
Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010
porque de hoje para amanhã só muda a data
Uma parte de mim que gostava de acreditar em Deus. A sério. Mesmo sabendo-me incapaz. Gostava de sentir o calor que esses à minha volta sentem. Essa confiança mesmo na dúvida (sim, acho que não há crença sem dúvida...).
Saber que estou nas orações de mãe e filha da minha vida apazigua-me. Não sei bem como nem porquê, mas saber que aquelas duas pessoas rezam por mim em todos os momentos importantes e nos momentos simples do dia-a-dia é algo que não tem propriamente explicação. Sinto-o como uma cama, uma casa. Quando rezam antes das refeições é sempre um momento constrangedor (onde colocar as mãos, como reagir, como olhar…). No entanto, é uma oração tão bonita: pedir a alguém que abençoe, ou nos meus termos, que cuide, de nós, das nossas amizades, dos nossos momentos, como ela dizia ontem: que possamos continuar a ter estes miminhos (e era só um jantar…). E a questão é: não pedem nada de especial, pedem simplesmente para que possamos cuidar uns dos outros para que tudo o resto, bom-mau-mais ou menos-indiferente, possa ser vivido, só isso. Não tem que ver com uma wishing list, com uma revolução, com que tudo passe a ser maravilhoso, não, tem que ver só com as pessoas e, eu, passo as palavras também para os meus livros, as minhas músicas, o meu estudo, os meus passeios.
Não acredito em Deus ou deus ou deuses e, talvez, já nem acredite muito nas pessoas, mas tenho uma cama, uma casa.
pelas livrarias livres
aos Leitores
chamada a pagar no destinatário
Quanto mais arejado for um esconderijo, tanto mais engenhoso será. Quanto mais exposto aos olhares de todos os lados, tanto melhor.»
com cinco letrinhas apenas (para quem ainda não percebeu)

"Quer dizer: este extenso livro é mais do que um somatório de capítulos. É uma trama permanente e envolvente, é o desenvolvimento tentacular e multifacetado de uma ideia, de um "pensamento decisivo, de algo de quase físico que dolorosa ou euforicamente se vai inscrevendo num texto. Se,para além do "objectivismo" das realidades conceptuais com que aqui se joga, me pedissem para fornecer uma chave de leitura ajustada a este universo, eu arriscaria dizer que o seu autor não rejeitaria uma frase como: "Sem mim, falta-me qualquer coisa."
-"O género intranquilo, anatomia do ensaio e do fragmento" - João Barrento
Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010
outra das hipóteses para 2011
do Leitor Hábil
- "Género Intranquilo" - João Barrento
Viagem à Índia
"22
Gostava de um dia regressar a Lisboa, claro,
mas já com a alegria reencontrada
e com uma mulher.
Mas que digo? Avanço de mais.
Antes de contar devo explicar,
mas não serão as duas coisas uma única coisa?
Avanço,pois, e explico ( ou conto).
23
Vou falar de quem amei
(amar um país seria acto ligeiramente perverso.
Como dirigir braços
a algo que não tem comprimento, largura ou altura como
qualquer outra coisa mortal que se preze?)
Vou falar de quem amei, pois, e não de mapas.
25
Diz-se que o essencial de uma língua
está nos sons não verbais que as mulheres emitem.
E a educação minuciosa do ouvido
fio algo que John John Bloom
nunca descurou.
Recebi dele este bom ouvido para a música
e para o amor.
26
No erotismo o que importa é no corpo da amada
não existir saída.
Uma boa luta - amorosa -
é pois aquela onde os dois corpos estão,
um no outro,
como se no meio do famoso labirinto
de onde ninguém consegue sair."
-"Uma viagem à Índia" - Gonçalo M Tavares
(Antes que o André o venha buscar)
o que fica de 2010
também já me disseram
contra toda a lógica do jogo
«Descobri o que tu és para mim.»
Ela fica à espera e ele deixa-a esperar. Sai da cama e vai buscar um maço de cigarros. Dá um à Zana e acende-lho, sem tirar nenhum para ele.
Ela estende-se em cima da cama e ele, que estava nu, mete-se outra vez entre os lençóis.
«Às vezes», diz ele, «quando jogo poker tenho a intuição de guardar uma só carta e pedir quatro. Mesmo que as cinco recebidas sejam uma hipótese de sequência ou full-hand, ou isso.»
«E então?»
Ele ri-se novamente.
«Tu és essa única carta que eu guardo. Contra toda a lógica do jogo.»
Ela vira-se na cama para o olhar de frente. O decote do roupão mostra-lhe o seio direito, porque Zana está inteiramente nua debaixo do roupão. Nos olhos dela acontece o mesmo milagre que da outra vez: vê-los é como se alguém, espreitando do alto da torre de saltos de uma piscina, descobre de repente e estupefacto que esta não tem água no seu fundo. Quem se atirar de cabeça descerá como um raio até ao centro da Terra.
nova trama, novo ano
Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

