«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

amanhã estamos cá

A Trama amanhã, dia 1 de Dezembro, está aberta entre as 11h e as 18h

Apareçam!







até amanhã!

com título #3




às vezes apetece-me mudar as coisas de sítio #2



às vezes apetece-me mudar as coisas de sítio #1



se há coisa que me faz feliz

é vender, um por um, os livros que escolhi comprar.

pronta resposta de um editor depois de uma encomenda

Já gritei o pedido para a cozinha e já está a andar!

(é também por estas coisas que gostamos tanto de vocês)
It's a fact, man, it's a fact

Rum and Coca-Cola
Rum and Coca-Cola
Workin' for the Yankee dollar

música com livreira ao fundo

tell me more





uma mancheia de livros





é sempre tarde de mais

ou talvez não. sítios a visitar, pessoas a conhecer: livraria carpe diem e loja de história natural. devo avisar os leitores deste blogue que comprei hoje um livrinho de 462 páginas chamado «O Comércio da Literatura» (Antígona). Isto poderá querer dizer que se está aqui a formar uma guerrilheira - não se deixem enganar pelos vestidinhos, 'tá?

«ah, Wordsworth, que giro!»

exclama o livreiro ao abrir a caixa da Relógio D'Água.

afinal pode confiar-se nos livreiros (pelo menos nestes)

o meu fortune cookie dizia:
«Nas coisas simples está a verdadeira beleza»

«Estarmos juntos é responder à luz»

bom dia



Em ti encontro nos reunidos ramos
a flor que se estende em onda sobre os ombros
O teu rosto abriu-se e a secreta sombra
azulou-se em imagem luminosa
Amo-te nascendo virada para o teu lume
A tua ignorância é música das nascentes
e na tua cabeça há nervos de água
e no teu rosto um timbre de mercúrio
E quanto em ti é sombra
Como se reúne pressentindo a árvore
que não deslumbra mas é doçura e morte
mais una em seu outono do que a luz sem sombra

António Ramos Rosa, O Livro da Ignorância, Signo, 1ª edição, 1988

nunca confiem num livreiro

NÃO ME DEIXARAM UM ÚNICO BOLINHO DA SORTE, CLÁUDIA.

Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

dedicatória #10*


* dedicada aos dois grampos que há três anos apertam as nossas prateleiras.

"Cada pensamento deveria lembrar a ruína de um sorriso" *





* E. M. Cioran, Silogismos da Amargura, Letra Livre, 2009

as prendas


E, pela Trama, recebemos bolinhos da sorte!

O do Ricardo dizia "perto do objectivo com ajuda de uma mão amiga", o meu "você está preparado para encher a sua cabeça com novas ideias"

tirem as vossas conclusões...


Obrigada, Cláudia!

sem comentários. 3 anos é de valor!




feliz aniversário, trama!





Ontem adormeci assim...

"O jardim não mudou, o silêncio está intacto"



o que verificamos, de imediato, é que este verso é a constatação de duas não ocorrências. Um homem obcecado por acontecimentos passará à frente deste verso. Pelo contrário, alguém atento ao obscuro, ao não visível, ficará muito tempo a olhar para este verso.
Como é que o jardim não mudou?
Como é que o silêncio continuou intacto?
Reparem que este raciocínio pressupõe algo de significativo: uma coisa que se mantém, que não tem alteração, afinal move-se. Ou seja: é necessário fazer uma quantidade de movimentos para se continuar parado. Não são movimentos visíveis, é certo, mas são movimentos: forças.
A pergunta que se impõe é, então, que tipo de força fez o jardim para não mudar?
Que tipo de força fez o silêncio para permanecer intacto?


-"O Senhor Eliot e as conferências" - Gonçalo M Tavares (sempre tão certeiro que até enerva!)

é incrível


mas houve 29 pessoas que nos deram os parabéns antes que eu me lembrasse que hoje, dia 29,
a Trama faz 3 anos.

