«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

Do escritório #2


Deleuze and Guattari, Ronald Bogue

Odo Marquard, In Defense of the Accidental

Friedrich A. Kittler, Gramophone, Film, Typewriter

Hannah Arendt, Lectures on Kant's Political Philosophy

Octavio Paz, Itinerary: an intellectual journey

Do escritório #1


AAVV, Merce Cunningham

Serge Guilbaut, Voir Ne Pas Voir Faut Voir: essai sur la perception et la non-perception des oeuvres

Peter Dews, Logics of Disintegration: post-structuralist thought and the claims of critical theory

Michel Foucualt, Une Journée Particulière
Photographies d'Élie Kagan
Texte d'Alain Jaubert
(francês e inglês)

Hans Blumenberg, La Legibilidad del Mundo

em arrumações

«Existe um campo verde entre um erudito e um poeta; quando o erudito o atravessa, torna-se um sábio; e quando o poeta o atravessa, torna-se um profeta.»

Khalil Gibran, Areia e Espuma

e sai mais um cliente satisfeito











[A Vénus de Kazabaika]

the office

olha que porra

não é que continuo apaixonada por esta livraria? acabei de me aperceber agora - mãe, a merda de vida que levo é a merda de vida que escolhi! e gosto tanto, tanto.

cadernos para uma breve história da Trama #4

Trabalhar numa livraria é maravilhoso: arrumar os livros, perder horas a ler coisas novas, sentada no chão, indiferente a quem passa, levantar os olhos de vez em quando e regressar, mergulhando sem saber o que esperar lá em baixo, no fundo, as aventuras do Hugo Pratt, as viagens do António Tenreiro, os passos da Camille Claudel, tantas coisas, senhores, por que vale a pena viver. Ter uma livraria não é, de todo, tão bom quanto trabalhar numa.

tricot literário #2

E a Lou, que punha o Rilke na cozinha enquanto Andreas, o marido, trabalhava no seu gabinete? Consta que o Rilke gostava e até ajudava nas tarefas domésticas, cortava lenha, ficava a vê-la cozinhar...

GLUP !


"No collector should ever love a work of art as much as a fetishist loves a shoe"
Georges Bataille

DIA CLARO

O céu é tão azul que neste instante se distingue,
escuro, um pássaro.
Está um dia tão claro como numa pintura
de Brueghel, o Velho.
Se não estivesse triste, nada seria tão belo.

Màrius Torres, A Cidade Longínqua, OVNI, org. e trad. Rita Custódio e Àlex Tarradellas, 2011

tricot literário #1

vocês sabiam que a Gala (que na verdade se chama Helena), antes de andar metida com o Dali foi casada com o Paul Éluard? E que, ainda casada, deu umas voltas com o Max Ernst?

Bom dia

Arthur Adamov | Diane Arbus | Reinaldo Arenas | Aristóteles | Chet Baker | Roland Barthes | Jean-Michel Basquiat | Walter Benjamin | Camilo Castelo Branco | Paul Celan | Ana Cristina Cesar | René Crevel | Stig Dagerman | Guy Debord | Gilles Deleuze | Florbela Espanca | Rainer Werner Fassbinder | Vincent van Gogh | Gogol | Hemingway | Kawabata | Heinrich von Kleist | Akira Kurosawa | Jerzy Kosinski | Manuel Laranjeira | Primo Levi | Jack London | Maiakovski | Mahler | Guy de Maupassant | Mishima | Gérard de Nerval | Cesare Pavese | Camilo Pessanha | Picasso | Alejandra Pizarnik | Sylvia Plath | Antero de Quental | Rothko | Mário de Sá-Carneiro | Séneca | Anne Sexton | Sócrates | Dylan Thomas | Georg Trakl | Marina Tsvetaeva | Simone Weil | Virginia Woolf | Stefan Zweig

Dicionário de Suicidas Ilustres

há aqui qualquer coisa que me faz pensar que o mundo não tem mudado assim tanto

Quinta-feira [25 de Setembro de 1941], 9 horas.



