«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Domingo, 31 de Maio de 2009

é hoje e não é na Trama

"O QUE FAZ O VERMELHO À QUINTA-FEIRA"
No Museu da Marioneta, Pedro

acordar com frases na cabeça

Pode alguém ser livre
se outro alguém nao é
a algema dum outro
serve-me no pé
nas duas mãos,
sonhos vãos,
pesadelos
diz-me:
Pode alguém ser quem não é?
(Sérgio Godinho)

homens-árvore


ilustrações de Maggie Taylor retiradas do blog da Bruaa

Sábado, 30 de Maio de 2009

chego aqui num corpo dividido em dois - um que se firma no chão, outro que quer desaparecer para dentro.
os gatos ocuparam o meu lugar na cama e deixaram uma mancha de pelos escuros no lugar a que o meu corpo pertence. ao que parece, hoje até a casa quer desaparecer, dobrando-se (ou comendo-se, como o corpo-refém) até restar apenas um quadrado no soalho - o quadrado onde escrevo.
o que é que estás aqui a fazer?

Jo Mango e a flautinha (por vezes) irritante

1,2,3
1,2,3
1,2,3
1,2,3
Come to me quietly, do not do me injury

o blog que quer deixar de fumar #4

Novos resultados: das 20h às 05h00, perfazendo então um total de 9 horas sem cigarros.
Descobri que a vontade de fumar é directamente proporcional às horas de sono em falta. Assim, se considerarmos que durmo em média 4,5 horas por noite, nunca deixarei de fumar.
(cigarros fumados entre as 05h00 e as 11h30 - 3 e uma ponta, que desgraça)
(e já recebo mails de apoio psicológico, válátuconsegues&afins)

actividades Obscena

Debate - Que política cultural para a Europa?
31 de Maio, 17h, São Luiz Teatro Municipal, Lisboa
A revista OBSCENA organiza um debate público inteiramente dedicado às políticas culturais para a Europa. Pela primeira vez numa campanha eleitoral para o Parlamento Europeu discutir-se-ão, com a presença dos principais partidos candidatos às eleições, as diferentes estratégias e propostas para o sector.
Com a presença dos candidatos a eurodeputados Edite Estrela (Partido Socialista), João Ferreira (CDU), Rui Tavares (Bloco de Esquerda), Mário David (PSD) e Teresa Ceiro (CDS-PP). Moderação de Tiago Bartolomeu Costa, director da revista OBSCENA.
Participe também neste debate fazendo-nos chegar as suas questões e dúvidas até 29 de Maio para o e-mail obscena@revistaobscena.com
A entrada é livre. Quem não quiser ir ao São Luiz pode assistir no site do Público, onde decorrerá um forum conduzido pelo António Granado. E se não quiserem (porque vão para a praia, ver o jogo da taça ou participar na apresentação do movimento pela igualdade no casamento, no S. Jorge, às 16h), podem assistir, depois, em diferido, no site do Rádio Clube, onde fica em podcast por uma semana, até sexta.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

o blog que quer deixar de fumar #3

encontrei um cigarro num armário. esperei, nervosíssima, que o ricardo fosse almoçar. sentei-me no parapeito, na esperança de não ser vista. acendi o cigarro.
e é claro que apareceu toda a gente.

também há livros por aqui

(Mondrian, que usou o losango como estrutura, deixara antes de falar com um amigo que tentara inserir uma diagonal no seu sistema fixo de linhas verticais e horizontais.
Dizia procurar uma arte de relações puras.)

para relembrar que hoje há concerto na Trama

reparem

que me aborrece profundamente a visão exclusivamente matemática de qualquer união ou.
a visão predominantemente biológica das distâncias.
pensar se
1+1=2
1+1=3
1+1= 1+1
não é pensar no alimento das formas.
(nem todo o movimento é sexual)

oh livreira, o que fazes quando saires da trama esta noite?

as cidades invisíveis: a literatura enquanto morada (parte 1027)

institucionalização da mudança, que supõe «provisórias» as aquisições técnicas, científicas e mesmo artísticas.
«ce que nous devons apprendre ce n'est pas à changer une fois, c'est à nous transformer sans cesse pour être toujours adaptés»
«obra aberta», disponível para diversas fruições, carácter incompleto que indica sem vincular ampliações e alterações, atitude activa - compreensão e participação criadora dos utentes.
(algumas notas retiradas do livro a arquitectura para hoje, de Nuno Portas, 1964)


a cidade não se esgota. o leitor-morador reconhece o carácter provisório da sua construção. o edifício-livro transforma e é transformável, pela participação. a fruição é um exercício de dois sentidos, para lá e para cá. a fruição, situada no agora, soma histórias possíveis.
a cidade não dorme. a cidade não sonha. a cidade desdobra-se.
o leitor-amante lê e participa do espaço, possibilidade de existência.
nesta relação, a finalidade do corpo é a figuração do amor.

