Domingo, 31 de Maio de 2009
acordar com frases na cabeça
(Sérgio Godinho)
Sábado, 30 de Maio de 2009
o blog que quer deixar de fumar #4
Descobri que a vontade de fumar é directamente proporcional às horas de sono em falta. Assim, se considerarmos que durmo em média 4,5 horas por noite, nunca deixarei de fumar.
(cigarros fumados entre as 05h00 e as 11h30 - 3 e uma ponta, que desgraça)
(e já recebo mails de apoio psicológico, válátuconsegues&afins)
actividades Obscena
31 de Maio, 17h, São Luiz Teatro Municipal, Lisboa
Participe também neste debate fazendo-nos chegar as suas questões e dúvidas até 29 de Maio para o e-mail obscena@revistaobscena.com
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
o blog que quer deixar de fumar #3
e é claro que apareceu toda a gente.
reparem
a visão predominantemente biológica das distâncias.
pensar se
1+1=2
1+1=3
1+1= 1+1
não é pensar no alimento das formas.
(nem todo o movimento é sexual)
as cidades invisíveis: a literatura enquanto morada (parte 1027)
«ce que nous devons apprendre ce n'est pas à changer une fois, c'est à nous transformer sans cesse pour être toujours adaptés»
«obra aberta», disponível para diversas fruições, carácter incompleto que indica sem vincular ampliações e alterações, atitude activa - compreensão e participação criadora dos utentes.

a cidade não dorme. a cidade não sonha. a cidade desdobra-se.
o leitor-amante lê e participa do espaço, possibilidade de existência.
nesta relação, a finalidade do corpo é a figuração do amor.
o blog que quer deixar de fumar #2
a pessoa que já não fuma há quinze ou dezasseis horas, desce, pelas quatro e meia da manhã, a rua principal do bairro que escolheu como morada (bairro que, de resto, pouco ou nada tem de vícios).
esta pessoa, que desce a rua num estado particularmente feliz, depara-se com um trio de jovens fumadores. então, irá gentilmente perguntar: haverá aqui alguém que me empreste um cigarro? e os jovens, ébrios, vociferarão, oh minha linda, e quando é que mo devolves? com uns olhos tão bonitos vou-te encontrar em qualquer parte. a pessoa aceitará o cigarro, sorridente, e confessará: eu não devia, pá. então porquê, continuarão eles, num volume perfeitamente desadequado. e a tal pessoa pedirá, em primeiro lugar, que falem mais baixo (e será respeitada) e explicará que deixou de fumar nessa manhã, e devolverá o cigarro, e seguirá para casa.
não fossem os jovens tão aparentemente desinteressantes quanto obviamente bêbedos e poderia ter-se iniciado ali uma bela amizade.
o blog que quer deixar de fumar #1
de mim para mim, um minuto depois: mas tu pensas que me enganas?
de mim para mim, aproveitando a dúvida: então porque é que estás aí parada em frente ao computador há dez minutos? não consegues escrever, não é? não consegues pensar em mais nada, confessa. se fumasses um cigarro ficavas mais calma, as ideias alinhavam-se. e não vás naquelas tretas daquele miúdo que te dizia que a escrita dele ficava poluída quando fumava, ele já era um bocadinho poluído por natureza. e não te aproveites da neura para falar mal de um ex-namorado, é indecente. se fumares um cigarro voltas a ter controlo naquilo que dizes, vá lá. cravas só um à madalena, as pessoas vão compreender.
de mim para o ricardo: aiaiaiaiaiai.
merda, fumei um cigarro. merda, fumei outro.
(nãofumomais)
(nãofumomais)
(nãofumo)
mais.
notas sobre a urgência
o embate - ou a colisão - é movido por duas forças que se direccionam para o mesmo ponto.
o centro do embate - o ponto.
o centro do embate- o impacto.
a velocidade do percurso é maior que a velocidade da chegada.
imagine-se um corpo em queda, o impulso da partida, a velocidade do movimento.
imagine-se um corpo que se desloca caindo e que a queda é antes um mergulho e que o chão é antes água e que a dor é, afinal, só prazer.
cumplicidade geométrica.
segunda imagem
o corpo remetente é laranja, o corpo chegada é azul.
Late night snack
-"Vida Secreta" - PQ
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Hoje à noite...