"No entanto a infância era também:
A mãe:
as suas longas pernas, o corpo macio, os vestidos ondulantes e os louros cabelos pelos ombros. Os seus olhos de louça.
De longe, via, espiava-lhe os movimentos, os gestos sempre como que suspensos, ávidos.
A sua distância.
No entanto, a infância era também:
O pai:
a secretária com o seu mundo imenso de palavras, de ciência, de solidão, de ordem, ao qual me prendia fascinada.- Os livros alinhados nas enormes estantes que cobriam as paredes altas e brancas, despojadas; os "maples" cor de mel, o microscópio na sua pequena caixa de madeira envernizada, que me fazia lembrar a caixa onde todas as semanas vinha a imagem da Sagrada Família para passar um dia em nossa casa, no quarto escuro e vazio do fundo da casa.
O quarto então iluminado pela pequena lâmpada de azeite no qual o pavio boiava lento, a resvalar de encontro aos bordos oleosos do vidro baço da lamparina.
De joelhos, nunca rezava, sentia apenas o bater do coração no peito e tomava o medo no redondo gesto de curvar a cabeça e fechar os olhos."
-"Novas Cartas Portuguesas" - Maria Isabel Barreno/ Maria Teresa Horta/ Maria Velho da Costa

"Um ensaio é aquela configuração única e imutável que a vida interior de um homem assume num pensamento decisivo. Não foram poucos esses ensaístas, mestres da vida interior pairante, mas não importa agora nomeá-los. O seu reino situa-se entre a religião e o saber, entre o exemplo e a doutrina, entre o amor intellectualis e o poema; são santos com e sem religião, e por vezes são também, simplesmente, homens que se perderam no labirinto de uma aventura."
- Sr Musil -
já não há vagas à segunda-feira, abrimos novo curso à terça
com Rosa Azevedo
18 Jan a 8 Mar 2011 (todas as 3as feiras à noite)
das 21h às 22h
inscrição: 65€
PROGRAMA
18 Janeiro - realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
25 Janeiro - modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
1 Fevereiro - surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
8 Fevereiro - surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
15 Fevereiro - neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira).
22 Fevereiro - anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo.
1 Março - nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
8 Março - Balanço
FORMADORA
INSCRIÇÕES E PAGAMENTOS
tudo por causa da pianola mecânica, fernando
Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010
fragmentos
“…a imagem procura imitar o olhar que nos fere de morte [sem nada vermos senão a potência de ver].”
Tomás Maia, Assombra
para ler daqui a um ano
"O código genético comunica em silêncio"
-"Agenda Ligações Químicas 2011" - 100 Ferrugem
Num atelier

