quinta-feira, 12 de maio de 2011

bibliografia precisa-se

Embora seja frequente ouvirmos alguém exclamar que alguma coisa não é arte perante, por exemplo, uma criação plástica contemporânea, no que se refere ao cinema não me lembro de alguma vez ter ouvido alguém queixar-se de igual forma.
Quero dizer: quando um filme desagrada ao espectador ele sai da sala com a impressão de ter visto um mau filme e, talvez no átrio do cinema, se atreva a comentar que aquele filme era, pura e simplesmente, uma merda. Este espectador quase de certeza que não perguntará: mas isto era arte? é a isto que eles chamam arte?
A minha dúvida é então a seguinte: a diferença de atitude perante estas duas peças terá que ver com a instituição do cinema enquanto arte - e por isso ninguém se questiona se determinado filme é ou não arte dado que o cinema é, ele próprio, (e tão generalizadamente) a 7ª arte - ou se, pelo contrário, a transformação da arte em objecto de consumo - como o filme - tem o poder de a tornar apenas num produto que o cliente aceita ou rejeita.
Não há grande originalidade neste tipo de questões, bem sei, mas foi o que me ocorreu durante a depilação [as minhas pernas, Agda, são arte ou um objecto de consumo?].