.

anotações

agora que já não sublinho os livros vou anotando frases nos cadernos que inutilmente viajavam todos os dias na minha mala. têm surgido anotações que misturam frases roubadas de livros e palavras que as ligam umas às outras, entre setas, pontos, números de páginas e inícios de parágrafos. da releitura dos Carpinteiros (...) do Salinger encontra-se num certo caderno: «pg. 79, 2º parágrafo; o autor escreve invariavelmente com menor talento do que aquilo que por ele é escrito. assim é, por causa do amor que aquele escreve tem pelo que é escrito, ainda antes de o ser. a escrita é um erro que se não deixa apagar, um testemunho da falta de talento do autor. sobre a poesia pg. 95»
e assim estou simultaneamente a citar escritor e leitor.
(podíamos agora falar de leitores invisíveis mas ainda não o vamos fazer)

«Ah, deixá-los vir

- o inexperiente e o entusiasta, o académico, o curioso, o sabe-pouco, o sabe-muito e o sabe-tudo! Que cheguem apinhados em autocarros, que se lancem de pára-quedas, empunhando Leicas. O meu espírito fervilha de cordiais discursos de boas vindas. Uma mão estende-se já para a embalagem de detergente e a outra para o serviço de chá por lavar. Os olhos inflamados preparam-se para ser limpos. O velho tapete vermelho está estendido
J.D. Salinger em Carpinteiros Levantai Alto o Pau de Fileira (Difel)

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

cinema na trama ou vamos ver quem é que se aguenta

PROGRAMA:
21h30 – A Nossa Música
00h00 – A Cativa
02h20 – O Estado das Coisas
A Palavra Contra a Imagem? propõe pensar as relações entre a palavra e a imagem, entre a dimensão de texto, no sentido mais radical desta palavra, e a dimensão cinematográfica: ir da palavra à imagem e voltar à palavra, para voltar à imagem, para seguir por caminhos imprevistos. Não contamos aqui com pólos opostos, mas sim com as complexas relações que se vão estabelecendo e que podem passar pela montagem, pela narrativa ou pelas suas camadas, pelos diálogos, pela importância dada à imagem ou às relações entre imagens, à palavra, à voz, à própria música. Pensar, no fundo, toda uma trama que procura inquirir a presença poética em cada um dos filmes. A primeira sessão convida-vos a reflectir sobre tudo isto a partir de A Nossa Música de Jean-Luc Godard, A Cativa de Chantal Akerman, e O Estado das Coisas de Wim Wenders.
ENTRADA LIVRE

(não forçamos ninguém a ver os 3 mas quem não for capaz será chamado de mariquinhas durante pelo menos uma semana)

perseguido por este(s) poema(s) 5



"As nossas sombras respiraram juntas.
A nossos pés as águas do rio dos acontecimentos
deslizavam quase em silêncio.
As nossas sombras respiravam
juntas e com elas tudo ficava resguardado."


"Tive frio com o teu frio. Bebi goladas
do teu sofrimento. Perdíamo-nos
no lago das nossas trocas."


"Do lado de cá ficámos atónitos.
Não tivemos tempo para dizer adeus.
Não tivemos tempo para uma promessa.
Ela tinha desaparecido do filme desta terra."

-"Nós dois ainda" - Henri Michaux - Bonecos Rebeldes

Há dias em que acordo assim...



...e é um presságio de que tudo vai correr bem.

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

nada é urgente

quando tudo é urgente.

do cacetete como inimigo do poeta



"O poeta não tem outro remédio senão ser revolucionário ou não ser poeta, pois deve lançar-se a todo o momento no desconhecido; o passo por ele dado ontem não o dispensa do passo a dar amanhã porque é preciso recomeçar tudo de novo todos os dias, e aquilo que ele adquiriu durante o sono desfez-se já em poeira ao acordar.Para ele não existe qualquer lugar como chefe de família, apenas o risco e a aventura indefinidamente renovados.Somente a este preço pode dizer-se poeta e pretender um lugar legítimo à ponta mais extrema do movimento cultural, aí onde não há louvores nem medalhas a receber, mas sim bater-se com todas as suas forças para derrubar as barreiras sempre renascentes do hábito e da rotina."

