«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Orelhas de Elefante #2



Porque há músicas de outras dimensões.

Eric Matthews, "The Imagination Stage", Empyrean Records, 2008

Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

a poesia não me interessa #2



Uma escrita que suporte a intempérie,
que se possa ler sob o sol ou a chuva,
sob o grito ou a morte,
sob o tempo nu.

Uma escrita que suporte o infinito,
as gretas que se repartem como o pólen.
a leitura sem piedade dos deuses,
a leitura iletrada do deserto.

Uma escrita que resista
à intempérie total.
Uma escrita que se possa ler até na morte.

Roberto Juarroz, "Poesia Vertical", Campo das Letras, 1998

quem será o poeta na imagem?


revista Textos e Pretextos - O Silêncio - 2004

faz o teu próprio livro das respostas

joão coração sugere-me que aponte para um caderninho repleto de frases. calha-me a seguinte: «quero ser bom homem mas por enquanto sou só homem.»
(oh diabo.)

ah pois claro que é


(às vezes a internet consegue divertir-me)

portador de um nome provisório "Nuno Bragança"


«Não sei de salvação que não brote do conhecimento socrático, o de nós mesmos.
»

(in
abril - revista de reflexão socialista, 4 de maio de 1978,
descoberta pelo rui almeida
também conhecido por senhor cliente)

Para saudar as férias de Verão que se aproximam...

o livreiro Emir passará dia e noite com os óculos escuros da Catarina

Da indecência na Trama



Segunda chego à Trama, "Pornografia" no sofá.
Terça, "Pornografia" em cima do balcão.
Ontem, "Pornografia" na montra.
Hoje, "Pornografia" no chão.

À noite, quando fecho a porta, o Sr Gombrowicz faz das suas.

A pensar com os meu botões

O meu equilíbrio é o monstro

Direitos do leitor



Nas próximas eleições para a CML, voto em quem instituir lugares reservados a leitores nos transportes públicos

Para o Francisco N ex bioquímico

Pequena autobiografia de Raduan Nassar

Paulista de Pindorama, moro em São Paulo desde a adolescência. Isto osto, acho que posso passar por um sujeito sem biografia, pois minha vida tem se resumido à banalidade de uns poucos desencontros. No colegial, depois de dois anos no científico, pulei para o clássico.
Comecei o curso de Letras Clássicas, nos tempos da Rua Maria Antônia, mas logo desisti.
Estudei Direito no Largo de São Francisco, mas abandonei o curso no último ano. Cursei filosofia na mesma Maria Antônia, e ia me iniciar na carreira universitária, mas piquei a mula em tempo. Trabalhei no comércio enquanto estudava, mas me mandei depois. Tentei me aventurar no estrangeiro, mas dei com os burros nágua. Dediquei uns bons aninhos ao jornalismo, e nunca mais voltei a uma redação. Diante disso, meu caro leitor, e mesmo diante de de outros desenganos menos banais, seria ledo engano concluir que só fiz quebrar a cara na vida. Hoje, finalmente estou perto de realizar o que mais queria ser quando criança: criador! Nada a ver, está claro, com a auto-suficiência exclusiva dos artistas (Deus os tenha!), que estou falando simplesmente em criador de bichos. É o que venho fazendo no sítio Capaúva, a 250 km de São Paulo, onde tenho passado mais tempo que na capital.
Aliás, se já suspeitei uma vez, continuo agora masi desconfiado ainda que não há criação artística que se compare a uma criação de galinhas."

(Francisco, de qualquer modo quando já tiveres acabado o curso já a Trama será quase uma multinacional, logo serás recebido de braços abertos neste teu novo emprego)

Hoje acordei com sotaque 2

- Ana Cristina César -

( sempre para a Ju, que me apresentou a esta senhora)

Hoje acordei com sotaque 1

Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

o homem da quarta-feira #2



A partida de Xadrez

"Um ing|ês e uma mulher da Rússia conheceram-se em Capri e viveram um breve e pungente encontro de amor. Depois o Inglês regressou a Londres e a mulher à grande planície. Decidiram continuar o seu amor jogando uma longa partida de xadrez à distância. De tempos a tempos, chegava da Rússia uma carta com uma jogada a fazer e, logo depois, chegava à Rússia uma carta com os números de Londres. Entretanto o inglês casou e teve três filhos. A amante viveu também um matrimónio feliz. A partida de xadrez prolongou-se ainda por vinte anos, com uma carta de cinco em seis meses. Um dia chegou ao inglês uma jogada de cavalo tão astuta que lhe ganhou a rainha. E ele percebeu que a jogada fora realizada por outra pessoa para lhe indicar que a mulher falecera."

