sábado, 23 de outubro de 2010

é de origem entronca e de pais separos #1

quando estamos deitados ele sugere que olhemos para o tecto, para vermos os carros. um pouco à toa, decido dizer que estou a ver um carro azul e ele diz-me que feche os olhos, que me avisa quando aparecer um carro. passa-se um minuto e nada. outro minuto. nada. depois diz: bem, parece que hoje não vêm carros. eu fico muito atrapalhada a pensar que raio se está a passar na cabeça dele para me mandar esperar por carros que afinal não vêm. quando já estou convencida que tenho ali uma criatura melancólica que esconde um segredo que eu nunca serei capaz de apanhar, ele aponta para o tecto e exclama: um carro, vê!

e no tecto avançam velozes pintinhas de luz (os buracos da persiana).
é capaz de ter sido um dos momentos mais bonitos da minha vida e nem sequer sei explicar porquê.