
Sábado, 30 de Abril de 2011
Ela tem os teus olhos #1

Movimentos no Escuro

Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
Momento Pergaminho #6

Fogo
Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
a temperatura do corpo #7

dirty projectors
ascenção e queda do império de uma leitora (numa semana)
liberdade
que nada se esclareça
não namores com uma miúda que lê, namora com uma miúda que tenha bigode
E olhar é um modo de crescer em silêncio
"O mês de março vem ver como é e toca em tudo, e as montanhas descem pela tarde íngreme, nos espelhos tu serás daqui em diante todo o meu braço esquerdo, porque eu vou levantar voo com o braço direito na camisa demasiado azul, meu amor a espuma é uma pressa das águas que chegam à alvorada, nascidas num centro nocturno onde os animais estremecem e dormem- nunca mais terei sono, vou despir-te tão lentamente quanto se tece uma estação, e arderá nos meus dedos uma doçura negra, só depois eu saberei como é leve toda essa roupa exaltada, na atmosfera que treme dás um passo com os teus cabelos, e a paisagem ergue-se e respira, com a cor toda na voz procuro o nosso silêncio, como tu és uma criança passa a sombra do vento, e passa porque estás nua uma vertigem de sal, e ouve: o teu país é pimenta, e então é a noite pintada ao fundo e a lua senta-se, meu amor como um cardume livremente branco, e olhar é um modo de crescer em silêncio, respiras elevada até ser teu corpo um grande pensamento, e tudo se cala para termos muitas mãos por onde compreender, o mês de março está no meio e não se move, sentimos apenas os seus pulmões ardentes na matéria delicada que ferve atrás dos séculos."
-"Vocação Animal" - Herberto Helder
Esta Trama também é tua Sr Cortázar

"A poesia não deve ser feita por um mas sim por todos". No fundo, o que é a "formação do público" quando se baseia numa criação digna deste nome? É simplesmente, dar a este último a máxima possibilidade de também se sentir criador, concomitantemente como indivíduo e como membro integrante de uma sociedade; não necessariamente um criador de livros, filmes, máquinas ou sistemas científicos mas antes alguém capaz de responder por si próprio aos estímulos culturais que lhe oferecem os outros criadores através das suas obras e chegar assim a converter-se no homem novo, aquele que recebe fogo de Prometeu e o propaga numa vida plena, na alegria de se saber um dos que erguem com os seus irmãos a verdadeira casa do presente e do futuro. Isso é fazer poesia entre todos, como pedia de um modo visionário Lautréamont."
-"Papéis Inesperados" - Julio Cortázar
Cronópios de todo o mundo, uni-vos!

"Então, o panorama é o seguinte: por um lado, os criadores continuam a sua obra de um modo mais solitário que nunca, sabendo estes serem negados ou objectos de resistência, rodeados de desconfiança e receio e, por outro lado, aqueles que se encarregam da formação do público vêem-se na necessidade de cumprir a dupla tarefa de serem criadores e formadores, com o resultado de que o nível da sua criação é regularmente de uma mediocridade bem provada em todos os períodos de sectarismo e a conseguinte "formação" do público cinge-se ao triste quadro que descrevi no começo destas notas. É fatal que os homens incapazes de compreender o fenómeno da mais alta criação, somados aos incontornáveis invejosos e ressentidos que atacam mais baixo, sem confessarem as verdadeiras razões que os movem, se coliguem numa empresa de "formação" do público que não passará da superfície, de uma aparência de cultura que, grito-o uma vez mais, esconde uma motivação mais profunda: o enquadramento, a aceitação de um nível medíocre mal dissimulado pelas grandes palavras ocas que são de rigor nestes casos."
-"Papéis Inesperados" - Julio Cortázar
Quarta-feira, 27 de Abril de 2011
antologia breve
o outro deixará enfim de ser necessário.
nu sobre a jangada
Bastaria
saber que nunca
nunca nunca a paz
chegaria como o sol chega
nas ilhas tropicais.
(...)
«Adão», in Antologia Breve, William Carlos Williams, trad. José Agostinho Baptista, Assírio&Alvim, 1993
Se houver ainda
Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Segunda-feira, 25 de Abril de 2011
o combate com o demónio #2

Domingo, 24 de Abril de 2011
Corpus Christi Carol #4

Sábado, 23 de Abril de 2011
Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
a poesia não me interessa #24