Tonino Guerra, "Histórias Para Uma Noite de Calmaria", Assírio & Alvim, 2002
"Numa casa deserta não há presente
Da roupa largada no chão
ficou o abandono
Do volume das vozes
ficou o eco
Do viver a casa
ficaram as sombras
Parti antes ou depois dos objectos?
Os móveis permanecem
A roupa permanece
O que esvazia a casa
são as vozes exteriores
A luz do dia seguinte
O ruído do presente
lá fora"


- Gilles LaForet -

Post com mensagem subliminar sobre café

Do não ser feito do que é aparente



"O Ricardo vem sempre munido - raio de palavra - de uma elegância, creio que à conta do caríssimo guarda roupa e do bronze sarraceno que o caracteriza, e de uma altivez dignas de um verdadeiro Emir."

( a verdadeira piada de Verão por intermédio do sempre "novo e galante" Sr C)

stefan sagmeister












isto é brilhante
está por cá e, para quem acha piada a tipografia ou simplesmente a mensagens escondidas, vale a pena espreitar.

Três vivas à Relógio D'Água



(a minha inclinação natural vai para o Sr Pynchon, próxima leitura obrigatória)

A pensar com os meu botões 2


Há algumas semanas que o Sr Stirner grita aos meus ouvidos:

"Não há liberdade condicionada."

Crime e castigo na Trama

Sei que ultimamente não me ando a portar muito bem.
Sempre aluado, por vezes rabugento e com piadas muito foleiras.
Mas não mereço que a Catarina repita a mesma canção há mais de duas horas.
Ela repete o "Floating on the Leehigh" e cá em baixo eu é que me afogo em desespero.
"Erro meu, má fortuna..."

Para apurar a origem da minha espécie



Hoje acordei assim

senhor S
depois da água
trouxe a porta.
como é que se movimenta a porta que alguém traz nos braços?
pergunto-lhe.
o homem situa-se à minha frente
suspende-se: vertical,
como a porta.
e eu vejo que esperam por mim, homem e porta,
que tanto um como o outro podem abrir-se
ou fechar-se,
antes ou depois do corpo decidir,
entrar ou sair.
o dilema reside apenas nesta imagem
que não deixa que o ponto se mova
eu:
como é o abrir de uma porta que nada encerra, uma porta insegura?
sempre tive a sensação que a rota de um ponto era (suspende-se a voz) assim: em frente, sempre.
a menina fazia-se ao caminho, passo, hop, passo, hop. e pensava aflita que era preciso que lhe caísse uma parede à frente, caso contrário (suspende-se a respiração) assim: como é que se encontra um Amigo?
acordei a pensar num desenho: primeiro o ponto (objecto maior), depois um traço horizontal (ponto em devir), depois traço vertical (ligeiramente mais largo). para onde se dirige um ponto que embate numa linha? oh, as possibilidades - e cantei baixinho: aaaaaaaaaa (suspende-se o silêncio) aaaaaaa (espaço para variações de a) floating on the lehigh...
senhor rodin

Terça-feira, 28 de Julho de 2009

o asilo



©Bertolucci, Bernardo;1970

Faz falta a muita gente

Eu palino...e tu?


(Só para relembrar que esta é uma das mais importantes traduções do ano, e temos por cá.
Não é uma sorte?)

a pensar com os meu botões

É importante não confundir ser equilibrado com ser morno.

Fervor de Buenos Aires



Aparecia nos concertos. Não mais que "olás" envergonhados.Num final de tarde pediu à Catarina um guia de Buenos Aires. Não tínhamos.
Subiu ao primeiro andar em lágrimas e pediu-me uma sugestão, qualquer uma desde que referisse a cidade e esclarecesse dúvidas...
Tremi; impossível não congelar à frente de alguém que chora.
Ofereci-lhe um livro e um poema do Sr Borges.
Depois disso vários concertos passaram.
Fui sabendo algumas notícias dela.
Participou com o seu sax no album de uma mítica banda portuguesa.
Continuaram os "olás" envergonhados.
Ontem veio buscar a "Montanha Mágica":
"Na verdade venho despedir-me.
Para a semana vou estudar para Buenos Aires. O poema convenceu-me."

Cada vez mais acredito que um livro ou poema pode mudar vidas.
Mudou a minha.

Fica o poema do Sr Borges.

