quinta-feira, 1 de abril de 2010

cheira a sexta-feira

pensando nos automobilistas - a propósito de uma devolução por mim entregue em Sintra - passo para os assuntos relacionados com o trabalho, esta coisa que faço todos os dias e que ontem uma cliente dizia ao balcão ser como um hobby. nem me zanguei, como já não me zango com certos condutores que insistem no perigo da desconsideração. são coisas que se dizem (ou se fazem) inadvertidamente.
quando deixei de conduzir, há um ano atrás, pensava que não precisava de um carro e, muito menos dessa violência a que a maioria não escapa. a mais exemplar das amigas, acrescento, não resiste a chamar nomes a um tipo que se enfia à nossa frente no cruzamento. o que acontece é que o incumprimento das regras deixou de me encher de ira. não quero saber, é-me indiferente que se metam à minha frente, que me roubem o lugar do estacionamento, que me chamem vaca e que gesticulem a minha maluquice. parêntesis: antigamente ainda lhes mandava beijinhos, com o vidro aberto, ou, se de cigarro pendurado na boca, piscava um olho, seguindo caminho. condutores, máquinas, gente furiosa ou simplesmente habituada, é andar prá frente que atrás vem gente.
e no meu ofício vai-se colocando a mesma dúvida: explico à senhora que tenho à frente - de resto uma senhora com quem simpatizo bastante - que se isto é um hobby eu sou a madre teresa de calcutá? «eu também gostava muito de ter uma livraria» continua ela, como muita gente. (aliás, aposto que o leitor deste texto aborrecidíssimo diria o mesmo, não é?) ora, não é preciso deixar de conduzir para se ser imune aos maus tratos do ic19. e também não é preciso deixar o bules para fechar os olhos às tonterias. um hobby. até me dá me dá vontade de rir, juro.