-Jean Louis Bédouin sobre Benjamin Péret

esta noite, visível e audível

cá em cima há refrescos

atelier de escrita criativa

Uma oportunidade para explorar, tanto quanto possível, uma série de constrangimentos linguísticos associados ao acto de escrever. Será um espaço que incrementa a capacidade de cada um na apreciação crítica do que escreve.
Serão realizados três módulos, sempre à Quarta-Feira das 19h00 às 22h00 - dias 13, 20 e 27 de Maio.
Preço por pessoa € 50,00 (mín - 5 / máx - 15)
No momento da inscrição será solicitado o pagamento de 20% (€10,00), podendo o restante ser pago até ao 2º dia do atelier (20/05). Todas as informações através do telefone 213888257 ou do mail livraria.trama@gmail.com
1º dia – 13 de Maio
-A linguagem e a escrita
- Definição de estilo
- Criatividade do acto de escrever
2º dia - 20 de Maio
- Distinção dos diferentes objectivos da Escrita (exercícios nos vários géneros: poético, narrativo, dramático, etc.)
- Análise e aperfeiçoamento da escrita
3º dia - 27 de Maio
- Desenvolver métodos de escrita específica
- A escrita a partir da observação: literatura de viagens e outros géneros literários.
Formadora:
Raquel Ochoa publicou O Vento dos Outros, uma crónica de viagens à América do Sul em 2008 e Bana - Uma vida a cantar Cabo Verde no mesmo ano. Prepara a publicação do seu terceiro trabalho, um romance histórico. É repórter de viagens, licenciada em Direito e tem dedicado grande parte da sua vida a viajar e a escrever. Colaborou com alguns jornais. Tem reportagens sobre vários cantos do mundo disponíveis no seu blog: www.omundoleseaviajar.blogspot.com
Mais informações em: www.raquelochoa.blogspot.com
Ou: este atelier destina-se a pessoas que, embora gostem de escrever, sintam que não sabem ou não conseguem fazê-lo. A ideia passa por desbloquear. Não, ninguém vai sair a escrever como o Herberto Helder ou a pensar como a Adília Lopes. É possível, no entanto, que se saia deste atelier com vontade de escrever mais. É possível que a forma de ver o trabalho do escritor também mude e que noções como "inspiração" sejam alargadas.
Nota:
Qualquer pessoa que venha a ganhar prémios literários depois deste atelier deverá, naturalmente, doar uma percentagem à formadora e à livraria.

preparem-se

Miguel-Manso is back.
(trata-se da 2ª edição do Quando Escreve Descalça-se)
(ainda é mais bonita que a primeira)

depois da conversa, cidades à solta

esta manhã cheguei aqui e li neste blogue um post intitulado "dizíveis e visíveis" . vinha para a trama a pensar na tal cartografia de afinidades que, a meu ver, surge sempre da noção de possibilidade. Daí que os livros que nunca serão lidos mas que, ainda assim, vivem em nossa casa, sejam já, enquanto promessas, parte de um mapa. E, se alguma vez consumado o fim para que supostamente foram criados, há uma materialização dessa possibilidade, uma metamorfose, nunca concluída ou fechada.
acontece o mesmo com as pessoas, nas relações que se criam mesmo na incerteza da leitura.
quero dizer, é como se certas pessoas representassem possibilidades que nem sempre queremos ou podemos consumar. há pessoas cuja simples existência (ou aparição) é apaziguadora. e eu podia nomear umas quantas.

as cidades visíveis - alguns convidados

da esquerda para a direita: josé mário silva, jorge fallorca e abel barros baptista
jorge silva melo, francisca cortesão (minta), catarina e rosa

(fotos: Cristina Magalhães, se alguém tiver mais gostávamos de as receber e garantimos que as creditamos)

As Cidades Invisíveis - A literatura enquanto morada(s)

e da palavra nasceu a cidade


o primeiro caderno de Nair

não consigo descrever a força da imagem que encontrei no espelho: ela desamarrava o cabelo. não era eu.
contam-se nove passos até ao chão da sala. estar só é contar os passos.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

De manhã começa o dia ou...todo o anjo é terrível

guess what, As Cidades Invisíveis!

