é estranho: construída uma vida inteira sobre vinte e tantas estações e continuo a precisar da segurança de um vestido novo. é como se todas as acções, todas as conquistas (mesmo aquelas que o são por terem sido estrondosos falhanços), me constituíssem menos que esse vestido comprado de propósito para o dia em que sei que nada me vai valer. pondero então ir deitar-me mas há algum tempo que tudo me faz saltar da cama - note-se que a ideia de dormir baseia-se na necessidade de não ter olheiras. a redenção volta a estar na possibilidade de alguma beleza - assegurada por qualquer coisa nova, exterior. temo que o encanto esteja sempre à superfície, que o que seduz seja periférico.