o blog que quer deixar de fumar #2

podemos ainda provar que o método (nãofumomais) pode contribuir para a vida social do agarrado. passamos a narrar:
a pessoa que já não fuma há quinze ou dezasseis horas, desce, pelas quatro e meia da manhã, a rua principal do bairro que escolheu como morada (bairro que, de resto, pouco ou nada tem de vícios).
esta pessoa, que desce a rua num estado particularmente feliz, depara-se com um trio de jovens fumadores. então, irá gentilmente perguntar: haverá aqui alguém que me empreste um cigarro? e os jovens, ébrios, vociferarão, oh minha linda, e quando é que mo devolves? com uns olhos tão bonitos vou-te encontrar em qualquer parte. a pessoa aceitará o cigarro, sorridente, e confessará: eu não devia, pá. então porquê, continuarão eles, num volume perfeitamente desadequado. e a tal pessoa pedirá, em primeiro lugar, que falem mais baixo (e será respeitada) e explicará que deixou de fumar nessa manhã, e devolverá o cigarro, e seguirá para casa.
não fossem os jovens tão aparentemente desinteressantes quanto obviamente bêbedos e poderia ter-se iniciado ali uma bela amizade.

o blog que quer deixar de fumar #1

de mim para mim: fuma um. vá lá. só um.
de mim para mim, um minuto depois: mas tu pensas que me enganas?
de mim para mim, aproveitando a dúvida: então porque é que estás aí parada em frente ao computador há dez minutos? não consegues escrever, não é? não consegues pensar em mais nada, confessa. se fumasses um cigarro ficavas mais calma, as ideias alinhavam-se. e não vás naquelas tretas daquele miúdo que te dizia que a escrita dele ficava poluída quando fumava, ele já era um bocadinho poluído por natureza. e não te aproveites da neura para falar mal de um ex-namorado, é indecente. se fumares um cigarro voltas a ter controlo naquilo que dizes, vá lá. cravas só um à madalena, as pessoas vão compreender.
de mim para o ricardo: aiaiaiaiaiai.
merda, fumei um cigarro. merda, fumei outro.
(nãofumomais)
(nãofumomais)
(nãofumo)
mais.

notas sobre a urgência

primeira imagem
um corpo, rectangular, embate noutro, com a mesma forma, embora mais pequeno.
o embate - ou a colisão - é movido por duas forças que se direccionam para o mesmo ponto.
o centro do embate - o ponto.
o centro do embate- o impacto.
a velocidade do percurso é maior que a velocidade da chegada.
imagine-se um corpo em queda, o impulso da partida, a velocidade do movimento.
imagine-se um corpo que se desloca caindo e que a queda é antes um mergulho e que o chão é antes água e que a dor é, afinal, só prazer.
cumplicidade geométrica.
segunda imagem
o corpo remetente é laranja, o corpo chegada é azul.

"Há um outro mundo no interior deste mundo. Os odores tentam.
O perfume é a tentação do que não é visto."

Late night snack

"Basta um pouco de silêncio, que as palavras regressam, que a alma se purifica um pouco do social, que o corpo se desnuda um pouco"

-"Vida Secreta" - PQ

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Hoje à noite...


Quem não vier dançar é claramente um arenque fumado!


(escolho cada vez melhor as imagens, não acham?)
as primeiras seis horas decorreram sem problemas. não foi registada qualquer ansiedade, mantenho-me bem disposta.
já devo ter ingerido um litro e meio de água (o que até vem a calhar).
o ricardo quis mostrar que existem alternativas e, ao invés de parapeitarmos enquanto eu fumo um cigarro, parapeitámos com uma mousse de chocolate (vim a verificar que foi uma péssima ideia dado que a vontade de fumar, logo a seguir, quintuplicou).
ainda assim, mantenho-me confiante. quero dizer, nada de dramático. já fumava, já. mas não o vou fazer. (ok, talvez esteja a ficar um pouco sombria mas não posso ter a certeza que se deva à falta de nicotina)