Para quem gostava de aparecer amanhã mas tem medo de ter que responder a alguma pergunta, segue abaixo a lista dos únicos que serão mesmo obrigados a falar:
Luís Filipe Cristóvão
- livreiro fundador da Livraria Livrododia em Torres Vedras, editor e escritor. Já publicou Registo de Nascimento (poesia, 2005), Pequena antologia para o corpo (poesia, 2007); E como ficou chato ser moderno (poesia, 2007); Santa Cruz (poesia/ fotografia, 2008) e A Cabeça de Fernando Pessoa (poesia, 2009).
Jorge Fallorca
- escritor e tradutor. Publicou: Rosa dos Ventos (ed. do autor, 1966, fora do mercado); Porque há uma cidade no meio das palavras - tu me disseste um dia (ed. policopiada do autor, 1972, esg.); Imitação da Morte dos Outros (& etc., 1976, esg.); A Luva In Love (Assírio e Alvim, 1977, esg.); assim, (& etc., 1980, esg.); Aqui se Reúnem Caçadores Pescadores e Outros Mentirosos (Frenesi, 1983, esg.); Alpendre (& etc., 1988); Água Tatuada (& etc., 1999); De Lés-a-Lés (Pergaminho, 1999); Alcateia (Hugin, 1999); Fruta da Época (que inclui alguns dos anteriores títulos, na "versão (quase) original" - frenesi, 2001); A Cicatriz do Ar (Black Sun, 2001); Entre Chipiona e Tarifa (Teorema, 2002); Al-Khaïma (Teorema, 2004); Longe do Mundo (frenesi, 2004).
José Mário Silva
- coordenador da secção de Livros do suplemento Actual (semanário Expresso), colaborador permanente da revista Ler. Publicou o livro de poemas Nuvens & Labirintos (Gótica, 2001), ao qual foi atribuído o Prémio Literário Cidade de Almada, e estreou-se na ficção com o volume de narrativas curtas Efeito Borboleta e outras histórias (Oficina do Livro, 2008). Do francês, traduziu dois livros de Jean-Baptiste Botul (Cavalo de Ferro), A vida sexual de Immanuel Kant e Landru, precursor do feminismo, além de um volume de conversas entre Georges Raillard e Joan Miró (90º) e O Meu Irmão (90º). Publicou recentemente um livro de poesia intitulado Luz Indecisa.
Jorge Silva Melo
- Estudou na London Film School. Fundou e dirigiu, com Luís Miguel Cintra, o Teatro da Cornucópia (1973/79) É autor do libreto de Le Château dês Carpathes (baseado em Júlio Verne) de Philippe Hersant, das peças Seis Rapazes Três Raparigas, António, Um Rapaz de Lisboa, O Fim ou Tende Misericórdia de Nós, Prometeu, Num País Onde Não Querem Defender os Meus Direitos, Eu Não Quero Viver baseado em Kleist, de Não Sei (em colaboração com Miguel Borges ) e O Navio dos Negros. Fundou em 1995 a sociedade Artistas Unidos de que é director artístico. Realizou as longas-metragens Passagem ou A Meio Caminho, Ninguém Duas Vezes, Agosto, Coitado do Jorge, António, Um Rapaz de Lisboa , a curta-metragem A Felicidade. E os documentários António Palolo e Joaquim Bravo, Évora, 1985, etc, etc, Felicidades, Conversa com Glicínia, Conversas em Leça em Casa de Álvaro Lapa, Nikias Skapinakis - O Teatro dos Outros, Álvaro lapa: A Literatura, António Sena, A Incessante Mão, Ângelo de Sousa: A Alegria Impermanente e A Gravura: Esta Mutua Aprendizagem. Traduziu obras de Carlo Goldoni, Luigi Pirandello, Oscar Wilde, Bertolt Brecht, Georg Büchner, Lovecraft, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini, Heiner Müller e Harold Pinter.
Pedro Vieira
- «uma mistura de ilustrador, rabiscador e designer, nascido em Lisboa em 11 de Agosto de 1975, licenciado na área da Comunicação e Publicidade. Tem trabalhado ultimamente na área do design gráfico, desenvolvendo em paralelo projectos na área da Ilustração e da Banda Desenhada.» Autor de BD, ilustrador (também para a revista Ler), desginer gráfico e livreiro.
Abel Barros Baptista
- Abel Barros Baptista doutorou-se em Estudos Portugueses, especialidade Literatura Brasileira, na Universidade Nova de Lisboa. É actualmente Professor Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Autor de inúmeros ensaios literários (entre os quais: O Professor e o Cemitério. Rusga pelo «José Matias» de Eça de Queiroz Entendido como Percurso de Assassinatos Regulares, Auto bibliografias. Solicitação do Livro na Ficção e na Ficção de Machado de Assis, A Infelicidade pela Bibliografia, Importa-se de me emprestar o Barroco e Coligação de Avulsos. Ensaios de Crítica Literária. Colaborador, como crítico, cronista e articulista em jornais e revistas de Portugal e do Brasil. Foi Director-adjunto da revista "Colóquio/Letras", publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian
Francisca Cortesão – Minta
- É uma rapariga? É uma banda? Mais do que isto, o que importa são as canções. Uma singer-songwriter — Francisca Cortesão — e os seus mui distintos convidados — Filipe Pacheco, Nuno Rafael e José Vilão — andam de volta delas há pouco mais de dois anos. O disco é uma edição de autor, apesar de ter o selo Naked / MSounds. Uma vez que terminou a colaboração com a editora, You vai ser distribuído pela Compact Records — para além de vendido nos concertos e através da Internet — a partir de de 9 de Fevereiro de 2009. Minta conta ainda com o inestimável apoio da Merzbau.
em suma, é tudo gente muito fixe. e o resto... é surpresa.

