«Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos.»

Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

A Trama sugere (últimas vagas)



Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura portuguesa do século XX, de um ponto de vista generalista focando os principais movimentos e alguns autores. É um curso que se direcciona sobretudo a quem não é da área dos livros (ainda que todos os outros sejam bem vindos), tentando dar uma visão alargada do que se passou por cá no século XX.

1ª sessão:
final do século XIX
abertura para as vanguardas do século XX
modernismo
surrealismo

2ª sessão:
neo-realismo
existencialismo
poesia de intervenção
novos autores

Com Rosa Azevedo.
€50,00 dois sábados no nosso terraço, com lanche incluído - uma organização do Método DeRose Cascais.

Inscrições: info@metododerosecascais.org

Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

Blaise Cendrars a Féla Poznanska

Sê bem-vinda. Há muito que ando fugido
do mundo, de celas antigas, domésticas,
por isso sê bem-vinda ao lugar da fuga.
Dou-te a minha mão para que sintas
o nervo nómada, a desmesura de quem parte
em aventura, o tempo que se cumpre
em cada travessia. Dou-te o meu braço
direito porque é nele que o coração
transita, como um comboio que parte
e retorna para poder voltar a partir.

Sê bem-vinda à fome, à miséria,
à solidão que a todos chega e finalmente
pergunta: que fazes aqui? Respondo
à solidão que faço o meu tempo,
nenhum relógio poderá marcar a distância,
nenhum ponteiro indicará o caminho,
seguiremos por onde lutar for resposta,
seremos a espuma dos dias mais belos,
das horas mais livres. Tu e eu, de mãos
dadas, dançando o tempo com fervor,
sem nenhum ruído que nos impeça
a poesia, a música, a liberdade.

Repara: os homens sem escudos
precisam abrigar-se de si próprios,
tudo podem contra o mundo, nenhuma
estação lhes estacionará a fuga.
Talvez descubram um dia na berma
de uma estrada batida, entre o mato
da floresta, numa duna desértica, talvez
aí descubram a sombra que os proteja
do calor insuportável que sobre eles paira
logo à nascença. Trazem dentro uma erupção
contida que só a paciência da espera
poderá suportar. E tu foste essa paciência.

És a mais bela desordem que me aconteceu.
Sentado na estação a observar
famílias inteiras em trânsito, penso
naquele impulso que um dia me impeliu
para fora das quatro paredes de um
quarto frio. Saltei pela janela, corri
sem direcção, corri para onde me levasse
a direcção de apenas correr. O meu destino
eras tu. Tu, pedaço de terra onde ergui
a única morada que me serviu de abrigo.


-"A Dança das Feridas" - Henrique Bento Fialho

Domingo, 19 de Junho de 2011

break free

Às vezes penso que era só fazer camas num hotel, servir cafés numa esplanada, ler livros ao fim do dia, ver uns filmes de vez em quando. Está feito, é uma vida. Não tenho que me justificar, bem sei. Acontece que não conseguia adormecer por causa disto, deste impasse, desta indecisão, e o que agora escrevo é ensaiado, linha a linha. Como uma nota de suicídio. (Será que hoje, antes de cortar os pulsos ou enfiar a cabeça no forno, se deixa um post num blogue qualquer?) Uma pessoa passa a vida toda em busca de compromissos e um dia descobre que nunca mais terá força para se libertar. Quer, mas não pode. Este blogue é isso, o compromisso em que amanheço reclusa. Sendo assim, 'tá no ir.

casacoração



espeto-te uma agulha, tás'm'óvir?

um (ou dois) barbudos por dia não sabe o bem que lhe fazia


Orlovsky&Ginsberg

Resposta automática: vou hibernar, não me lixem

Não esquecer: a veia que sobe do pescoço até. Havia também uma frase: la paura crea un'elevata dipendenza. Anotações mentais para um texto que não verá a luz de nenhum dia. Entretenho-me a olhar para o baterista. Para além da veia, usa um fio. De tanto olhar acabo por achar que ele também olha para mim (não é verdade, sei que ele não vê ninguém, sabe-me apenas bem ser menos estrangeira porque vista, concretamente).

