domingo, 20 de novembro de 2011

Começou por ser um espaço.

Lembro-me – o espaço definia-me, tornava-me clara, era a minha forma de existir. Só a partir desse espaço poderia tocar nos outros, fazer-me notar. Admira-me a demora de cada descoberta, o tempo que a luz leva até desvendar o que sempre esteve, e sempre foi. Pensei nisto depois de ter ido à varanda – chove, é Agosto. De costas para a sala, acendi o cigarro de um texto antigo e vi-me, com uma nitidez de aquário, pelos olhos de outro. Tudo isto é de uma simplicidade absoluta – o que houver de complexo ou esdrúxulo reside apenas no processo de o escrever; faço-o como quem aprende a ajoelhar-se.