Talvez Eva não soubesse falar, ainda ou já. Mas pensava, como todos os homens, durante as horas em que não dormia. Como desconhecia as palavras exactas através das quais se pensa, e desconhecia as imagens do mundo por fora da sala, era especialmente naquela brancura que pensava.
Ouviu: - Não precisarás de saber dizeras palavras. Para lá deste lugar, ninguém diz
as palavras - que se pensam.
Filipa Leal, A Inexistência de Eva, Deriva, 2009