O mundo desfaz-se aos poucos. Chove na minha cerveja, ou é como se. Algum tempo depois chegará o Roy e colaremos, com cuspo, as razões de ali estarmos, numa noite de Junho, uma portuguesa e um indiano, à beira de nada.

Não esquecer: é no desconfiar do próprio que começa um dos grandes males do Ocidente. Conclusões afectivas em cima da salada. Ele pediu talheres para mim e insistiu que comêssemos do mesmo prato - não quer perder os hábitos da terra. «Sabes que os casamentos arranjados são quase sempre bem sucedidos?». Eu não sei rigorosamente nada, esclareço. «Se eu tivesse um mau comportamento com as mulheres não poderia confiar em mim. Se não confiasse em mim, não poderia confiar em ninguém.»

Nada (nem o seu contrário) faz muito sentido. Voltamos ao baterista. Voltamos à ideia de que a primeira coisa que uma pessoa tenta fazer, quando está livre, é deixar de estar. Ou então é cinema, é distender ao máximo o arco das possibilidades. No meu caso, nada prático, nada que se faça acontecer: está tudo na ideia do tiro, não no tiro-ele-mesmo. Ou no potencial desse tiro.

Mais notas: que toda a má acção é justificável; que todo o pensamento se anula a si próprio; que é preciso apanhar o autocarro e ir para casa depressa.

Sábado, 18 de Junho de 2011

Sexta-feira, 17 de Junho de 2011

cinema

gostava de ser mais curiosa, de querer experimentar coisas diferentes, picar aqui e acolá, saltitar. acontece que, quando me apaixono por alguma coisa, tudo o resto parece que deixa de existir. quero dizer: satisfaz-me que haja uma Gena Rowlands e não preciso de mais nada, acaba-se ali o cinema, tenho tudo. ou certo bar, onde vou sempre, ou a música que conheço e que vive no mp3 durante séculos até que me lembre de mudar. às vezes apercebo-me que há outras coisas de que eu também gostaria, se experimentasse, picasse, saltitasse.


"É às palavras-actos, não às palavras que supõem actos, que me dirijo".

- António Maria Lisboa -

Este vício das palavras #1

Esta semana entrei na Galileu, em Cascais, só para ler um capítulo do "Alexandra Alpha".
O capítulo do Ruy Belo.
Insuflado.
Leitor em êxtase.

um barbudo por dia não sabe o bem que lhe fazia

Carvalho

Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

(...)

Nada, não fazer nada, fazer o quê? Excertos de coisas: correspondência, mensagens. Para trás, alguma hipótese de escrita. Para a frente, a completa impossibilidade de______. Deitar cedo oferece-me as manhãs, que depois esbanjo em ninharias, cigarros à varanda. Que se foda: apetece-me repetir. O meu cérebro está pior que o apartamento da Sónia Brazão.

apontamentos de uma aluna

«por ser um verbo regular, lieben, no passado, é fácil de conjugar.» quem diria.

um barbudo por dia não sabe o bem que lhe fazia

Sousa

sem título (colecção privada do artista)

Parecia-me que concretizava um poema - sozinha, no mercado que todas as quartas-feiras se realiza na estação principal. Sozinha, percorri uma fila de banquinhas: sumos naturais, frutos secos e cristalizados, legumes biológicos, pão italiano, mel, azeite, doces caseiros. Interessei-me sobretudo pelas cerejas que repousavam, muito vermelhas, numa pilha enorme. Fruta italiana, dizia no letreiro, nas costas do tipo que me terá perguntado qualquer coisa (quer provar uma? vai levar alguma coisa?). Eu terei dito que não, que não falo alemão, e até sair dali, apressada e sem compras, acabei por dizer, na língua que não falo, quem sou, o que faço, de onde venho, que línguas falo. À despedida ele disse-me: aprende depressa. E riu-se.

Não, eu não aprendia a escolher legumes no centro da Babilónia, sozinha, não pude algemar Deus.

À tarde, segui de braço dado com a Jessica, rumo à cidade velha. Miradouros, igrejas, parques. Jessica não suporta Caetano ou Chico, prefere Cazuza, Legião Urbana, rock brasileiro e em geral. Deitadas na relva, com o iphone dela, ouvimos Sabonetes, queimamos as pernas, o tempo. É sempre no tram que nos divertimos mais, é lá que falamos de namoros, transas, climas. Paradas, pousamos para o postal que a todo o minuto se desenha na cabeça de cada uma. Isso é bem chique, né? pergunta uma, pensando no glamour de um lago no meio das montanhas, lembrando já a juventude que se foi. Dentro de uma semana, adeus Jessica, vai lá para o teu fuso cinco horas atrasado, foi bom enquanto durou.