Quem não vier dançar é claramente um arenque fumado!
(escolho cada vez melhor as imagens, não acham?)
já devo ter ingerido um litro e meio de água (o que até vem a calhar).
o ricardo quis mostrar que existem alternativas e, ao invés de parapeitarmos enquanto eu fumo um cigarro, parapeitámos com uma mousse de chocolate (vim a verificar que foi uma péssima ideia dado que a vontade de fumar, logo a seguir, quintuplicou).
ainda assim, mantenho-me confiante. quero dizer, nada de dramático. já fumava, já. mas não o vou fazer. (ok, talvez esteja a ficar um pouco sombria mas não posso ter a certeza que se deva à falta de nicotina)
palavras de hoje
(ou: tenham cuidado, tenham muito cuidado, ela diz que não volta a fumar)
como a tua sombra abre na luz a porta*
está sempre a aparecer qualquer coisa que se intromete e estraga tudo, que.
suspende as restantes actividades, que.
faz quebrar promessas.
Ulisses a Circe:
(Pascal Quignard, em Vida Secreta, que acabei de roubar ao Ricardo)
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Poema Impossível
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.
Herberto Helder
(para pararem de dizer que não citamos best-sellers)
(E sempre a voz da Sra Alexa ao fundo)
Das ligações
"O mentiroso deve calar-se. O segredo da sua mensagem deve ser calado. O segredo é o único laço entre seres que não são uma aparência uma vez que ele não pode ser manifestado. Tudo o que é extravertido é uma forma que pode ser apercebida ou conhecida. Só o dissimulado pode ligar ao coração. Pode ligar os corações. Só o segredo pode ligar substancialmente os seres."-"Vida Secreta" - Pascal Quignard
Literatura como espelho

"Conceito de actualidade substituído pelo conceito de presença, com todas as responsabilidades que isso implica. Presença significa atenção, única via para realizar e realizar-se. Palavra discreta que implica outras; todas as outras, as que conservam um significado."
"Leitura atenta da realidade e da arte. Por isso, leitura total, em múltiplos planos: poética, humana, espiritual, religiosa e simbólica.
Que ligue o tempo ao tempo, o espírito ao espírito, crie relações, descubra analogias."
"Vida e não sombra de vida"
-"Sob um falso nome" - Cristina Campo - Assírio&Alvim
185
Quando os Cavalheiros podem ver -
Mas os Microscópios são prudentes
Numa Emergência.
Emily Dickinson, em Poemas e Cartas, Cotovia, 2000, trad. Nuno Júdice
Duplo passatempo 2
Uma resposta completa e duas meias respostas.
Ora bem isto dá 2 prémios.
Ou melhor, um prémio e dois meios.
Ora o que vai ser?
Um livro para o primeiro prémio e os outros concorrentes são corridos a fascículos.
Ou os concorrentes querem partilhar?
Só para avisar que os livros serão escolhidos por nós, mas tendo em consideração os gostos pessoais.
Não os vossos, mas os nossos.
Borda d'Água para todos?
Já estão arrependidos de ter concorrido?
Os prémios serão atribuídos a partir das 18h de hoje ( para o Sr Joel não sair de mochila vazia)
(desculpem lá mas é a primeira vez que faço isto e hoje o livreiro não está para graçolas)
explicações
Pensará que só assim timidamente descalço, poderá criar raízes.»
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Até os génios têm direito às suas patetices
(ou uma desculpa para continuar a "postar" palermices)
( ou mais uma desculpa para fazer "orelhas moucas", desculpe sr compositor)
O consolo dos clássicos