«Sim, nós mulheres, nós tontas, idiotas mulheres sem lógica, procuramos o Paraíso e o Absoluto. E no entanto o meu cérebro diz-me, o meu excelente, funcional cérebro, que não existe nada absoluto, que tudo é relativo e infinitamente cheio de nuances e em eterno movimento e, exactamente por isso, tão interessante e encantador, mas também tão doloroso. Nós mulheres queremos eternizar-nos no homem. Acontece do seguinte modo: quero que ele me diga: «Querida, és a única de todas e amar-te-ei eternamente.» Isto é ficção. E enquanto ele não disser estas palavras, tudo o resto não importa, o resto escapa à minha atenção. E é isso que é esquisito: não o quero de maneira alguma, nunca haveria de ser o único e de eu o querer eternamente, contudo exijo isso ao outro. Será pois por isso que eu, exactamente por não ser capaz de amar em absoluto, faço essa exigência a um outro? E que consequentemente desejo sempre uma mesma intensidade da parte do outro, sabendo eu porém, sabendo por mim mesma, que tal não existe? Mas assim que noto no outro uma diminuição temporária, ponho-me em fuga, naturalmente que isso surge acompanhado por um sentimento de inferioridade, do género: já que não o consigo fazer interessar-se por mim, já que ele não me deseja com um ardor constante, então népia. E é tão estupidamente ilógico, tenho de extirpar isso de dentro de mim. A verdade é que eu não saberia o que fazer se alguém incessantemente me desejasse com todo o ardor. Isso ser-me-ia penoso e aborrecer-me-ia, e iria fazer-me sentir privada de liberdade. Ó Etty, Etty.»

Diário, Etty Hillesum, Assírio&Alvim, trad. Maria Leonor Raven-Gomes, 2009 (3ªed.)

Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Contentamento é a ida
De uma alma do interior para o mar,
Passadas as casas - passados os promontórios -
Até à profunda Eternidade -

Criado como nós, entre montanhas,
Pode o marinheiro entender
A intoxicação divina
Da primeira légua longe da terra?


Emily Dickinson
Esta é a minha carta ao mundo e outros poemas

Presentes retidos



Enviamos a Onda ao encontro da Onda -
Uma Missão tão divina,
O Mensageiro também enamorado,
Esquecendo-se de voltar,
E temos a sábia percepção ainda,
Embora feita em vão,
O momento mais sensato para deter o mar é quando o mar já partiu -



Emily Dickinson
Esta é a minha carta ao mundo e outros poemas
Assírio & Alvim, 1997

Sábado, 29 de Janeiro de 2011

cadernos para uma breve história da Trama #3

A Trama não é um blogue, é uma livraria. O blogue, no entanto, nasceu um mês antes, prematuro. O blogue é uma incubadora. A livraria é gerida por duas pessoas. Duas pessoas têm quatro braços mas apenas duas cabeças. A livraria tem trabalho que chegue para muitos braços e tantas cabeças. O blogue faz-se com a cabeça e com os dedos. A livraria precisa do corpo todo. Quem entra no blogue só está a entrar na incubadora. A sério é aqui fora. Todo o leitor que ousa sair de casa é um leitor com cabeça e duas pernas. Neste sentido, a bravura está mais pernas que nos dedos, mas mais na cabeça que nos braços é que não sei.

da gestão da montra

De vez em quando há quem nos peça que coloquemos certo livro numa das nossas montras - seja ela a da loja, seja esta, mais virtual, do blogue. Quem faz estes pedidos não o faz por mal - é certo que um livro que esteja à vista é um livro que mais facilmente venderá e um autor precisa de ver os seus livros vendidos. O problema é que estes pedidos encostam-nos à parede: queremos ser afáveis e delicados mas não gostamos que nos digam como se arruma a nossa casa. É assim com qualquer pessoa: quem é que gosta de ter uma sogra a colocar a moldura preferida sempre em cima da televisão?

Se não é por mal que nos pedem este destaque, também não é por mal que nem sempre o damos - na verdade, na nossa casa só fazemos aquilo que queremos. A grande diferença é que esta casa tem as portas abertas a qualquer pessoa e se a moldura que a sogra deu não estiver em cima da televisão não há como disfarçar, é como se ela tivesse a chave de casa e a qualquer momento pudesse descobrir a grande desfeita que lhe fizemos. Nós temos, apesar de tudo, de correr o risco. Talvez esta sogra saiba um dia respeitar o nosso espaço.

