
Falemos de pureza
Como quem fala de casas, íntimos habitáculos
Que o nosso ser constrói de uma pedra branca
Para outra ainda mais branca,
Mais lívida, mais louvada
Nos altares da arquitectura divina.
E duma pedra justa
Ajustada ao saber que nasce do pensar
Toda a matéria em beleza.
Expor a a pureza na dor, na flor enlouquecida
Pela renúncia.
Sentada ao pé de nós
Toda envolta na noite, a pureza destrança
Os seus cabelos sombrios,
Entretendo os soldados mais despertos
Da minha guerra aberta.
Deitada junto a nós
Desvelada no dia, retira uma por uma
As extremosas mãos que lhe afagam os seios
E desarma o olhar na vasta, sepulcral,
Soturna sede do meu sexo.
-Armando Silva Carvalho-