terça-feira, 29 de março de 2011

incerta chama



Falando-se de poesia, por exemplo, alguém diz:

incerta chama

e desde logo esse fragmento da língua estremece e se desdobra. A poesia é dita segundo a forma ou a figura da chama que perpetuamente, ou seja até morrer, oscila e ondula segundo a vertical de uma árvore ou tão-só de uma haste cujo desenho no ar e nos teus olhos a luz movesse. In statu nascendi: perpetuum mobile. No seu movimento perpétuo, a poesia inventa e reinventa a sua origem ou o seu modo de chegar.


Manuel Gusmão, Tatuagem & Palimpsesto: da poesia em alguns poeta e poemas, Assírio & Alvim, 2010