À noite já não penso em nada disto. Também não penso no que ficou para trás. É como se tudo quanto vivo me acrescentasse pele, peso de roupa, um casaco de inverno. É como se todos os dias ganhasse alguma coisa, um acessório, uma mala, alguma maquilhagem. As alegrias são periféricas e servem para manter equilibradas as funções vitais. O coração bate, asseguro-me disso assim que acordo, porque quase não dou por ele. Sei que bate, claro, bateu quando ele me pediu para aprender depressa a língua que podíamos falar, mas não bateu por ele, talvez por mim, surpreendida por, apesar de tudo, estar viva. Uma pessoa faz tudo quanto pode para morrer e, ainda assim, vive. Sem texto, sem banda sonora, toda corpo, passo, a fazer-se à terra que pisa.

A verdade é que nem sequer tenho vontade de escrever. Faço-o como uma condenada, como quem expia o pecado de ter largado tudo para ser feliz com nada. Tudo o que antes era uma espécie de "blog material" agora é só um jeito de existir, como uma assombração, na casa que o morto não quer deixar. Depois lembro-me que não interessa, seja como for, justificar o que quer que seja, não é preciso que tudo tenha uma razão de ser, ou que essa razão se explique desde logo. É preciso lembrar-me dos ideais antigos, do «que nada se esclareça», e não ter medo. Como tal, nem vou reler este texto. Não te assustes.


Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

entre a luz e o cansaço #2

"Não são os olhos que fazem o homem ver, mas sim o homem que faz com que os olhos veja"

- Paracelso -


entre a luz e o cansaço



'One cannot lose
what one has not possessed.'
So much for that abrasive gem.
I can lose what I want. I want you.

um barbudo por dia não sabe o bem que lhe fazia

Manso

Terça-feira, 14 de Junho de 2011

Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

diário dos mesmos pesares #10



Feriado Casamenteiro?

um barbudo por dia não sabe o bem que lhe fazia


Everett

Kings of Convenience

Desde o primeiro álbum que se criou a ideia que você era mais aventureiro e ele o mais estável. Revê-se no retrato?

Não é tão simples. Sou aventureiro, mas passo o tempo a sonhar com estabilidade. Ele tem essa estabilidade, uma mulher e um filho lindos, mas também deseja a aventura... [risos].

Como é vivida essa divisão, esse conflito?

Durante anos era isso, em parte, que nos dividia, mas não tínhamos essa consciência. Eu estava sempre pronto a partir. Eirik queria ficar. Agora esse conflito desvaneceu-se, porque ambos nos aceitamos melhor. Continuo a gostar de viajar, de andar em digressão, de conhecer outras pessoas e cidades, mas estou mais pacificado com o facto de ser aqui que encontro tranquilidade. Com Eirik passa-se o mesmo. Tenho a sensação que, às vezes, ele sentia que o mundo lhe passava ao lado por estar aqui. Agora sente-se menos ansioso, mais pacificado.

[no ípsilon]

Domingo, 12 de Junho de 2011

Halle 53

Arregalei-me muito - e era só um concerto. Arregalo-me toda, tento não pensar. No concerto as memórias iam e vinham, só o espanto podia pará-las. É preciso que te lembres: estás só. É preciso que te lembres e que te alegres. Às vezes uma pessoa fala consigo própria, tem de ser. Estava um calor de morrer. Ao meu lado, uma rapariga muito baixa com um vestido florido em tons de verde e laranja, esbanjava beleza made in china. Que sufoco, sorrir em frente, para ninguém. Queres ver tudo, apreender tudo, estar em casa - e ao mesmo tempo, a casa és tu, só tu. As pessoas dançam, batem palmas, obedecem ao negro da guitarra - agora digam, e elas dizem. Não importa o quê. Eu também digo, bato palmas. À saída decido espreitar as barraquinhas de artesanato e world food e um mulato precede o meu sorriso com um cumprimento qualquer - minutos depois está atrás de mim, enquanto escolho um porta-chaves novo, a querer saber quem sou, de onde venho, para onde vou. Falamos francês, ele elogia o meu accent. Está bonito, está, insistem em falar com quem não tem nada para dizer, estação - ele leva-me à estação. Diz que me vai mostrar a parte francesa e eu digo porque não. Diz que viveu aqui, acolá, eu digo ah pois. Diz que, e eu, hum hum.