palavras de hoje

watermelon sunrise
(ou: tenham cuidado, tenham muito cuidado, ela diz que não volta a fumar)

como a tua sombra abre na luz a porta*

raio de vida, uma pessoa quer ter método, quer seguir uma ordem, tem planos, listas, mas.
está sempre a aparecer qualquer coisa que se intromete e estraga tudo, que.
suspende as restantes actividades, que.
faz quebrar promessas.
* segundo capítulo do livro, aberto, como sempre, ao calhas
crítica à exposição da Sara Franco, responsável pelas Artes Visuais aqui do estaleiro.
Para ler, clicar na imagem.
A exposição está na Galeria Bernardo Marques
(Rua D.Pedro V, 81 Lisboa)

esta noite

sonhei com a internacional situacionista. felizmente, não há qualquer entrada no índice remissivo d'A Interpretação dos Sonhos.
há quem pense que passamos o dia a falar com pessoas interessantes sobre livros, filmes, música&afins...
e não é que é mesmo verdade?

Ulisses a Circe:

Do segredo do teu segredo (que o teu ventre é o buraco escuro de uma casa escura) eu serei o confidente.
(Pascal Quignard, em
Vida Secreta, que acabei de roubar ao Ricardo)

Há uma hora, há uma hora certa


A esta hora ouve-se o silêncio

Para ouvir de olhos fechados

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Poema Impossível

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.

Que balouçam. Que são puras.

Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.

Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.


Herberto Helder

(para pararem de dizer que não citamos best-sellers)

(E sempre a voz da Sra Alexa ao fundo)

Como David e Jónatas

Das ligações

"O mentiroso deve calar-se. O segredo da sua mensagem deve ser calado. O segredo é o único laço entre seres que não são uma aparência uma vez que ele não pode ser manifestado. Tudo o que é extravertido é uma forma que pode ser apercebida ou conhecida. Só o dissimulado pode ligar ao coração. Pode ligar os corações. Só o segredo pode ligar substancialmente os seres."

-"Vida Secreta" - Pascal Quignard

Desculpem o tom Pergaminho

Literatura como espelho


"Conceito de actualidade substituído pelo conceito de presença, com todas as responsabilidades que isso implica. Presença significa atenção, única via para realizar e realizar-se. Palavra discreta que implica outras; todas as outras, as que conservam um significado."

"Leitura atenta da realidade e da arte. Por isso, leitura total, em múltiplos planos: poética, humana, espiritual, religiosa e simbólica.
Que ligue o tempo ao tempo, o espírito ao espírito, crie relações, descubra analogias."

"Vida e não sombra de vida"



-"Sob um falso nome" - Cristina Campo - Assírio&Alvim

185

A "Fé" é uma bela invenção
Quando os Cavalheiros podem ver -
Mas os Microscópios são prudentes
Numa Emergência.
Emily Dickinson, em Poemas e Cartas, Cotovia, 2000, trad. Nuno Júdice

planos para esta semana

e não é que na sexta temos um concerto de hip-hop?

Duplo passatempo 2

Resultados

Uma resposta completa e duas meias respostas.
Ora bem isto dá 2 prémios.
Ou melhor, um prémio e dois meios.
Ora o que vai ser?
Um livro para o primeiro prémio e os outros concorrentes são corridos a fascículos.
Ou os concorrentes querem partilhar?
Só para avisar que os livros serão escolhidos por nós, mas tendo em consideração os gostos pessoais.
Não os vossos, mas os nossos.
Borda d'Água para todos?
Já estão arrependidos de ter concorrido?

Os prémios serão atribuídos a partir das 18h de hoje ( para o Sr Joel não sair de mochila vazia)


(desculpem lá mas é a primeira vez que faço isto e hoje o livreiro não está para graçolas)

faire d'un mot le bel amant d'une phrase

explicações

«O rapaz da mesa da frente ainda não se apercebeu de que eu já me apercebi que ele se descalçou. É um hábito que tem sempre que vem ao Café, libertar os pés para sentir sob a textura das meias, a temperatura do chão.
Pensará que só assim timidamente descalço, poderá criar raízes.»
João Luís Barreto Guimarães, em Lugares Comuns, Mariposa Azual, 2000

Não existem pequenos milagres

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

duplo passatempo


1- De que videoclip é tirada esta imagem?

2- Qual o autor do quadro ao fundo?

Há esperança...