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

ninguém sai ileso

Sara Franco®
Galeria Bernardo Marques
Rua D.Pedro V, 81 Lisboa
inaugura a 7 de Maio pelas 19h00

inda um dia hás-de cantar

não sei se é a proximidade do 25 de abril se algumas saudades do benjamin (que me tentou colocar na rota do canto de intervenção) mas tenho adormecido o meu filho com a canção de embalar: portátil aos pés da cama, silêncio, põe outra vez, mãe.
nunca me sinto tão bem sucedida como nesses quatro minutos.


com cinco letrinhas apenas


a trama entra pela sua casa
ou
(num clube de vídeo perto de si)

insisto em começar pelo fim

«- É verdade - respondi-lhe. - Até o ar e o Sol são coisas que se tem de conquistar detrás da barricada.»
O Bairro
- Vasco Pratolini

advertência ao leitor

"No seu próprio interesse, prezado Leitor, verifique se este livro mantém o lacre branco que sela algumas das suas páginas; neste caso, abra-o, por favor, como abriria um livro não guilhotinado, isto é, com uma faca, até com um simples cartão, e assim não rasgará as folhas. Se o livro estiver todo aberto, rejeite-o, pois é indício de que já foi lido. Defenda a sua saúde não manuseando livros usados"

primeira página do livro O Bairro de Vasco Pratolini, Edição Livros do Brasil, colecção miniatura, anos 50

a cada nova morada eu julgo saber

que «de todas a mais volátil
é a categoria do tempo»
(tive que ler um livro inteiro do Fernando Assis Pacheco para achar o que te dizer. obrigada!)

banda sonora para o pequeno-almoço

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

ó

1
A rapariga que esperava muito
as cartas do namorado
que lhe escrevia muito pouco
foi violada pelo carteiro
(Adília Lopes,
Obra, Mariposa Azual)

Diz Borges sobre algumas crenças relacionadas com o livro

«... cada país está representado por um livro. Lembremos que os muçulmanos denominam os israelitas a gente do livro; recordemos a expressão de Heinrich Heine sobre a nação cuja pátria era um livro: a Bíblia, os judeus. Estamos então perante um conceito novo, o de que cada país tem que ser representado por um livro; em todo o caso, por um autor que o pode ser de muitos livros.
É curioso - e creio que isto nunca foi observado até este momento - que os países tenham escolhido indivíduos que não se parecem demasiado com eles. Pensa-se, por exemplo, que a Inglaterra poderia ter escolhido o Dr. Johnson como seu representante; mas não, a Inglaterra elegeu Shakespeare, e Shakespeare é - digamo-lo assim - o menos inglês dos escritores ingleses. (...) Outro caso é o da Alemanha; um país admirável, tão facilmente fanático, elege precisamente um homem tolerante (...): Goethe. Em França não se elegeu um autor, mas tende-se para Hugo. (...) Hugo é estrangeiro em França: Hugo, com os seus grandes cenários, com as suas vastas metáforas, não é típico de França.
É como se cada país pensasse que tem de ser representado por alguém diferente, por alguém que possa ser um pouco como um remédio, uma espécie de teriaga, uma espécie de antídoto para os seus defeitos.
»

querido diário

sigo a pé para casa. são duas e meia da manhã, estou só. sigo a pé não apenas porque gosto de andar mas sobretudo porque quero e preciso de afirmar, sempre, não tenho medo.
junto ao jardim do príncipe real cruzo-me com uma dessas carrinhas verdes da câmara e lá de dentro um homem grita-interroga: não tens medo de ir sozinha? sorrio e movo o queixo este-oeste. de um lado o jardim, muito escuro, do outro os candeeiros da rua.
chegando à da rosa decido parar pelos bolos. à saída, um tipo de boina com ar de quem está a acabar de curtir qualquer coisa, pede-me um pão com chouriço. digo-lhe que não. peço-lhe também desculpa por dizer que não. e sigo, três, seis, nove. mas. meia volta e: mudei de ideias, espera. compro-lhe o pão e ele desfaz-se em obrigadinhos e obrigadões. posso-te acompanhar? seguimos, rua da rosa, calhariz, elevador da bica.
digo-lhe então que o medo me vem sempre do conhecido, do que já conheceu o dia, a luz. tudo o resto - vozes em coro - surpresa. e vou para casa.