Quando alguém nos pede para colocarmos um livro na montra, regressando ao que interessa, está a encurralar-nos. É óbvio que é difícil dizer que não. E é também óbvio que, caso não o façamos, corremos o risco que essa pessoa não queira voltar a cá entrar. E se isso acontece, estamos os dois encurralados - nós e a pessoa que fez o pedido, que irá sentir-se desconsiderada por nós. O que não faz sentido nenhum. Tendo em conta que a livraria tem uma identidade é preciso respeitar os critérios que desde sempre foram usados. Basta olhar para as nossas montras para perceber que damos destaque essencialmente a livros de arte, ensaio e literatura (sobretudo poesia e romance). É claro que há espaço para outras coisas. Mas há um ponto fundamental: são livros pelos quais estamos apaixonados. E este critério não pode ser substituído por outro.

Se não fazemos montras por dinheiro, querendo com isto dizer que não somos comissionistas de qualquer editora, e se fazer dinheiro seria uma forte motivação para uma livraria pequena que passa os seus maus bocados, não vamos abdicar do nosso critério pessoal - o que nos resta quando já não nos resta nada - apenas para não ferir a susceptibilidade de um autor. É preciso que o autor compreenda que a necessidade que tem de ver o seu livro vendido não é mais importante que a necessidade que a livraria tem de ser fiel àquilo em que acredita. Assim, se eu me apaixonar por um livro, até posso nunca chegar a colocá-lo neste blogue mas certamente falarei dele a todos os que entrarem. E o autor, na expectativa da visibilidade, esquece-se de uma coisa muito mais importante hoje em dia: a confiança. A confiança no trabalho dos livreiros a quem terá entregue os seus livros.

Nesta livraria não se dá destaque a livros só porque sim. Nós trabalhamos com tempo - porque a leitura é um gesto de tempo. E acho que com isto já se esclarecem algumas dúvidas.

nós não merecemos nada

Linguagem enquanto vaticínio: «um dia terás aquilo que mereces» (partindo do princípio que, por qualquer razão, eu mereço algo de bom) ou, pelo contrário, «ele não perde por esperar, ainda vai ter o que merece» (que é um castigo, uma punição). Como se isto da vida fosse uma meritocracia.

numa entrevista à LER, na edição de Dezembro, o João Barrento diz qualquer coisa muito sábia, era mais ou menos assim

«A Literatura Portuguesa não existe.»

[quem quiser o contexto terá que comprar a revista ou passar por cá que eu empresto a minha]

pharmácia de serviço

Esta manhã, no posto médico, chamaram pelo meu nome. Quando entrei no gabinete o médico, sentado por detrás de uma pequena secretária, falava com um homem de bata branca, pelo que pude perceber, enfermeiro da sala de pensos. Falavam da morte: o cancro nos rins é dos piores, ele tinha quarenta e oito anos, e o seu pai, quantos tinha? ah, ele já não tinha hipóteses, uma trombose e mais não sei o quê, foi no dia 1 de janeiro, pois, é muito difícil para ela - e eu, sentada, prestes a comentar qualquer coisa, que só me doía um bocadinho a garganta e que talvez já nem precisasse da receita, até já estava a sentir-me melhor. Fiquei calada. O enfermeiro acabou por se ir embora para chamar o trinta e sete, que devia estar lá fora com um penso velho para trocar. Depois disso a minha consulta durou mais dois ou três minutos, perguntou-me o que tinha, deitei a língua de fora, diga «a», antibiótico e xarope. mesmo antes de sair entra outro de bata branca, então alinhas? e o meu médico que sim, que alinhava. mas vai ser o quê? uma entremeada com molho de leitão, gostas ou preferes favas? o que vocês quiserem. Não se esqueça de carimbar a receita, diz-me, a senhora fuma? Então devia deixar.
E assim, em três ou quatro minutos, morte, entremeada, a vida no limite, cancro, colesterol, ou uma bronquitezinha, quem sabe o que nos espera?

Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011

cadernos para uma breve história da Trama #2

Quando é que começou a Trama? Quero dizer, quando é que começou - no coração?

Com 5 letrinhas apenas

"Um monte de pó formou-se no fundo da prateleira, por detrás da fila de livros. Os meu olhos não o vêem. É uma teia de aranha ao meu tacto.
É uma parte ínfima da trama a que chamamos história universal ou processo cósmico. É parte da trama que abarca estrelas, agonias, migrações, navegações, luas, pirilampos, vigílias, naipes, bigornas, Cartago e Shakespeare.
Também são parte da trama esta página, que acaba por não ser um poema, e o sonho que sonhaste ao alvorecer e que já esqueceste.
Há um fim na trama? Schopenhauer julgava-a tão insensata como as caras ou os leões que vemos na configuração de uma nuvem. Há um fim da trama? Esse fim não pode ser ético, já que a ética é uma ilusão dos homens, não das inescrutáveis divindades.
Talvez o monte de pó não seja menos útil para a trama do que as naus que carregam um império ou que o perfume do dado."


