quarta-feira, 30 de novembro de 2011

rosa m pratica poesia enquanto a poesia pratica rosa m


HOW TO BE ALONE


Não foi em Kalkbreite nem sequer em Lochergut
mas na Zähringerstrasse, junto à biblioteca. Vinha
de uma dessas avenidas, que todas as cidades têm,
onde lojas de moda convivem com livrarias, casas
de chocolates e um grupinho de punks.

Na memória, uma ideia de pássaro, meu atributo
e uma gratidão quase solene.  

À minha volta, os homens pousavam no lugar vazio
da imaginação e eu olhava, nunca mais de três
segundos, a fim de manter o anonimato. A felicidade
era os versos de um poeta no balcão da despedida

“A Dickinson tem um verso sobre Zurique
e não é triste”

era a Europa de ipod nas orelhas, era eu peninsular
agora ilha desconsolada com aquele livro compelling
and invigorating (cf. Times), no fundo, era essa missa
de corpo presente onde nenhum pater me levava
pela mão,

rapariga sem flor na transparência da língua.