"As Ruas"

As ruas de Buenos Aires
estão já dentro de mim.
Não as ávidas ruas,
incómodas pla turba e pela azáfama,
mas sim as ruas monótonas do bairro,
quase invisíveis de tão habituais,
enternecidas de penumbra e ocaso,
e as outras mais longe,
alheias, de árvores piedosas
onde austeras casinhas mal se aventuram,
enevoadas por imortais distâncias,
perdendo-se em recôndita visão
de céu e de planície.
São para o solitário uma promessa
porque milhares de almas singulares as povoam,
única perante Deus e no tempo
e decerto preciosas.
Para o Oeste, Norte , e o Sul
estenderam-se - e são também a pátria - as ruas;
oxalá nos versos que desenho
estejam essa bandeiras.

Do livro que parte corações



Entre o suspirar...

"Também, pelas vias do mármore, é a carne do corpo;
assim, erecto,
(o corpo) é este ser vivo: uma pedra, agora, em
contemplação.
Não jaz ainda, em uníssono, com os elementos.
Sobre a metáfora
eleva-se, é mais uma língua. Forma sobre as formas,
vive,
mas agora vejo, (digo ) pedra esculpida, afinal à
superfície das águas, verbo, esta criação.

como outra linfa: a água do mármore, apenas seus
vasos
capilares, as ânforas, são os mais íntimos, a
pedra na pedra. Em redor ou em todo o desenho
- o da talha,

da natureza - é o mesmo tempo, corpo em decurso."

- Fiama Hasse Pais Brandão -


E o arfar...

"Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para um sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar"


- Maria Teresa Horta -

(antologia de poesia organizada por Eugénio de Andrade com a participação do Sr Herberto, do Sr Botto, Sr Tamen, Sr Ramos Rosa , Sr O'Neill , Sra Natália..., 1ª edição 1972

Caio verticalmente neste vício


"Caindo rude o corpo sobre o espaço do espírito
vagabundo
o espaço tomado da fadiga - minha vida movendo-se

Um corpo cai. Onde um corpo cai.

Participo
sobre este horizonte de mar
sobre este quotidiano de água

corpo que se move movendo-se o meu ser
quase água quase fadiga"

(sobre livros, objectos e pessoas que nos atravessam como último sopro de movimento)

soundcheck


selma uamusse
foto joão belard

Hoje acordei assim



E em perfeita harmonia com o irmão Karamazov

Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

o Mal-estar da Civilização #2


"A conclusão evidente é que o amor e a amizade devem compreender toda a humanidade e que devemos amar todos os nossos irmãos humanos sem discriminação. Este mandamento não é novo. A nossa razão é perfeitamente capaz de compreender a sua necessidade e a nossa sensibilidade é capaz de apreciar a sua beleza. E no entanto, tal como somos feitos, somos incapazes de lhe obedecer."

Konrad Lorenz, "A Agressão (Uma História Natural do Mal)", Relógio D'Água, 2001

breves notas sobre outras ligações

a relação entre o meu caderno azul, o livro do max stirner e o tagliatelle com salmão, é um regresso cauteloso àquilo a que costumava chamar de vida. é agradável: escolher uma palavra, um livro, pimenta rosa. transformar o que não se diz num exercício gestual: o gesto de colocar cada coisa no seu lugar; o caderno na mala, o livro na mesa, o tagliatelle na água a ferver.

O primeiro poema que me lembro ter lido


"O livro"

Nunca mais
a tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver para
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

- Sophia de Mello Breyner Andresen -

Conclusão - Adélia Prado

"Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo o dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerâniose ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?"

(Este texto é um poema, a última realidade. Qualquer semelhança com factos ou situações quotidianas é pura coincidência. Ou não...)

Desenvolvimento - Adélia Prado

"O que a memória ama, fica eterno.
Te amo como a memória, imperecível"

Introdução a Adélia Prado

"Eu quero uma licença de dormir,
perdão para descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.

Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes"

Cão que ladra não Mia

ó'pitta o comboio

planos para a semana

esta quinta, pelas 21h30


e na sexta, pela mesma hora

onde é que deixaste as tuas botas?

tenho verificado um aumento considerável na troca de elogios na blogoesfera. esta troca, que inclui muita saliva virtual, para além de ser um bocadinho enjoativa, começa a parecer-me perigosa.

Domingo, 26 de Julho de 2009

Retrato de Família #1



Georges P. Karamazov (1936-1982)


Sábado, 25 de Julho de 2009

dicionário das causalidades #1


A

Anti-herói


"Em redor do herói tudo se torna tragédia, em redor do semideus drama satírico;
em redor do Deus tudo se torna - como? talvez "mundo"
?"