A Anita encosta-se à parede e deixa-se escorregar até ao chão. Enrolada numa bola de tristeza ela desata a chorar.
Chora. Chora como o Pantufa nunca tinha visto. O cão acode à sua pequena dona; interroga-a com o olhar, tenta compreendê-la.
Perturbado ele corre em todas as direcções; com o nariz húmido tenta desviar as mãos da menina.
"Anita, estou aqui! O que se passa? Conta-me tudo."
-"Anita- adoro o meu irmão"
passo nº2 para a livreira começar a viver
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
um bilhete que me deu a ganhar pelo menos uma semana de vida
Fica.
Mas compra o bilhete. Compra-o, não vás querer entrar num comboio de repente.
Fica, mas deixa-te viver.
Desvortexa-te.
Ana
De Artaud para artolas

"Basta de poemas individuais que dão muito mais proveito a quem os cria do que a quem os lê.
De uma vez para sempre, basta de esta arte fechada, egoísta e pessoal. A nossa anarquia espiritual e desordem intelectual são função da anarquia de tudo o mais, ou melhor, tudo o mais é função desta anarquia."
-"Teatro e o seu duplo"- Artaud - Fenda
Deslumbrado por este poema

"Nem sempre o Mistério
(das palavras certas a tempo)
Da inércia
Voices in my head...
Devo avisar que graças ao Sr Gorecki, desde sábado que ando a perder comboio atrás de comboio, metro atrás de metro...
I.Lento - sostenuto tranquillo ma cantabile - movo-me com destreza por entre as pessoas, incrível a velocidade de movimentos tendo em conta o que estou a ouvir.
II.Lento e Largo - petrificado a olhar para os transeuntes que se movem a grande velocidade, demasiada velocidade, e eu suspenso...
III-Lento - cantabile - semplice - depois de duas tentativas falhadas para me levantar resolvo ouvir o terceiro andamento sentado, olhos fechados, tendo a certeza de que olham para mim e abanam a cabeça , reconhecendo embriaguez mas não sabendo que bebo pelos ouvidos.
Momento total
"Ó Chama, ainda assim!...Coisa viva e divina!...Mas o que é uma chama, meus amigos, senão o próprio momento?
- O que há de louco e de alegre e de formidável no próprio instante?...Chama é o acto deste momento que está entre a terra e o céu. Ó meus amigos , tudo o que passa do estado pesado ao estado subtil, passa pelo momento de fogo e de luz..."
-"A alma e a dança" - Paul Valery - Fenda - tradução: Maria João Mayer Branco
agora
apontamento
desta vez garanto que não me fui embora.
Domingo, 24 de Maio de 2009
surpresas
Sábado, 23 de Maio de 2009
strawberry place
*
em dias de chuva os rapazes convidam as raparigas a entrar
e vestem-lhes casacos
que lhes ficam bem
e a chuva acalma
*
o que vestem, elas, quando vestem os casacos deles?
caraças, é mesmo sábado
Pensar no amor ou é: não pensar, ou é: não-amor.
Gonçalo M. Tavres, Investigações. Novalis, Difel, 2002
gosto de sábados
(ou o milagre da multiplicação das anas)
inaugurou hoje às 15h00 na galeria pedro serrenho a exposição da ana tecedeiro. Só pelo título já vale a pena ir espreitar: cartas de amor de Penélope para Ulisses.Redescoberto às 4 a.m.

"Há os que deixam venenos e os que deixam remédios.
Difíceis de distinguir. É preciso provar."
"Erguendo-se antes do seu sentido, uma palavra nos desperta, nos concede a claridade do dia, uma palavra que não sonhou"
"É preciso tremer para crescer"
"Os silenciosos incuráveis
A figueira que amamenta as ruínas
Aqueles que canalizam a espuma do mundo subterrâneo"
"O ar era maternal
As raízes cresciam"
-"Este fanático das nuvens" - René Char
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
atenção atenção atenção a cada momento
"Existimos em relação com todos os pontos do universo, tal como com o futuro e com o passado. É só da direcção e da duração da nossa atenção observadora que depende a questão de sabermos que relação preferimos cultivar, que relação será para nós a mais importante e a mais activa."
-Fragmentos - Novalis
senhores e senhoras
mais algum desejo?
(a foto foi roubada deste blogue com muito bom ar mas posso garantir que os nossos são praticamente iguais)
querido diário
depois ainda há quem me pergunte, em noites de quinta-feira, se as pessoas me intimidam. claro que não. só as que vêem.




