Domingo, 28 de Novembro de 2010

às tantas o Saramago diz qualquer coisa assim

não quero ganhar dinheiro com leitores preguiçosos, quero ganhar dinheiro com leitores a quem dou trabalho.

não é assim, literalmente, mas foi o que ficou.

«Elogio da Livraria antes que ela morra»*

Ando a ler um livro chamado Livrarias&Livreiros 1945-1994 Histórias Portuenses. É uma espécie de acção de formação, uma tentativa de compensar o facto de só ter ter chegado ao mundo em 84.

«Quando reflectimos sobre o livro em Portugal, sobre certos livros, é um pouco como se pensássemos no cinema português, e na sua invisibilidade. Voltemos a Robert Escarpit, "o livro é o que é a sua difusão". É aí que o livreiro tem um papel essencial a desempenhar. Nessa cadeia que, no mundo moderno, nasce com a obra escrita, passa pela sua composição e impressão e termina (oxalá!) nas mãos do leitor, há de facto um conjunto de elos que não pode ser menosprezado. São eles o editor, ao qual o tipógrafo pode estar subordinado, o distribuidor que pode ser também o editor, e o livreiro que pode ser também o editor e o distribuidor.
O livreiro pode ser um apoio essencial do livro, ou não. Pode ser o grande divulgador do livro, ou não. Quando vemos numa livraria apenas novidades, por melhores e mais variadas que sejam, devemos desconfiar. Quando entramos numa livraria e, além dessas novidades, vemos as estantes pejadas de velhas edições, livros que já ninguém procura, a não ser os sonhadores da literatura, os livrinho de poesia com as capas amarelecidas, o romance que inaugurou uma carreira fulgurante mas hoje parece esquecido, a pecinha que nunca ninguém representou nem representará, que nunca ninguém leu nem lerá, a não ser o autor, é então, ao descobrirmos essa livraria onde não há apenas livros mas também sonhos, também esperanças, que sabemos que o livreiro de facto pode fazer parte da nossa família.»


* é o título de um livro de Baptiste-Marrey

Este livro foi escrito por Carlos Porto e editado pela Livraria Leitura em 1994.

José e Pilar

Chorei, chorei e chorei. Só ainda não percebi porquê.

Sábado, 27 de Novembro de 2010

Wake up call


das Ligações #2


Confissões de leitor #1

Se há movimento que me seduz é o primeiro passo do poema na minha direcção.

Agora a sério




o poeta é um homem austral de idade inumerável
levanta através dos braços que se estendem como pontas de lume
que tocam junto ao mar estrelas e marés
a ideia - como um sol a oito minutos-luz da superfície
terrestre



tem "os pés postos em arroz selvagem
e a cabeça vizinha de sinceiros"
é carnaz polígamo tem a solidão na boca e dos olhos
abrem deslizam tristes embarcações de sonho
diz ínsua diz nada abre e traz as flores



adquire a forma de animal sossegado
entre folhagem, raparigas
ou anda pelos subúrbios assiste das esplanadas
à serena paz dos meses



longo beve país que não regressa
chão de muitíssimas maçãs ou estuário
ou forte (ou qulquer castelo fragmento de acção)
mar que vem revem ao país real areal



peito
estrelas
flores secas



falemos antes da morte
como quem arranca flores novas
ou falemos deste domingo






-"Quando Escreve Descalça-se" - Miguel Manso - Trama

Vamos lá deixar de ser meninos! Acho que será mais ou menos isto...


Da última vez que li estas palavras eram 4am




"A realidade é um repto. A poesia é um rapto. De uma para outra queimam-se os dedos, e como é de fogo que aqui se trata, tudo se ilumina."




-"Photomaton & Vox" - Herberto Helder

Tag Team

Ontem fomos visitados pelos Homens da 4a e 5a feira.
Ontem foi 6a...
A Trama é quando o leitor quiser!

não é mentira

Juro que vi o Henry Miller no comboio a ler um livro do Brecht.

Saiu na Amadora...

Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Intimidades francesas


Les plus beaux manuscrits et journaux intimes de la langue française

shiva shiva mahadeva



- "A Música Clássica da Índia" - Alberto Marsicano ( livro com cd )

das Ligações



"O mundo é um pensamento encadeado. Quando algo se consolida, os pensamentos libertam-se. Quando algo se desfaz, os pensamentos encadeiam-se."

- Novalis -

Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Não respire... (ou leituras em apneia) #2



«Há uma profunda diferença entre a luta para não morrer e a luta para viver. Os homens que lutam para não morrer conservam a sua dignidade, defendem-se ciosamente - todos: homens, mulheres, crianças - , com feroz obstinação. Os homens não dobravam a cerviz. Fugiam para as montanhas, para as florestas, viviam nas cavernas, lutavam como lobos contra os invasores. Lutavam para não morrer. Era uma luta nobre, digna, leal. As mulheres não lançavam o corpo no mercado negro para comprarem bâton, meias de seda, cigarros ou pão. Sofriam a fome, mas não se vendiam. Não vendiam os seus homens ao inimigo. Antes queriam ver os próprios filhos morrer de fome do que venderem-se, que venderem os seus homens. Somente as prostitutas se vendiam ao inimigo. Os povos da Europa, antes da libertação, sofriam com maravilhosa dignidade. Lutavam de cabeça erguida. Lutavam para não morrer. E os homens, quando lutam para não morrer, agarram-se com a força do desespero a tudo o que constitui a parte viva, eterna, da vida humana, a essência, o elemento mais nobre e mais puro da vida: a dignidade, o orgulho, a liberdade da própria consciência. Lutam para salvar a alma.
Mas depois da libertação os homens tiveram de lutar para viver. É uma coisa humilhante, horrível, é uma necessidade vergonhosa lutar para viver. Só para viver. Só para salvar a própria pele. já não é a luta contra a escravidão, a luta pela liberdade, pela dignidade humana, pela honra. É a luta contra a fome, é a luta por um pedaço de pão, por um pouco de lume, por um farrapo para cobrir os filhos, por um pouco de palha onde estender o corpo. Quando os homens lutam para viver, tudo, até uma panela vazia, uma ponta de cigarro, uma casca de laranja, uma côdea de pão seco apanhado no lixo, um osso esburgado, tudo tem para eles um valor enorme, decisivo. Os homens são capazes de todas as velhacarias para viver; de todas as infâmias, de todos os crimes, para viver. Por um pedaço de pão, cada um de nós está pronto a vender a própria mulher, as filhas, a macular a própria mãe, a vender os irmãos e os amigos, a prostituir-se a um outro homem. Está pronto a ajoelhar-se, a arrastar-se pelo chão, a lamber os sapatos de quem pode matar-lhe a fome, a dobrar a cerviz sob o chicote, a limpar, sorrindo, a face onde lhe escarraram. E tem um sorriso humilde, doce, um olhar cheio de uma esperança famélica, bestial, uma esperança espantosa.»

Curzio Malaparte, "A Pele", Edição "Livros do Brasil", 1980

Pode respirar.

é claro que caos, sim senhor, gosto muito, mas pronto, há limites

estou-me a passar da cabeça com estes livros por arrumar.

uma das coisas que mais se ouve por aqui

vocês compram livros?

Só por dentro de ti rebentam flores #2



Falemos de pureza
Como quem fala de casas, íntimos habitáculos
Que o nosso ser constrói de uma pedra branca
Para outra ainda mais branca,
Mais lívida, mais louvada
Nos altares da arquitectura divina.

E duma pedra justa
Ajustada ao saber que nasce do pensar
Toda a matéria em beleza.
Expor a a pureza na dor, na flor enlouquecida
Pela renúncia.

Sentada ao pé de nós
Toda envolta na noite, a pureza destrança
Os seus cabelos sombrios,
Entretendo os soldados mais despertos
Da minha guerra aberta.

Deitada junto a nós
Desvelada no dia, retira uma por uma
As extremosas mãos que lhe afagam os seios
E desarma o olhar na vasta, sepulcral,
Soturna sede do meu sexo.


-Armando Silva Carvalho-