quarta-feira, 11 de maio de 2011

antes

Não foi há muito tempo que comecei a ouvir os pássaros. Sem qualquer esforço ou vontade, dei por mim a acordar muito cedo, aos primeiros sinais de luz: limitava-me a abrir os olhos e, nesse movimento, passava de um estado ao outro, sem estranheza, sono ou qualquer memória da noite que acabara. O canto das aves era, nesses longos minutos de imobilidade - pois o único movimento havia sido o dos olhos, abrindo-se - de uma intensidade tal que, certa vez, julguei estar noutro lugar, ou ter mudado o mundo ou ter chegado a morte.