"Com um passo ligeiro
passa
de uma cor para outra
de um fruto para outro
um bom jardineiro
mostra uma flor com um estaca
um homem feliz
o sol azul
depois disso
endireita os óculos
e serve chá
resmunga
acaricia o gato
quando o Senhor criou o mundo
franziu o sobrolho
fez muitos cálculos
é por isso que o mundo é perfeito
e inabitável
pelo contrário
o mundo de um pintor
é bom
e cheio de erros
o olhar vagueia
de uma cor para outra
de um fruto para outro
o olhar resmunga
sorri
recorda
diz que é tolerável
apenas se conseguirmos
entrar lá dentro
onde o pintor está
sem asas
de chinelos que caem
sem Virgílio
com um gato no bolso
uma fantasia benevolente
e uma mão
que sem saber
corrige o mundo"
- "Escolhido pelas estrelas" - Zbigniew Herbert
Recordações da sala vermelha
"Pensei
conheço-a tão bem
vivemos juntos há tanto tempo
conheço
a sua cabeça de pássaro
os seus braços brancos
e o seu ventre
até que um dia
num fim de tarde de Inverno
sentou-se à minha frente
e à luz do candeeiro
por detrás de nós
vi uma orelha rosada
uma cómica pétala de pele
uma concha com sangue vivo
por dentro
não disse nada então -
teria sido bom escrever
um poema acerca de uma orelha rosada
mas as pessoas diriam
que assunto foi ele escolher
está a tentar ser excêntrico
pelo que ninguém sorriria
pelo que compreenderiam que eu proclamo
um mistério
não disse nada
mas nessa noite quando estávamos na cama
delicadamente provei
o gosto exótico
de uma orelha rosada"
-"Escolhido pelas estrelas" - Zbigniew Herbert
das Traduções
"On the other way there are some nays wich aren´t shown in lists because they cant be played due to their bignesses.
For example; the bolahenk nay is so can´t big that it can´t be played."?????!!!!
ok...
Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
...
…não há ser amado ou imagem artística que não nos apareça senão sobre o fundo daquela impossibilidade (da impossibilidade da reincorporação), não há relação por eles instaurada sem que seja anulado – por um instante que fosse – tudo o que é relativo; e no entanto a experiência do absoluto faz-se na suspensão de uma relação, a experiência da impossibilidade é o facto de, por instantes, tudo ser possível.
ma ligne de chance #8
Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
Corpus Christi Carol #3
Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Crítica de Miguel Gomes a Funny Games de Michael Haneke
Quando surge o primeiro cadáver
depois de Haneke
ter esticado a tensão até ao limite
somos abandonados
no vazio.
Os agressores eclipsam-se
como se tivessem sido apenas
uma trágica projecção nascida do tédio
da «upper class».
Ficamos sobre uma televisão
coberta de sangue – onde carros
de granturismo perpetuam o absurdo
movimento circular –
ou sozinhos com as vítimas
num estarrecedor plano-sequência
imóvel
e com mais de cinco minutos.
Daniel Jonas in Poemas com Cinema, organização de Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós e Rosa Maria Martelo, Assírio & Alvim, 2010
ma ligne de chance #6
Número 13
Treize – j’eus un plaisir cruel de m’arrêter sur ce nombre.
Marcel Proust
Le remploiment vierge du livre, encore, prête à un sacrifice dont saigna la tranche rouge des anciens tomes; l’introduction d’une arme, ou coupe-papier, pour établir la prise de possession.
Stéphane Mallarmé
I. Os livros e as prostitutas podem levar-se para a cama.
II. Os livros e as prostitutas entretecem o tempo. Dominam a noite como o dia e o dia como a noite.
III. Olhando os livros e as prostitutas não nos apercebemos de como cada minuto lhes é precioso. Mas quando lidamos com eles mais de perto, começamos por notar como têm pressa. Contam o tempo connosco à medida que nos afundamos neles.
IV. Os livros e as prostitutas sempre tiveram um amor infeliz um pelo outro.
V. Livros e prostitutas: ambos têm aquela espécie de homens que vivem deles e os maltratam. No caso dos livros, os críticos.
VI. Livros e prostitutas em casas públicas – para estudantes.
VII. Livros e prostitutas – raramente aquele que os possui assiste ao seu fim. Costumam desaparecer da nossa vida antes de se apagarem.
VIII. Os livros e as prostitutas contam com o mesmo agrado e a mesma hipocrisia a história de como se tornaram no que são. Na verdade, frequentemente nem eles próprios dão por isso. Anda uma pessoa anos a fio correndo atrás de tudo «por amor», e um belo dia vemos no engate de rua, com um corpus bem nutrido de carnes, aquilo que, «por razões de estudo», sempre pairou acima dele.
IX. Os livros e as prostitutas gostam de mostrar a lombada, de nos voltar as costas quando se expõe.
X. Livros e prostitutas têm muitas crias.
XI. Livros e prostitutas – «velha beata – jovem puta». Quantos livros, aqueles pelos quais a juventude hoje aprende, não foram difamados!
XII. Os livros e as prostitutas têm as suas zangas diante de toda a gente.
XIII. Livros e prostitutas – as notas de rodapé estão para aqueles como as notas de banco na meia para estas.
Walter Benjamin, Imagens de Pensamento,
tradução de João Barrento, Assírio & Alvim, 2004
Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010
dicionário das causalidades #4

nova trama, novos cursos
com Rosa Azevedo
17 Jan a 7 Mar 2011 (todas as 2as feiras à noite)
das 21h às 22h
inscrição: 65€
PROGRAMA
17 Janeiro - realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
24 Janeiro - modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
31 Janeiro - surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
7 Fevereiro - surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
14 Fevereiro - neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira).
21 Fevereiro - anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo.
28 Fevereiro - nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
7 Março - Balanço
FORMADORA
INSCRIÇÕES E PAGAMENTOS
- Giorgio Agamben -
Palavras sábias