Quinta-feira, 21 de Abril de 2011
quinta-feira santa
Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
my blueberry days
Terça-feira, 19 de Abril de 2011
o homem de quarta-feira #39

Segunda-feira, 18 de Abril de 2011
Teoria da Conspiração #23 (ou o Fundo Mitológico da Ironia)

Domingo, 17 de Abril de 2011
Chefe, precisamos de mentiras novas #1

Sábado, 16 de Abril de 2011
Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
o Mal-estar da Civilização #20

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011
K, o elemento estranho da tabela literária #1

Quarta-feira, 13 de Abril de 2011
a vida não é um sonho #9

Terça-feira, 12 de Abril de 2011
até já.
li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então eu indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
?e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável, apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela,
a paixão grega
Segunda-feira, 11 de Abril de 2011
funeral blues
comentários
rima com incontinência mas não tem nada a ver
A Trama Livraria, Lda. entrou em insolvência há escassos dias. Durante os próximos tempos entrará numa espécie de período de "liquidação" que tem por objectivo escoar todos os livros que foram adquiridos (em segunda mão, maioritariamente) ao longo de mais ou menos três anos de trabalho.
Suponho que o nosso encerramento seja uma surpresa para muitos - sobretudo para aqueles que não têm aparecido mas, para dizer a verdade, estava na cara.
Como todos sabemos, nenhum negócio vive de amigos, primos, vizinhos ou entusiastas. Um negócio, qualquer que ele seja, precisa de clientes para poder cumprir com um sem fim de obrigações que passam pela renda, pelos impostos, pelas contas (água, luz, net, telefone, essas coisas) e, com sorte (não a nossa, convenhamos), pelos ordenados.
Como podem ver não fomos bem sucedidos - isto se acreditarmos nesse conceito misterioso chamado "sucesso". A meu ver - e se nos seguem há tempo suficiente bem sabem que aquilo que acho serve de pouco ou nada - fomos muito, muito bem sucedidos. Falhou o guito. Falharam várias coisas, todas passando pelo guito.
Durante três anos fizemos tudo quanto podia ser feito - concertos, leituras, conversas, edição de dois livros, teatro, festarolas, cinema, actividades infantis e sabe-se lá mais o quê. Todas estas coisas foram feitas, essencialmente, por acreditarmos que eram necessárias, pese embora nunca tenham sido lucrativas. Mas que se lixe, não estávamos nisto pelo lucro e, imaginem, nem sequer somos de esquerda. O objectivo sempre foi o mesmo, desde essa tarde de 2007 em que concebemos a Trama, até há uns meses atrás: fazer aquilo de que gostávamos e em que tínhamos alguma experiência, continuar a aprender e... partilhar. Fúria juvenil, ímpeto irracional, inexperiência, falta de jeito para o negócio, chamem-lhe o que quiserem.
Não queremos que lamentem, que tenham pena, que nos consolem. Não estamos arrependidos e, creio, fazíamos tudo outra vez. Talvez agora soubéssemos uma ou duas coisas que tornariam este desfecho diferente... mas a verdade é que se as tivéssemos sabido há mais tempo, a Trama, como a conhecem, nunca teria existido.
Um erro, sim
mas belo
belo
belo
belo
Não queremos que se sintam culpados. Mas se se sentirem também não faz mal.
Domingo, 10 de Abril de 2011
«E já não enfrentamos a morte, de sempre trazê-la conosco»
Cada dia que passa incorporo mais esta verdade, de que eles não vivem senão em nósSábado, 9 de Abril de 2011
a poesia não me interessa #23

Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
Imediatamente embora pouco a pouco #10

Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
outra coisa
abro um livro ao acaso
(Até o Baudelaire sabe mais da minha vida do que eu própria.)
Retrato de Família #14

é sempre reconfortante voltar aos clássicos
Terça-feira, 5 de Abril de 2011
o pecado
Da utilização descarada das palavras de outros para enviar mensagens secretas ou sobre a atenção aos presságios ou desta casa que será sempre tua
a pergunta era, obviamente, retórica
estou muito cansada, hoje
Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
espécie de oração particular #8
Domingo, 3 de Abril de 2011
Sábado, 2 de Abril de 2011
Dicionário das causalidades #5

Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
Toda a humilhação leva à morte #11




















