IIA
trama era tão simples, sob um céu
tão simples, sem visões e sem um véu
sobre os olhos... Num poderoso instante
um ponto se congela e, circundante,
tudo passar a fluir lento, arrastado,
e à volta desse círculo um mais largo
se abre onde prossegue normalmente
a vida e seu caudal; mais abrangente
há outro aonde tudo é tão veloz
que nem o percebemos. Onde a foz
e onde a nascente é algo indecidível:
se tudo nasce quieto e até um nível
vertiginoso vai-se acelerando,
ou se, ao contrário, é justamente quando
chega ao seu fim que o fluxo se detém,
nascido acelerado e por ninguém?
Vieira da Silva[...]
a
tramaé o trunfo
o engenho
é o naipe
aromas
caçadores
nas cores
do xale
[...]
Na noite físicaA luz do quarto apagada,
na escuridão se destaca
a insônia que nos ataca,
dois gêmeos na bolsa d'água.
Ao despertar levo as marcas
que de noite rabiscavas
em minha pele com a sarna
ávida de tua raiva?
E em você a cega
tramaalgum mal pôde? ou maltrata
ainda, que penetrava
concha, espádua, gargalhada?
(...)
Carlito Azevedo,
Sob A Noite Física, Cotovia, 2001
com os respectivos agradecimentos à sublinhadora destes poemas