...quando uma mãe e três crianças passam de carro a cantar "Loser" com o rádio no estalo

Todo o sanjo é terrível (desculpem não resisti)


(mil desculpas, estou descontrolado)

Até os génios têm direito às suas patetices



(ou uma desculpa para continuar a "postar" palermices)

( ou mais uma desculpa para fazer "orelhas moucas", desculpe sr compositor)

This mess we're in

O consolo dos clássicos


A Anita encosta-se à parede e deixa-se escorregar até ao chão. Enrolada numa bola de tristeza ela desata a chorar.
Chora. Chora como o Pantufa nunca tinha visto. O cão acode à sua pequena dona; interroga-a com o olhar, tenta compreendê-la.
Perturbado ele corre em todas as direcções; com o nariz húmido tenta desviar as mãos da menina.
"Anita, estou aqui! O que se passa? Conta-me tudo."


-"Anita- adoro o meu irmão"


does anyone care to dance?



(hoje à tarde o parapeito está por minha conta)

S. FILIPE DE NÉRI, presbítero

E não é que hoje é dia de São Filipe Néri? A história do Santo, aqui.
(informação trazida pelo Rui, a.k.a. senhor cliente)

dos nomes

como é que pode haver outro?

bom dia

Dan Perjovschi

passo nº2 para a livreira começar a viver

(em vez de dormir) passar horas sentada no chão a ouvir estas coisas.
e
vir ao blogue constatar que o seu colega de trabalho está lá. (ver post abaixo)

A urgência da noite torna tudo claro

Palavras (in)visíveis

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

passo nº1 para a livreira começar a viver

dormir.

um bilhete que me deu a ganhar pelo menos uma semana de vida

Fica na estação o tempo que quiseres.
Fica.
Mas compra o bilhete. Compra-o, não vás querer entrar num comboio de repente.
Fica, mas deixa-te viver.
Desvortexa-te.
Ana

a livreira-doméstica

porque é que te sentas aqui quando devias estar a fazer o jantar?

De Artaud para artolas


"Basta de poemas individuais que dão muito mais proveito a quem os cria do que a quem os lê.
De uma vez para sempre, basta de esta arte fechada, egoísta e pessoal. A nossa anarquia espiritual e desordem intelectual são função da anarquia de tudo o mais, ou melhor, tudo o mais é função desta anarquia."


-"Teatro e o seu duplo"- Artaud - Fenda

Deslumbrado por este poema


"Nem sempre o Mistério
está fora do alcance da mão, como
o país estrangeiro. Por vezes ele viaja para cá,
encosta-se às decisões materiais de
um dia vulgar;
e surge, súbita e absurdamente,
no meio de uma acção do quotidiano.
Descuidados, nessa altura, chamamos ao mistério erro,
e rapidamente o eliminamos."


Gonçalo M. Tavares, em 1, Relógio D'Água, 2004

(das palavras certas a tempo)

Das Magias

Ó p'ra mim tão fashion

Até temos cadernos da Levi´s para oferecer!

Da inércia

Isto de estar a ouvir a mesma canção (lamechas) desde as 16h para não subir as escadas transforma-me num ser melancólicamente preguiçoso.

Isto hoje não está nada fácil...


Se não fosse a visita do Sr Baltazar ao final da tarde, com a sua receita sonora...

Dos velhos tempos do VHS

Voices in my head...


Devo avisar que graças ao Sr Gorecki, desde sábado que ando a perder comboio atrás de comboio, metro atrás de metro...

I.Lento - sostenuto tranquillo ma cantabile - movo-me com destreza por entre as pessoas, incrível a velocidade de movimentos tendo em conta o que estou a ouvir.

II.Lento e Largo - petrificado a olhar para os transeuntes que se movem a grande velocidade, demasiada velocidade, e eu suspenso...

III-Lento - cantabile - semplice - depois de duas tentativas falhadas para me levantar resolvo ouvir o terceiro andamento sentado, olhos fechados, tendo a certeza de que olham para mim e abanam a cabeça , reconhecendo embriaguez mas não sabendo que bebo pelos ouvidos.

Momento total

"Ó Chama, ainda assim!...Coisa viva e divina!...
Mas o que é uma chama, meus amigos, senão o próprio momento?
- O que há de louco e de alegre e de formidável no próprio instante?...Chama é o acto deste momento que está entre a terra e o céu. Ó meus amigos , tudo o que passa do estado pesado ao estado subtil, passa pelo momento de fogo e de luz..."


