Uma parte de mim que gostava de acreditar em Deus. A sério. Mesmo sabendo-me incapaz. Gostava de sentir o calor que esses à minha volta sentem. Essa confiança mesmo na dúvida (sim, acho que não há crença sem dúvida...).
Saber que estou nas orações de mãe e filha da minha vida apazigua-me. Não sei bem como nem porquê, mas saber que aquelas duas pessoas rezam por mim em todos os momentos importantes e nos momentos simples do dia-a-dia é algo que não tem propriamente explicação. Sinto-o como uma cama, uma casa. Quando rezam antes das refeições é sempre um momento constrangedor (onde colocar as mãos, como reagir, como olhar…). No entanto, é uma oração tão bonita: pedir a alguém que abençoe, ou nos meus termos, que cuide, de nós, das nossas amizades, dos nossos momentos, como ela dizia ontem: que possamos continuar a ter estes miminhos (e era só um jantar…). E a questão é: não pedem nada de especial, pedem simplesmente para que possamos cuidar uns dos outros para que tudo o resto, bom-mau-mais ou menos-indiferente, possa ser vivido, só isso. Não tem que ver com uma wishing list, com uma revolução, com que tudo passe a ser maravilhoso, não, tem que ver só com as pessoas e, eu, passo as palavras também para os meus livros, as minhas músicas, o meu estudo, os meus passeios.
Não acredito em Deus ou deus ou deuses e, talvez, já nem acredite muito nas pessoas, mas tenho uma cama, uma casa.