"É delicado e difícil para a filosofia empreender a cura da tagarelice. Pois seu remédio, a palavra, é feito para aqueles que ouvem, e os tagarelas não ouvem ninguém, já que estão sempre falando. Eis o primeiro mal contido na incapacidade de se calar: a incapacidade de ouvir."
-"Sobre a tagarelice e outros textos" - Plutarco
Só por dentro de ti rebentam flores #3

"para nós
fugir à rotina
era conseguirmos um carro
e seguir a roda da frente
fugir à rotina
era conseguirmos um carro
fugir à rotina
era peão e travão de mão
dentro do carro
dentro do carro
seguimos a roda da frente
espera
seguir a roda da frente
pode hipnotizar-nos
hipnotizados
podemos entrar numa inversão"
- Nuno Moura -
Artepensamento

Esta obra reúne ensaios sobre artistas e filósofos que pensaram a questão da arte.
Uma história das ideias através da arte.
Alguns capítulos:
- Kant: juízo estético e reflexão
- O que está vivo e o que está morto na estética de Hegel
- Arte e filosofia no "Zaratustra" de Nietzsche
- Valéry: os exercícios do espírito
- A luta com o anjo: Baudelaire e Delacroix
- De Schiller a Schonberg: da ideia moral ao ideal poético
- Duchamp: crítica da razão visual
- Eisenstein: a construção do pensamento por imagens
- Seis nomes, um só Adorno
do Tempo #1

"O génio, afinal, não se revela na perfeição absoluta de uma obra, mas sim na absoluta fidelidade a si próprio, no compromisso com sua própria paixão. O anseio apaixonado do artista de encontrar a verdade, de conhecer o mundo e a si próprio dentro desse mundo, confere um significado especial até mesmo aos trechos mais obscuros de suas obras, ou, como se costuma dizer, "menos bem-sucedidos".
Pode-se ir ainda mais longe, não conheço uma só obra-prima que não tenha suas fraquezas ou que esteja inteiramente isenta de imperfeições, pois as tendências pessoais que criam o génio e a integridade de propósitos que sustenta a sua obra constituem a fonte não apenas da grandeza de uma obra-prime mas também das suas falhas. Volto a dizê-lo - pode dar-se o nome de "falha" a um componente orgânico de uma visão do mundo integral? O génio não é livre. Como escreveu Thomas Mann: " Só a indiferença é livre. O que tem carácter distintivo nunca é livre; traz a marca do seu próprio selo; é condicionado e comprometido."
- "Esculpir o Tempo" - Tarkovski
Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010
aforismos de vieira numa manhã de ressaca
*
A sociedade tem que ser livre de se suicidar para renascer em biliões de Dalai-Lamas.
*
Só temos uma coisa a perder: o computador, o carro, o dinheiro, a mulher (ou o «marido»), a liberdade, a vida e, hipoteticamente, a vida depois da morte.
«Livro Rosé de Sua Santidade o Camarada Presidente Vieira»
Assírio&Alvim
b fachada é para meninos
da noção de "gato por lebre"

Polícia Schauva lá fora em tom de censura - Apanhaste de novo uma lebre, Azdak. E tinhas prometido que isso não aconteceria mais.
Azdak severo - Não fales de coisas que não entendes, Schauva. A lebre é um animal perigoso e nocivo, que come as plantas, particularmente as chamadas ervas daninhas, e, portanto, deve ser exterminada.
Schauva - Azdak, não sejas cruel comigo. Perderei o meu emprego se não providenciar contra ti. Eu sei que tens bom coração.
Azdak - Não tenho bom coração coisa nenhuma. Quantas vezes já te disse que sou um intelectual?
Schauva astuto - Eu sei Azdak. És um homem superior, tu mesmo o dizes; por conseguinte, eu, pobre de Cristo, te pergunto: se roubam uma lebre ao Príncipe, e eu sou da polícia, que devo fazer com o criminoso?
-"Círculo de Giz Caucasiano" - Bertold Brecht
Assim parece...
Hoje acordei mesmo assim (old school)
Porque há um certo baixista que não pára de tocar isto nos ensaios de 5a feira...
fixe
nicho de mercado