-"A alma e a dança" - Paul Valery - Fenda - tradução: Maria João Mayer Branco

olha os livros que eles lá têm

agora

que um senhor descalço num palco, munido de um violino, uma guitarra e um assobio, pode ser uma coisa assombrosa, lá isso pode.

apontamento

ontem vi o pedro vieira no concentro do andrew bird mas ele não me viu.
desta vez garanto que não me fui embora.

Domingo, 24 de Maio de 2009

planos para hoje

surpresas

ando muito curiosa em relação ao trabalho que os alunos da escola antónio arroio andam a preparar para as nossas cadeiras... mas é surpresa!

Sábado, 23 de Maio de 2009

strawberry place

em dias de chuva as raparigas correm atrás dos rapazes. abrigam-se sob as varandas, ofegantes e felizes. e ficam com os ombros molhados, as raparigas, mas não se importam porque os rapazes olham e sonham com dilúvios.
*
em dias de chuva os rapazes convidam as raparigas a entrar
e vestem-lhes casacos
que lhes ficam bem
e a chuva acalma
*
o que vestem, elas, quando vestem os casacos deles?

caraças, é mesmo sábado

Não pensar no amor porque o amor não se pensa.
Pensar no amor ou é: não pensar, ou é: não-amor.
Gonçalo M. Tavres, Investigações. Novalis, Difel, 2002

mais razões para gostar de sábados

«Tu és a própria tarefa. Aqui não se avista nenhum aluno.»
(idem)

gosto de sábados

«A partir de um certo ponto já não há regresso. Há que atingir este ponto.»
Kafka, Aforismos, Assírio&Alvim, 2008, trad. Álvaro Gonçalves.

genial



Mon Oncle, Jacques Tati
1.
Gosto de ler, agora não tenho tido tempo para ler.
2.
Gosto de música, agora não tenho tido tempo para tocar.
3.
Gosto de viajar, agora não tenho dinheiro para nada.
4.
Gostava de ter uma empresa minha, ah. Isso. É complicado.
?

querem tudo, não fazem nada.

(ou o milagre da multiplicação das anas)

inaugurou hoje às 15h00 na galeria pedro serrenho a exposição da ana tecedeiro. Só pelo título já vale a pena ir espreitar: cartas de amor de Penélope para Ulisses.

Bebei...

"It's never over
My kingdom for a kiss upon her shoulder"

(quantas moçoilas não terão suspirado a ouvir isto, este Sr sabia mandar piropos com classe)

(só agora despertei)

Não há cá jazzinho


(cortesia do Sr Mouro com Sr Serpa a roer-se ao fundo)

Les Ombres Errantes

Redescoberto às 4 a.m.


"Há os que deixam venenos e os que deixam remédios.
Difíceis de distinguir. É preciso provar."

"Erguendo-se antes do seu sentido, uma palavra nos desperta, nos concede a claridade do dia, uma palavra que não sonhou"

"É preciso tremer para crescer"

"Os silenciosos incuráveis
A figueira que amamenta as ruínas
Aqueles que canalizam a espuma do mundo subterrâneo"

"O ar era maternal
As raízes cresciam"


-"Este fanático das nuvens" - René Char

S O S


O livreiro dormente precisa de duas lambadas bem dadas para se manter activo.

(Se por acaso reparar que o livreiro não "posta" há mais de 30 mts, por favor, ligue para a Trama (213888257) ou dirija-se ao humilde estabelecimento e faça o "gosto à mão". Obrigado)

Prémio "melhor frase de ontem"


Na vida, é preciso nariz! :-P

Uma certa dolência mas ainda a mexer




GGGOOODD MMMOORRNIIINNGGG RRRATTTOOO

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Para o Sr Changuito

From my train seat i renounce my power, so that i do live i will die

atenção atenção atenção a cada momento


"Existimos em relação com todos os pontos do universo, tal como com o futuro e com o passado. É só da direcção e da duração da nossa atenção observadora que depende a questão de sabermos que relação preferimos cultivar, que relação será para nós a mais importante e a mais activa."

-Fragmentos - Novalis

senhores e senhoras

para acompanhar a sessão de cinema desta noite temos bolinhos para partilhar.
mais algum desejo?

(a foto foi roubada deste blogue com muito bom ar mas posso garantir que os nossos são praticamente iguais)

prioridades

para: Belard / de: Mel Kadel

querido diário

da última vez que usei uma saia perguntaram-me se estava com uns collants brancos (e não era uma piada).
depois ainda há quem me pergunte, em noites de quinta-feira, se as pessoas me intimidam. claro que não. só as que vêem.