(para os nossos vizinhos aqui do lado sentirem no Rato uma segunda casa)

De manhã começa o dia ou...relegere relegere relegere...


"Fala-me, Musa, do homem astuto que tanto vagueou,
depois que de Tróia destruiu a cidade sagrada.
Muitos foram os povos cujas cidades observou,
cujos espíritos conheceu; e foram muitos no mar
os sofrimentos por que passou para salvar a vida,
para conseguir o retorno dos companheiros a suas casas.
Mas a eles, embora o quisesse, não logrou salvar.
Não, pereceram devido à sua loucura,
insensatos, que devoraram o gado sagrado de Hiperíon,
o Sol - e assim lhes negou o deus o dia do retorno.
Destas coisas fala-nos agora, ó deusa, filha de Zeus."

-" Odisseia" - Sr Homero

Domingo, 19 de Abril de 2009

no princípio era o quê?

uma inauguração marcada para 30 de novembro de 2007
às 21h30
mas
às
21:16
estávamos assim.
e às 21:22 não estávamos muito melhor
até que, pelas 23:17, com tudo "arrumado", nasceu a coisa.
e a primeira noitada da trama ainda ia nas 02:16
ninguém tinha dormido na noite anterior
mas isso não era assim tão importante.

Sábado, 18 de Abril de 2009

querido diário

esta manhã fui trabalhar para o ccb. conversei longamente com o funcionário da cafetaria acerca da dificuldade que é expulsar dali as pessoas quando chega a hora de almoço. fiquei feliz por não ter que ser expulsa, por reconhecer o momento de arrumar as tralhas e ir para outras paragens.
sentei-me com um chá verde (pode ser earl grey, sim) e uma torrada. abri o computador e transformei a mesa numa espécie de secretária de estudante universitária. dei por mim orgulhosa da minha mesa arrumadinha com o caderno e os livros, uma caneta apenas, preta, a chávena criteriosamente descuidada. ah, senti-me uma farsa e foi tão bom.

tudo isto

feito a meias com a Rosa.

é um convite quase pessoal

Na próxima quarta-feira estaremos juntos em jeito de pré-celebração do dia mundial do livro (23 de abril) e esperamos reunir, cá em cima, uma mão cheia de leitores. Para isso contamos com as pessoas que fomos conhecendo através dos livros e com aquelas que nos seguem através do blogue. Se foram os livros que nos apresentaram, que fizeram com que de alguma forma nos cruzássemos, se trocámos impressões, se nos conhecemos e reconhecemos - dentro e fora da leitura - então este é o dia certo para passarem por cá.
4ª feira, 22 de abril, 21h30 (entrada livre)

As Cidades Invisíveis - A literatura enquanto morada(s)

Tenho andado a ler sobre isto que é a leitura. Leio romancistas, ensaístas, filósofos. O método é anárquico, claro. Agarro numa coisa, noutra, o que me parece certo. E depois constato que este exercício de preparação para outra coisa contém, em si, parte do que já é a minha tese. Isto é: procuro referências que digam que os livros se cumprem através de um percurso que ultrapassa o acaso. E nessa procura, o acaso, supera-se, uma vez que encontro sempre.

As Cidades Invisíveis - A literatura enquanto morada(s)

ana senta-se no chão, de frente para a estante principal e sabe o que vai deixar para trás. é uma decisão cirúrgica, uma escolha exacta.
pensava apenas na possibilidade de um ritual, uma despedida. assim, retira-os um a um e cria duas áreas distintas usando como único critério outra possibilidade: o futuro.
lê: "Os antigos não professavam o nosso culto do livro - coisa que me surpreende; viam no livro um sucedâneo da palavra oral. Todos os grandes mestres da humanidade foram, curiosamente, mestres orais. Magister dixit. Pitágoras, Sócrates, Cristo, Buda. Santo Anselmo: Pôr um livro nas mãos de um ignorante é tão perigoso como pôr uma espada nas mãos de uma criança."

Can't rain all the time

"A cor do meu Amado
tingiu o meu corpo
Todas as outras cores
se desvaneceram
Uso apenas braceletes
tilak e colares
O meu melhor enfeite
é o meu amor por Ele
Insultam-me? eu canto
as glórias de Govinda
É os seus passos
que sigo De que me podem
acusar? Não descerei
do dorso de um elefante
para montar um asno"

"O amor chegou com as c
huvas" - Mirabai


Aos sábados a banda sonora tramada é da inteira responsabilidade do Sr Serpa

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

é hoje à noite

concerto sem GPS - 2ª edição

(um chama-se Pedro e traz discos e outro é conhecido por Nuno e traz um saco (de plástico) com livros.)