Friedrich Nietzsche, "Para Além do Bem e do Mal", Guimarães Editores, 1982

Diários - Paul Klee



"Pensamentos sobre a arte do retrato. Alguns não reconhecrão a verdade do meu espelho. A eles digo que minha função não é retratar a superfície ( para isso existe a fotografia), mas penetrar o interior. Reflectir em meu espelho até o coração. Escrevo palavras na fronte e na comissura dos lábios. Os rostos que retrato são mais verdadeiros que os reais."

"A sensualidade é a flexibilidade da carne sob uma pressão maior. Olhos cegos de tantas cores. Ouvidos encharcados de sons. Narizes de aromas. Também os órgãos do amor."

"Eu, homem criança, quero coroar-te de flores, pálido rosto.
Nas paredes brancas dá para ler que há crisântemos por perto.
Teus lábios frios carecem de um pouco de febre; um beijo talvez os proteja da secura.
Como estás linda em cores que são apenas ilusão de cores.
Meus olhos saciados e famintos queriam combinações inéditas de sombras.
Se eu morresse, duas flores da noite brilhariam docemente ao crepúsculo. Eu recitaria um credo aos teus olhos contornados por delicado e profundo sombreado, e acreditaria no que eles me dissessem na hora da despedida."

Das conversas do sofá

A imobilidade

"Começou a desligar-se das coisas e dos homens. Olhava o jovem vaqueiro no rio e sabia que apenas podia admirá-lo, em seus gestos com o boi, mas não aproximar-se. Assim com a rapariga que, da árvore, colhia cerejas. Como se o ar formasse um muro diante de si. Então fixou a água, que a seus pés corria, e a água já não reflectia a sua própria imagem."

-"Histórias para uma noite de calmaria"- Tonino Guerra - Assírio&Alvim

(este vai ser para a Manuela, para o Fernando, para o Tiago, para o Francisco, para a Rita, para a Isobel, para a Marisa, para o Miguel, para o Jorge, ... , ..., ..., ..., ..., ou seja, não vou parar de o impingir este objecto precioso até que esteja em cima da mesinha de cabeceira de todas as pessoas de bom gosto que conheço.
Depois não digam que não avisei.)

Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Orelhas de Elefante #1


Porque há musicas de outras dimensões.

John Foxx and Robin Guthrie, "Mirrorball", Metamatic Records, 2009

a trama também é mecenas

hoje ofereci um caderno ao miguel-manso.

auguste rodin

ele

esteve cá na quarta-feira. eu já não estava.
hoje descobri que lhe assentaria bem a definição de jardineiro porque acredita que a beleza é conhecimento.
(o homem da quarta-feira tem um segredo. descobriu coisas. tem um jardim.)

Das nossas ligações 2

"Por que razão haveria de abrir os olhos,
se o que me rodeia já está dentro de mim.
Em vão perco o que em vão procuro.
Olhando sem olhar,
tocando sem tocar, ouvindo
sem que até mim chegue já som algum,
imóvel,
igual a uma pedra.
Pouco a pouco,
o oculto e o visível transformam-se num só
como o rio
e a sua sombra.
(E o silêncio
é escutar o coração de um anjo.)
Ponho à prova o presente:
o seu ponto de chegada sem chegada.
Pergunto-me quem sou,
quem és,
quem somos.
De pé , em frente ao abismo do silêncio,
começa outra noite.
"Caixa Negra" - Josep M Rodríguez

Das nossas ligações



Quando um corpo não possui mais pressão suficiente para produzir uma força para fora que contrabalance o peso de suas camadas externas, o corpo colapsa matematicamente a um ponto! Isto é chamado de singularidade (um corpo com densidade tendendo ao infinito no qual uma colherada conteria a massa de centenas de sóis). O campo gravitacional é tão forte que nem mesmo a luz é capaz de escapar dele e por isso tal corpo é chamado de Buraco Negro.

(estou a enlouquecer ou isto é pura poesia?)

coisas misteriosas que se encontram no sofá desta livraria



Hoje, dia de arrumações, encontrei outro bilhete, escrito no verso de um dos nossos marcadores de sugestões - um bom livro para alguém que mal conheço. Desta vez estava no sofá rosa, junto à secção de Arte.
Ao contrário do primeiro bilhete, este remete directamente para isto.
Estou com algum receio que o próximo esteja por aí com uma faca espetada...

são rosas, senhor

vozes dizem-me que tenho que ler isto com mais atenção.

josé cabral

Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

a poesia não me interessa #1


O Grito

Dos dias, sim, mas das noites
quem pergunta pelo nome
essas flores selvagens
(seriam flores?)
trazidas pelo teu assobio

