terça-feira, 25 de maio de 2010

O PÂNTANO de Lucrecia

para mim, angústia, peso, desconforto físico. o que sei dizer do filme de Martel é apenas isto - que me custa vê-lo, que me deixa nervosa, ansiosa, angustiada. acho sempre fabuloso que um objecto consiga provocar sensações físicas no espectador, seja um quadro, um livro ou um filme.
na sexta-feira, depois da exibição do filme aqui na livraria, ficámos mais ou menos uma hora na conversa. ou melhor: espectadores e apresentador ficaram na conversa enquanto eu, mais atrás, observava o debate. (a certa altura o Filipe, apresentador do filme, pensou que eu estava a dormir mas na verdade eu estava apenas muito concentrada na conversa das duas pessoas mais próximas da minha cadeira. sim, tenho um fraco pelas conversas dos outros.)
a minha teoria quanto às sensações que o filme me causou é também uma teoria muito pessoal - pergunto-me se poderei apreciar as coisas sempre desta forma, sempre presas à minha tão pequenina esfera pessoal. o que o filme me diz, o que tem a ver comigo, onde é que me toca. dada a manias, não sei lidar com a compulsão alheia. talvez por isso me deixe nervosa a atitude da miúda para com Isabel, aquele constante estar em cima de, a falta de espaço. é uma coisa asfixiante. mas isto é apenas um exemplo e nem faz sentido falar do filme assim, não gosto do tom aéreo que aqui se usa (por mim, mais uma vez).

quem quiser ler alguma coisa decente sobre O Pântano, o texto de apresentação, escrito pelo Filipe Pinto, pode ser lido integralmente aqui.