Música!

uma foto do concerto do João da Ilha
(cortesia de um fotógrafo do Douro que se fez acompanhar toda a noite de um copo de Messias 2005)

querido diário

se há não-lugares suponho que haja não-momentos. estes, se existirem (ou não-existirem), tendem a ocorrer (ou a ter lugar) por volta desta hora. suponho que isto não faça sentido.
sento-me para escrever sobre tudo e escrevo um bocadinho de nada.
coisas a fazer: muitas; vontade (em passos): 3 de gigante, 1 de tesoura e 2 de bailarina; nível de concentração: submarínico.
acontece que me sinto vagamente agitada, aos saltos de frente para a rebentação.

descontextualizava e dizia

Wise men say only fools rush in.

trazido pelo próprio

(e à venda na Trama)

post dos amigos

- Não respire!
Não estava no fotógrafo. Estava no serviço de radiologia de Reykjavik. É a frase de todas as sociedades aos seus cidadãos: «Não respirem.»
Pascal Quignard, em
As Sombras Errantes, Gótica (2003)

zero-filme e revista Big Ode

Zero-filme é um projecto embrionário que pretende promover a partilha de ideias e experiências artísticas, em suporte vídeo. Esta iniciativa tem como objectivo reunir pessoas que encontraram na linguagem do cinema ou do vídeo, uma forma de se expressarem artisticamente e divulgar os seus trabalhos.
Conceito da Zero-filme

Para onde segue a linguagem do cinema? Um cinema sem fronteiras, sem linguagem definida, argumento, ou estética global. Uma junção de ideias, conceitos, sensações, poéticas, questões filosófico/estéticas, contadas com imagens, discutidas através de imagens, sons e movimento. O que somos, o que pensamos, o que fazemos, como sentimos, como observamos, como reproduzimos, como nos envolvemos, como comunicamos... nós, os outros e tudo o que está envolvido. Exterior, interior... espaço, tempo, movimento.
Objectivos

O que se pretende no final é que estes vídeos reunidos entrem na programação dos cineteatros
em Portugal de forma a que não se restrinjam a uma divulgação elitista e urbana. Em Portugal a rede de cineteatros cobre todo o país, situando-se desde as grandes cidades até às pequenas aldeias.
Os trabalhos enviados devem ser na área de vídeo-arte/vídeo-poesia e devem explorar de forma experimental a linguagem do vídeo. A participação será sempre feita de forma totalmente gratuita e será sujeita a uma selecção. Todos os participantes vão receber uma cópia do DVD final e o #7 da revista BIG ODE.

O tema a que se deve responder – SUBLIME
Os trabalhos devem ser enviados preferencialmente em formato QuickTime e não exceder os 10 minutos de duração. Podem ser enviados por e-mail por exemplo pelo yousendit. Endereço de e-mail : zerofilme@gmail.com. Ou então, através do envio pelo correio de um DVD e ou CD (por favor manter o filme em formato editável, de forma a poderem compilar-se todos num único DVD) para: Sara Rocio
Rua Miguel Pais nº136, 3ºfte
2830- 356 Barreiro - Portugal
Enviar sinopse do trabalho e breve biografia com fotos para o mail até 31 Maio de 2009.

o primeiro caderno de Nair

o pai vende chaminés - talvez por isso não o veja atravessar a porta.
cada um tem o pai
,e o homem,
que merece.

um beijo que tivesse um blue

sou uma mulher do século XIX
disfarçada em século XX
(Ana Cristina César)

triptico


"May what is written resound in the stilness, making silence resound at lenght, before returninig to the motionless peace where the enigma still wakes"

"Always returning upon the paths of time, we are neither ahead or behind: late is early, near far."

"Giving voice to the common not common not according to being, but according to what is other than being, and draws near unordered, unchosen, unwelcomed, the impotence of attraction."

-"Writing of the disaster"- Maurice Blanchot

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

já estou a imaginar 1000 tramados pelo Marquês...

Offerings from the gods


Do vácuo como impulso criador

com cinco letrinhas zen

"Sobre a trama do Atma, onde bordamos dia após dia a tapeçaria das nossas vidas, é visível a mais ínfima nódoa, tudo manifesta Brahma."
Os Melhores Contos Zen * Teorema * Cortesia do Difícil Leitor
Precisava de falar-te ao ouvido
De manter sobre a rodilha do silêncio
A escrita.
Precisava dos teus joelhos. Da tua porta aberta.
Da indigência. E da fadiga.
Da tua sombra sobre a minha sombra
E da tua casa.
e do chão.
Daniel Faria, em Poesia (Quasi)

