sexta-feira, 14 de maio de 2010

são pontos sem is - parte I

o meu melhor amigo dizia-me ontem que a tendência das editoras será a de deixarem sequer de fornecer as pequenas livrarias. tentei explicar que não, que as editoras precisam ainda das pequenas livrarias, mas. o meu melhor amigo não concordou. e eu não quis discutir. podia ter-lhe explicado que as grandes livrarias têm uma oferta mais alargada mas que também têm limitações de espaço. e que esse espaço, se for exclusivo, isto é, se não houver alternativas a essas grandes livrarias, bem. esse espaço vai ter um graaaande valor. não me parece que todas as editoras conseguissem acompanhar o valor que esse espaço passaria a ter. não me parece que a maioria das editoras conseguisse. bem, seriam poucas as que conseguiriam. e o que aconteceria às editoras que não pudessem ter os seus livros com o correcto destaque?

o que aconteceria será exactamente aquilo que vai acontecer às pequenas livrarias se o mercado continuar a funcionar desta forma. e eu, que sou má, como toda a gente sabe, não sei se tenho pena. começo a convencer-me que as pessoas têm aquilo que merecem.

arrisco dizer aqui que as "pequenas" livrarias, todas juntas, não são trocos. e por isso o meu melhor amigo talvez perceba que, embora pequenas, continuam a ser procuradas pelos editores que não sabem o que fazer aos livros que as grandes livrarias não lhes vendem. um problema, não é?

quero deixar claro que não tenho nada contra as grandes livrarias. e que também não tenho culpa que "colegas" meus tenham sido, além de maus gestores, pessoas menos correctas para com os seus fornecedores.

enquanto os nossos fornecedores forem os nossos primeiros inimigos este negócio será uma coisa triste, uma fachada, um comércio tão cool quanto podre. quero chamar a atenção para o blogue da Pó dos Livros - com quem partilhamos a indignação. Ainda que as coisas sejam expostas de forma diferente estou certa de estarmos juntos nisto.