-"Os Conjurados" - Jorge Luís Borges

Borges 1+1= 2000000000000000.......



-"Os Conjurados" - Jorge Luís Borges
-"Evaristo Carriego" - Jorge Luís Borges

Tríade Gallimard



-"Les Mots" - Jean-Paul Sartre
-"Mémoires d'Hadrien, suivi de notes de Mémoires d'Hadrien"- Marguerite
Yourcenar
-"Le Tentateur" - Hermann Broch

Mas também dá umas dicas para o século XXI



-"O problema da descrença no século XVI" - Lucien Febvre

da Pouca Vergonha #3



"- A Vénus de Kazabaika" - Sacher- Masoch - Afrodite

um esgotado do laureado



-"Os Cachorros / Os Chefes" - Mario Vargas Llosa

Este da Sra Woolf já é difícil de encontrar



-"Flush uma biografia" - Virginia Woolf

Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

Por vocações de Leitura #1


Cesárea Bolaño

Veronika Coelho

Kitty Auster

e desafiam

há um desconforto qualquer que nos envolve quando somos obrigados a atravessar um grupo de adolescentes. olhamos para eles e parece que nos ameaçam - que são mais fortes que nós.

Eterno retorno



"Se assim queres...Talvez o livro em que estamos escritos seja apenas a história desta noite. Talvez nós passemos toda a eternidade prisioneiros do que fazemos esta noite, condenados a repetir cada gesto, cada palavra.
Dany falou baixinho:
- Talvez esta nem seja a primeira noite...talvez esta história a tenhamos representado, sempre igual, um número infinito de noites.
As notas do piano elevavam-se únicas, irrepetíveis.
Diana aproximou-se do piano, meteu os dedos no cabelo louro, despenteando-o, despenteando-o completamente.
- Então, quero fazer desta noite algo de único."

-"As Personagens" - Ana Teresa Pereira

E isto deixa-nos...claro, um bocadito...confesso...orgulhosos



Newsletter
27 Janeiro 2010

Felizmente o prazo de validade de alguns discos está directamente relacionado com os
ouvidos que os escutam. Por esta altura ainda não estamos perfeitamente convencidos dos
melhores entre os melhores que competiram no ano de 2010. Temos, no entanto, uma
estatística de vendas, e seguindo alguns números dessa lista podemos adiantar sem dúvida
alguma que algumas certezas assentam em nomes como Oval, Oneohtrix Point Never,
Emeralds, Four Tet, Julian Lynch, Caretaker, Leyland Kirby, Tiago Sousa, Evols, e sublinhar
algumas editoras que prometem um ano de 2011 ainda melhor – Editions Mego, Slow To Speak,
Numero Group, Analog Africa, Olde English Spelling Bee, Dust-To-Digital.
Muitas das novidades que sugerimos nesta newsletter ainda têm o carimbo de 2010 e é por
essa razão que faz sentido adiar, mais uma vez, uma lista decrescente.

Até já

Ontem, à noite



"Sombra: revés do destino. O negro e o branco - a
intriga avança devagar nas salas, jogada no xadrez do
mundo,
o progresso da paixão
confunde-se com o ruído do pára-brisas de um automóvel, à noite
a chuva
a errância por detrás de uma janela
com um dedo desenhou na humidade do vidro «fica comigo»

«eu fico» - a voz, o peso invisível
e o negro e o branco voejavam
raios de través incendeiam a imagem."