eu dava-te, mas tu não mereces #5

para assuntos precisos

o novo caderno Serrote

o boicote dos pais

Esta manhã quando fui deixar o meu filho na escola pude assistir a um episódio que me incomodou e esclareceu. Profundamente. Há uma iniciativa para o pré-escolar que consiste em levar para casa um livro, sempre à sexta-feira, e devolvê-lo na segunda. O objectivo é fomentar a relação com o livro-objecto, estimular a leitura individual e o apoio dos pais. Foram também feitos, pelo menos nesta escola, uns sacos de pano com uns desenhos muito bonitos relativos à leitura com um slogan simpático: um livro é um amigo. Pagou-se por cada saco €4,00.
Parece simples.
Mas esta manhã uma mãe entrou na sala e, devolvendo o saco à professora, disse: eu não quero levar o livro mais vezes para casa. perante o espanto da professora, esta mãe insistiu na devolução permanente porque não tem tempo para ler. A professora bem tentou explicar que esta actividade fazia parte do programa, que era para os pais lerem com os filhos ou até mesmo para as crianças estarem simplesmente sentadas a ver as imagens. Sozinhas, pronto. A mãe não ficou convencida.
Saí dali muito triste. Como é que não se tem tempo para ler uma história durante o fim-de-semana? Como é que se pode dizer que não a uma coisa destas, que é tão simples? Não há custos, os livros são da escola. Mas há uma falta de vontade imensa. E depois há queixas, claro. Que os miúdos são burros, desinteressados, que só querem televisão e computador. Repare-se que esta atitude não é apenas de desinteresse mas sobretudo de rejeição. Hoje foi rejeitada a uma criança a possibilidade de ler uma história, de mexer num livro, caramba, a possibilidade de aprender.Tudo ali, nas minhas barbas. Não fui capaz de dizer nada. O meu filho levava na mão um livro, dele, que tinha escolhido em casa, para "ler" aos amigos. Nisto, tiveste sorte, pensei eu antes de sair.

o filme que era preciso

RACHEL GETTING MARRIED

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

o tal passatempo

ainda temos bilhetes para oferecer. vá lá, arrisquem.
Concerto Tiago Sousa e Monomoy

balanço dos últimos 6 posts

1,2 cigarros para cada post, 0,13 cigarros para cada linha.
(ah, eu fumo ventil.)

notícias do Rato (e não, não tem a ver com o livro do Céline)

Foram descobertos nos últimos dias pelo menos dois livreiros infiltrados na Trama. Até ao fecho desta edição não foram apurados os motivos que levaram estes livreiros a visitar a concorrente Trama, contudo, um deles terá confidenciado a um amigo que "eles são fixes". Sabemos também que compraram livros de autores conceituados como Thoreau, Anna Akhmátova ou Joseph Conrad - e que tiveram uma atençãozinha. Catarina e Ricardo não prestam quaisquer declarações (embora evitem ir à Baixa).

(intervalo)

um dia destes iam dar comigo morta. encontrar-me-iam, quem sabe, no chão de uma estação de serviço. causa da morta: desconhecida, nunca abraçou nenhuma. no entanto, nos braços, um volume vermelho e o título: obra completa.
assim, para evitar desfechos trágicos, agarrei noutro livro, mantive o vermelho e recordei: Salinger. mas não se pense em motivos nobres: comprei-o há dois anos porque o livreiro era giro ao ponto de se tornar influente. só há uns meses fui informada que prefere morenas.

querido diário

às vezes cruzo-me com clientes da livraria na rua. é engraçado ver como "eu sou eu e a minha circunstância". quero dizer, fora da livraria, quem sou eu? na maioria dos casos as pessoas não me reconhecem. às vezes baixo o olhar, para evitar que não me reconheçam. repára, fiz isto a vida toda.

As Cidades Invisíveis - A literatura enquanto morada(s)

Disseram-me que houve um tempo, em Paris, em que se encontravam livros por todo o lado (com especial tendência para bancos de jardins). Numa tarde particularmente chuvosa alguém parou num desses jardins e ficou a olhar para um livro abandonado. Embora fosse um desses livros que nunca se queixam, a personagem deste momento não conseguiu evitar alguma comoção: deixaram um livro à chuva!
Quem é que abandona um livro? Que destino lhe deseja, virando-lhe as costas (e, talvez, espreitando uma ou duas vezes por sobre o ombro)? E que livro é este a quem se destina outra coisa que não a vida numa das consoladoras paredes de casa?
Houve um tempo em que talvez fosse giro deixar livros em bancos de jardim. Os livros, contentores de alguma coisa, seriam personagens, eles mesmos. Sofreriam de acção. Seriam encontrados, com sorte, ou vandalizados, se algo corresse mal. Na mais romântica visão, seriam amados. Trariam ao novo leitor qualquer coisa que o velho leitor já tinha descoberto. E então, dois leitores desconhecidos partilhariam, sem nomes ou biografias, qualquer coisa de inexprimível. Estariam unidos, irremediavelmente, seriam história um do outro.

re(avaliação)

hoje, as palavras salvaram o meu dia. estranhamente, ontem deram cabo dele.
um dia perdi as contas ao peso e comecei a medir tudo em passos.