A beleza nunca é clara
no modo em que se aproxima
Somos com certas coisas
um mundo ainda terrível
incapaz de explicações

sem nenhuma das certezas
mesmo aquelas, ínfimas, que sustentam
uma palavra, um olhar ou um grito

Só nos resta a maneira
mais pura:
de igual para igual
tão desconhecidos

José Tolentino Mendonça, "De Igual para Igual", Assírio & Alvim, 2001

com cinco letrinhas apenas, a dobrar

" ...
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se
[fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não
[venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer
[subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
... "
Receita de Mulher, Vinicius de Moraes, O operário em construção
_________________________________

"... a primeira, a descoberta de uma nova forma de multiplicar a gravura, de produzir uma outra forma de múltiplo; a segunda, a descoberta da trama propriamente fotográfica; a terceira, a descoberta de uma tomada de consciência do que representava a fotografia..."

Ana Hatherly, no livro Paredes de Pangim - Velha Goa de Maria José Palla (Assírio)
_________________________________
via gastão, o da toupeira

"Durante as filmagens de Uma Aventura na Martinica em 1944, Bogart conheceu aquela que seria sua quarta esposa e a que lhe traria o casamento mais feliz, a jovem actriz Lauren Bacall, ou Baby (como a chamava por ser 25 anos mais nova)."

o youtube não me deixa em paz

aiaiaiaiai que eu não posso ver estas coisas.

azul?


(não sei porque é que sempre que ponho um vídeo me lembro da anita)

olh'ó passatempo


os primeiros cinco mails que nos chegarem
(livraria.trama@gmail.com)
com o nome da menina que aqui está ilustrada
ganham
um bilhete
para o concerto
desta noite
na Trama
(por favor indicar nome e b.i.)

honest you do

Sei o mês exacto por medo de perder-te
Ainda. Como as viúvas indo para a missa
Cobrindo-me de luto, curva
Tão dolorosa, pondão desasteado, mendigo
A quem tivéssemos dado pão. A porção
Exacta, sei-a - eu dividi
Para dar-ta inteira - a minha vida.
Daniel Faria, em Dos Líquidos, Quasi, 2003

hoje à noite, Oh no! it´s betty again






“Oh no! it´s betty again” surge num
contexto musical académico na Primavera
de 2009 tendo como base uma formação
clássica de um trio de jazz, neste caso
guitarra, contrabaixo e bateria. O grupo
pretende criar um elo de ligação entre a
música “country” e o jazz americano
através da comunicação musical e
improvisação implícita, pretendendo assim
encarar temas de carácter simples e
composições elaboradas com a mesma
seriedade.
Serão interpretados temas dos
compositores Bill Frisell, Willie Nelson, Ry
Cooder, Harry Link, Paula Sousa, Frederick
Loewe entre outros, explorando deste
modo as imensas possibilidades a nível
harmónico e melódico dos vários
instrumentos provenientes deste trio.
Personnel:
Bruno Pernadas - Guitarra
António Quintino - Contrabaixo
Alexandre Alves - Bateria

+
Convidada especial:
Inês Sousa - Voz

entrada: €3,00

Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

o homem da quarta-feira #1


Viver

Atacado ao longo do caminho por salteadores que o roubam e maltratam, o homem, sobrevivendo, regressa por fim a casa para preparar a próxima viagem.

Gonçalo M. Tavares, "Breves Notas Sobre o Medo", Relógio D'Água, 2007

Terça-feira, 21 de Julho de 2009

Do deserto



floresta = labirinto


labirinto = deserto

deserto = floresta

Quod erat demonstrandum

7) Falei sobretudo de árvores e amor.
Chegou a altura de oferecer este livro a Gelnaa, mulher- floresta, acolhedora e imperscrutável.



-"Aprendiz de feiticeiro" - Carlos de Oliveira

Da espera 1



Como quem diz "Bom dia!"

Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

o Mal-estar da Civilização #1



"A angústia é algo que anda connosco, que sempre e por toda a parte nos acompanha. Procuramos sempre livrar-nos dela pela mentira, insuflando na nossa existência uma coragem fictícia e nas nossas acções um optimismo vil, e é por isso que toda a nossa existência é falseada e que as agressões e a violência são inevitáveis. Só quando tivermos coragem bastante para aceitar a angústia poderemos retomar um caminho mais autêntico e mais honesto."

Stig Dagerman, "Jogos da Noite", Antígona, 1992

uma pessoa compra cds para vender

uma pessoa compra cds para comprar. (glup)