«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

finalmente

já temos casa nova! esperem por nós até setembro, sim?

Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

Acrescento um i ao teu nome



"Mas depois que Ulisses e Penélope satisfizeram o seu desejo
de amor, deleitaram-se com palavras, contando tudo um ao outro.
Contou-lhe tudo o que no palácio sofrera a divina entre as mulheres,
ao olhar para a hoste detestável dos pretendentes,
que por causa dela muitas vacas e robustas ovelhas
sacrificaram e grandes quantidades de vinho beberam.
E Ulisses criado por Zeus, contou-lhe os sofrimentos
que infligira a outros, assim como aqueles que ele próprio
padecera. E ela deleitou-se ao ouvi-lo, e o sono
não lhe caiu sobre as pálpebras até que tivesse tudo dito."

O meu álbum de férias

Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

caraças

oh mãe, porque é que tu és livrarista?
porque gosto muito de livros.
e não gostas de água?
gosto.
então porque é que não és bombeira?

Terça-feira, 20 de Julho de 2010

se não sabe porque é que pergunta?

Há uma música do Ornette Coleman chamada «happy house» e há uma loja vazia onde me sento a ouvir. Lia outro dia que toda a instabilidade não é mais do que a procura de estabilidade e, por mais simples que este pensamento possa parecer, fiquei durante uns tempos a pensar na minha curta-extensa biografia: nas mudanças de casa, de gostos, de amigos, de estilo, de opções, de ideais, de amores, de objectivos. Fiquei a pensar que o que tenho feito não tem sido mais do que procurar o meu lugar no mundo, o meu lugar perante o outro - decidindo, com pontualidade britânica, que daqui em diante esta sou eu e falhando, com a mesma pontualidade, a cada tentativa. Quem sou como filha, ou como mãe, como amiga, como namorada, como profissional de alguma coisa desde o call center à papelaria sueca, tem estado, qual satélite russo, em constante teste.
Nunca um voo me levou tão alto como a Trama: a sensação de pertença, de estar no sítio certo à hora certa, de finalmente descobrir uma identidade e ficar quase satisfeita com isso.

Quando passei nesta rua na quinta-feira passada deparei-me com uma montra coberta de papel pardo e, no vidro, um tag feito com uma trincha. A tinta, branca, escorreu desde a assinatura até ao parapeito antes de secar. O meu parapeito. E então percebi a ironia destas merdas: eu, que entre os catorze e os dezasseis chamei a mim mesma Pur, eu que pintei nos muros das linhas ferroviárias, em pontes, em prédios abandonados, eu, que pus a minha mãe com uma lata de spray a escrever Filomena na parede do meu quarto, levei com este tag na montra da minha livraria, um tag na minha testa.
Um homem, à minha frente, corta a água da Trama e eu fico cheia de sede. Ele não sabe, eu não quero que ele saiba, tu, leitor, não sabes. Já está, em menos de três dias morro. E tudo isto é muito teatral porque eu não sei sofrer - o contador foi retirado com a leitura de duzentos e dezanove metros cúbicos.

Eu estou bem, obrigada.

ainda não é hoje

é amanhã que escrevo.

Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

as respostas

PAULO NOZOLINO DEVOLVE PRÉMIO AICA/MC

COMUNICADO

Recuso na sua totalidade o Prémio AICA/MC 2009 em repúdio pelo comportamento obsceno e de má fé que caracteriza a actuação do Estado português na efectiva atribuição do valor monetário do mesmo. O Estado, representado na figura do Ministério da Cultura (DGARTES), em vez de premiar um artista reconhecido por um júri idóneo pune-o! Ao abrigo de “um parecer” obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em 10% em sede de IRS, ao contrário do que acontece com todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas.

A saber: Quem concorre para ganhar um prémio está isento de impostos pelo Código de IRS. Quem, sem pedir, é premiado tem que dividir o seu valor com o Estado!

Na cerimónia de atribuição do Prémio foi-me entregue um envelope não com o esperado cheque de dez mil euros, como anunciado publicamente, mas sim com uma promessa de transferência bancária dessa mesma soma, assinada por Jorge Barreto Xavier, Director Geral das Artes. No dia seguinte, depois do espectáculo, das luzes e do social, recebo um e-mail exigindo-me que fornecesse, para que essa transferência fosse efectuada, certidões actualizadas da minha situação contributiva e tributária, bem como o preenchimento de uma nota de honorários, onde me aplicam a mencionada taxa de 10%, cuja existência é justificada pelo Director Geral das Artes como decorrendo de um pedido efectuado por aquela entidade à Direcção-Geral dos Impostos para emitir “um parecer no sentido de que, regra geral, o valor destes prémios fosse sujeito a IRS”.

Tomo o pedido de apresentação das certidões como uma acusação da parte do Estado de que não tenho a minha situação fiscal em dia e considero esse pedido uma atitude de má fé. A nota de honorários implica que prestei serviços à DGARTES. Não é verdade. Nunca poderia assinar tal documento.

Se tivesse sido informado do presente envenenado em que tudo isto consiste não teria aceite passar por esta charada.

Nunca, em todos os prémios que recebi, privados ou públicos, no país ou no estrangeiro, senti esta desconfiança e mesquinhez. É a primeira vez que sinto a burocracia e a avidez da parte de quem pretende premiar Arte. Não vou permitir ser aproveitado por um Ministério da Cultura ao qual nunca pedi nada. Recuso a penhora do meu nome e obra com estas perversas condições. Devolvo o diploma à AICA, rejeito o dinheiro do Estado e exijo não constar do historial deste prémio.

Paulo Nozolino
1 de Julho de 2010

retirado daqui