Da melodia ao abrir o livro


"Foi um suicídio longamente premeditado, pensei, e não um acto espontâneo de desespero.

O Glenn Gould, o nosso amigo e o mais importante virtuoso do piano do século, também só fez 51 anos, pensava eu ao entrar na estalagem. Só que esse não se matou como o Wertheimer mas morreu, como se costuma dizer , de morte natural.
Quatro meses e meio em Nova Iorque e sempre, sempre as Variações de Goldberg e A Arte da Fuga, quatro meses e meio de "Klavierexerzitien" como o Glenn Gould dizia repetidamente e sempre só em alemão, pensava eu.
Há vinte e oito anos exactos havíamos morado em Leopoldskron e estudado com o Horowitz, e com o Horowitz tínhamos aprendido mais durante um Verão completo, Verão em que chovera continuamente, do que durante os oito anos interiores do Mozarteum e da Academia de Viena.
O Horowitz tinha reduzido a zero todos os nossos professores.

(...)

Quando terminámos as aulas com o Horowitz era evidente que o Glenn era o melhor pianista, superior ao próprio Horowitz e , a partir desse momento, o Glenn foi para mim o mais importante virtuoso do piano do mundo."

"O Náufrago" -Thomas Bernhard

Sim , Manuela, há conversas que permanecem na nossa cabeça por longas semanas, como uma bonita melodia

esta quinta

(ssscch)

O Ricardo trabalha solenemente. É admirável. Às vezes fico a ouvi-lo falar sobre um livro e reparo no cuidado que tem na escolha das palavras. Um certo zelo. Precioso.

ah!

"A mulher primitiva, a campónia, é mãe. Todo o seu destino, anelado desde a infância, está imbuído nessa palavra. Em seguida surge, no entanto, a mulher ibseniana, a companheira, a heroína de uma vasta literatura metropolitana, desde o drama nórdico até ao romance parisiense. Em vez de filhos, essas criaturas têm conflitos psíquicos."
(Hoje decidi dedicar-me à leitura. Hoje tudo corre bem.)

A bout de souffle


"Nada está mais morto do que o status quo , denominem-no de democracia, fascismo , comunismo, budismo ou niilismo. Se sonha com o futuro , pode ter a certeza que ele se transformará um dia em realidade. Os sonhos realizam-se. Os sonhos são a própria essência da realidade. A realidade não é protegida nem defendida por leis., proclamações, decretos, canhões ou exércitos. A realidade é o que irrompe a cada instante da morte e da desintegração. Não se pode fazer nada contra isso, podemos apenas tornar-nos cada vez mais conscientes dela. A função do artista, que é apenas um tipo de criador, é despertar-nos. Os artistas estimulam a nossa imaginação."

"Pesadelo em ar condicionado" - Henry Miller (estimulado pelo Sr Varèse)/ ( ricardo insuflado pelo Sr Fallorca)

ontem ainda o encontraste à tua porta?

"[o escritor] Quer dizer o segredo; o que não pode dizer-se com a voz por ser demasiado verdade; as grandes verdades não costumam dizer-se a falar. A verdade do que se passa no secreto seio do tempo é o silêncio das vidas, e que não pode dizer-se. «Há coisas que não podem dizer-se», e é verdade. Mas isto que não pode dizer-se é o que tem de escrever-se."

"O que verdadeiramente ama, aprende a morrer."
María Zambrano, A Metáfora do Coração e Outros Escritos, trad. José Bento, Assírio&Alvim, 1993)
Nota: 1º excerto retirado do ensaio "Porque se Escreve", frase a seguir à imagem da capa retirada do ensaio "Dois Fragmentos Sobre o Amor"

mudanças!

venham daí as observações feng shui, demos uma volta ao andar de cima. onde está a cafetaria? venha descobrir.

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

intervalo

ando tão prática

(incompatibilidade severa entre produção e respiração)
é detestável.

perseguido por este poema 4


"Olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas"

- "Um beijo que tivesse um blue" - Ana Cristina César
( com o devido agradecimento a Dona Jú, que me apresentou esta senhora há largos anos, antes do meu achamento da literatura escrita do outro lado do oceano)