-"Pickpocket" - João Miguel Fernandes Jorge / Rui Chafes

Entre as páginas do "Les Mots" encontram-se bilhetinhos

E para nós o único tempo real
O único tempo em que vivemos



*encontrado pelo sempre atento sr da hora do almoço

Até os meus pequenitos sabem que a música vem do silêncio



-"Silence - Lectures and Writings by John Cage"

Arte de Sublinhar



Ensejo do Livro

Arte?!
Ora lá vem o crítico acima da proverbial chinela que lhe cabe - dirá o leitor, desconfiado das pretensões de tal título: «arte de sublinhar». E, já agora, quem decretou a condição artística do sublinhado, que mais parece artifício para socorrer memórias defeituosas?
Tudo se esclarece com paciência. Que a crítica literária, domínio a que pertencem genericamente os ensaios aqui recolhidos possa ser uma «arte de sublinhar», nem é fórmula metafórica de grande ambição: pior seria, talvez, concebê-la como «sublinhado científico» ou gongorizá-la com qualquer coisas como «música das entrelinhas». Nada disso se pretendo, nem o autor do título quer disputar a Harold Bloom o encargo simbólico de defender o crítico como criador artístico de pleno direito. Se a ambição não é excessiva, o arrojo conceptual também não é desmesurado. Afinal, compreende-se mais que bem a ideia geral que faz do crítico o conhecido «leitor de lápis na mão», metonímia ou metáfora que vai traduzindo o melhor que pode a dimensão activa de um modo de ler dedicado a mexer nos textos e a interferir no ilusório sossego das linhas impressas.


Arte de Sublinhar,
Gustavo Rubim,
Angelus Novus, 2003

um livreiro nos trasportes públicos



Juro que hoje vi o Henry Miller no Marquês de Pombal!

Uma bíblia



-" Modern Times Modern Places, life & art in the 20th century" - Peter Conrad

Hoje acordei assim

aprender com quem sabe #2



Índice (incompleto)

- Identity and Trembling
- Abandoned Being
- Hyperion's Joy
- The Decision of Existence
- The Jurisdiction of the Hegelian Monarch
- Vox Clamans in Deserto
- Noli Me Frangere (em co-autoria com Lacoue-Labarthe)
- To Possess Truth in One Soul and One Body
- On Painting (and) Presence
- Laughter, Presence
- Speaking Without Being Able To


-"The Birth to Presence" - Jean-Luc Nancy

Uma pérola



-"A Phala 1986 / 1990" - Assírio & Alvim

da Literatura que nos alimenta



Índice ( incompleto)

- O que é um escritor maldito?
- O Picasso das Caldas
- Surrealismo e sátira
- Nemésio na academia
- Crueldade testicular

Notícia de :

- João Gaspar Simões: "Tenho tanto que escrever, que não tenho tempo para ler"
Um estafermo, uma aventesma e surrealismo à vista!

-Fernando Namora - Poeta, o Namora?!...Fora! Fora!!!

- Mário Braga : Um parolo ao ataque
Um zanaga coimbrão

- José Cardoso Pires : Premissas literárias de um grande escritor
Um romance singular

- João Palma-Ferreira : Anarquista e dorminhoco


-"Literatura Comestível" - Luiz Pacheco - 1972

Genial, não menos



"-Blow-Up e outras histórias" - Julio Cortázar

Este já tem dono



-" Textures of Light , vision and touch in Irigaray, Levinas and Merleau-Ponty" - Cathryn Vasseleu

Histoire(s) du cinéma



"A secret agent will arrive in a city, Alpha-ville. He will at first be bewildered, then he'll understand, from certain signs, that the inhabitants, the Literates,
are mutants...Constantine, my Illiterate, will notice that certain words have disappeared...Anna (a literate) will not know the word "to love"... The Literates will not know thw word "handkerchief" either, because they don't know how to weep...I will show a thought that tries to combat this, and wich to some extent succeds. Anna will finally be able to weep."


-"Everything is cinema; The working life of Jean-Luc Godard" - Ricahrd Brody

Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011

Tal

1. Limitação do espírito: de facto, não aceito nada do outro, nada compreendo. Tudo o que no outro não me diz respeito me parece estranho, hostil; experimento, então, diante dele, um misto de medo e de severidade: receio e reprovo o ser amado quando ele deixa de «aderir» à sua imagem. Sou apenas «liberal»: um dogmático dolente, afinal.

(Industriosa, infatigável, a máquina da linguagem que em mim ressoa - pois trabalha bem - fabrica a sua cadeia de adjectivos: cubro o outro de adjectivos, desfio as suas qualidades, a sua qualitas.)

Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso

Raquel #3



"há maneiras bem piores, mesmo assim
de queimar a juventude


faltam ainda, no momento em que escrevo
sete carimbos até ao final
- sete anos de pastor Jacob servia -
ou seis, caso o leitor me confirme que
tem na sua frente este poema

sinal de que o mesmo terá sido, também ele
um dos escolhidos para definhar junto dos outros
no esmerado lote do terceiro livro

o livro beat
- de beatitude, assentemos assim -

se está a pensar, eventual leitor, acompanhar-me
mesmo que de modo fortuito, neste escusado exercício
saiba que nunca estive tão perdido como agora

duvide de tudo o que lhe parecer escorreito
não se deixe enganar sequer pela imprecisa
citação dos clássicos"


- " Santo Subito" - Miguel-Manso

Raquel # 2



"Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com ela;
Porém o pai, usando de cautela
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida."


-" Sonetos de Luís de Camões" - escolhidos por Eugénio de Andrade

Raquel #1



"And Jacob met Rachel in the valley,
He bowed to her, like a homeless wanderer.
The flocks churned up hot dust,
The spring was blocked by a huge stone.
He removed the stone with his own hand
And gave the sheep pure water to drink.

But the heart in his breast began to grieve,
To ache, like an open wound,
And he agreed to labor for the maiden
Seven years as a shepherd to Laban.
Rachel! For him who was under your sway,
Seven years were like seven dazzling days.

But very wise was Laban, the lover of silver,
And pity was unknown to him.
He thought: Everyone will forgive deceit
For the glory of Lban's house.
And with a firm hand he led unsuspecting Leah
To Jacob's marriage bed.

Deep night flows over the desert,
Lets fall cool dew,
And Laban's younger daughter moans,
Tearing her heavy braids.
She curses her sister and blasphemes against God
And commands the angel of death to appear.

And the sweetest time for Jacob was his dream:
The limpid spring of the valley,
The joyful gaze of Rachel's eyes
And her voice like a dove:
Jacob, wasn't it you who kissed me
And called me your black dove?"


- "The Complete Poems of Anna Akhmatova" -

Duas grandes razões



"no país no país no país onde os homens
são só até ao joelho
e o joelho que bom é só até à ilharga
conto os meus dias tangerinas brancas
e vejo a noite Cadillac obsceno
a rodar os meus dias tangerinas brancas
para um passeio na estrada Cadillac obsceno

e no país no pais e no país país
onde as lindas lindas raparigas são só até ao pescoço
e o pescoço que bom é só até ao artelho
ao passo que o artelho, de proporções mais nobres,
chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça,
recordo os meus amores liames indistrutíveis
e vejo uma panóplia cidadã do mundo
a dormir nos meus braços liames indestrutíveis
para que eu escreva com ela, só até à ilharga,
a grande história do amor só até ao pescoço

e no país no país que engraçado no país
onde o poeta o poeta é só até à plume
e a plume que bom é só até ao fantasma
ao passo que o fantasma - ora aí está -
não é outro senão a divina criança (prometida)
uso os meus olhos grandes bons e abertos
e vejo a noite (on ne passe pas)

diz que grandeza de alma. Honestos porque.
Calafetagem por motivo de obras.
É relativamente queda de água
e já agora há muito não é doutra maneira
no país onde os homens são só até ao joelho
e o joelho que bom está tão barato"



-"Uma grande razão" - Mário Cesriny
-"as mãos na água a cabeça no mar" -Mário Cesariny

Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

Imediatamente embora pouco a pouco #9



«No espanto desenhado da palavras azuis, há ocasiões em que paro, a meio de escrever, e me apavoro. Eu: que escrevi, porque escrevi.
Quem sou eu para me revirar e jogar isso num papel a caminho de outra gente? Quem sou eu (repito) para ensopar na tinta que sou as coisas que me furam?
Olho, penso, não acho resposta. "Nem que sim nem que não", diz assobiadamente o silêncio de tudo e todos a este respeito.
Encolho-me. Ninguém dá por mim (a própria cigarra que grita terá do que se está a passar uma suspeita leve e breve).
Quite em tudo que não seja o braço, mexidamente direito, e o sangue e o respirar, volto ao papel. O Tempo: é como chuva. E em qualquer sítio uma qualquer porta atrás de que pode estar alguém.»

Nuno Bragança, "A Noite e o Riso", Obra Completa, Dom Quixote, 2009

os imperdoáveis


Sprezzatura
, é um ritmo moral, é a música de uma graça interior. (Cristina Campo)