Sigo para o comboio esquecida de tudo isto, olhos fixos nas montanhas, no verde que corre, nas páginas de um livro para crianças que uso para aprender coisas tão complexas como morango, polegar, limoeiro. Se ao menos pudesse explicar o valor de cada palavra, hoje, cada uma. Cada palavra que repito em silêncio, desprovida de contexto, semântica, memória, e que nem sequer sei se alguma vez usarei, se chegará o diálogo em que dela precise, ou se me lembrarei, se conseguirei ir buscá-la a uma memória forjada, feita de viagens de comboio, cartazes publicitários e jornais gratuitos.

Não sei o que lhe terá dito ela, depois de o ter beijado tanto debaixo dos calores do Mali (ela tinha o cabelo curto, loiro, era bonita); e na estação, a mão no rabo universal, que isto dos corpos fala-se em toda a parte, ele na orelha dela a dizer que coisas, com quantos erres e declinações? Não, eu só sei dizer quem sou, sei os nomes de algumas frutas e legumes, sei parentescos, médicos e doenças. O resto, o que é o resto?

Fraulein Zitrone, o que eu faço por ti

1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
A releitura é para quem não faz nada da vida, pá. As pessoas têm pressa. Eu, por exemplo, estou a reler um livro neste preciso momento. E porquê? Porque não faço ponta.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Isto é o mesmo que perguntar: com que tipo andaste, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste aguentar até ao fim?

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
A Noite e o Riso.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Começo a achar que este questionário quer saber de mais – eu flirto com imensos livros mas a coisa não tem necessariamente que acontecer com todos (e isso não me preocupa).

5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
Agora não me ocorre nada. Guardo dos livros uma série de imagens, dispersas, que nunca consigo explicar. Leio como quem vai ao cinema, talvez porque não sou muito esperta. Como dizer? Não decoro frases, não me lembro dos nomes das personagens, nem daqueles momentos cruciais que definem as obras. Fico apenas com uma ideia, uma sensação. É claro que vejo perfeitamente o rosto da Maga e da Zana, é claro que vejo com bastante clareza a sala de refeições d’A Montanha Mágica, é claro que conheço de cor a casa de Orlando, tanto em Inglaterra como no Oriente, mas isto não serve para nada, pois não?

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Tinha, sim senhor. Comecei por uma colecção da Disney que tinha cassetes coloridas e uma estante amarela para guardar os livros (detestava, não sei porquê, os Aristogatos), depois passei para a colecção Uma Aventura, também fui doida pelo Triângulo Jota, sobretudo os dois volumes de Guardado no Coração (a Joana, do sexto ano, ficou-me com o segundo volume, depois de deixar de falar comigo), than Agatha Christie (tanto que não me lembro de nada a não ser o do Expresso do Oriente), e a colecção Dois Mundos (com títulos tão curiosos como A Sorrir Também se Vence), senti-me vitoriosa quando li O Mundo de Sofia (porque era uma pita de 11 anos com muita mania), depois entrei numa colecção sobre Budismo que a minha mãe mandava vir do Círculo de Leitores, e também passei pela Rebelo Pinto, pelo Nicholas Sparks e pelo Paulo Coelho e sobrevivi, acreditam? Até ter lido Os Maias e o Ensaio sobre a Cegueira nunca tinha gostado de um livro de leitura obrigatória – odiei o Cavaleiro da Dinamarca, A Inexorável Guerra da Avenida Gago Coutinho, O Velho e o Mar, as Viagens na Minha Terra, o Sermão aos Peixes, tudo, tudo, tudo. Mas depois cresci e tornei-me uma leitora super fofinha, vêem?

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Ó, I’m a looser, baby, não tenho força de vontade para tanto.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Então é assim: é ler o blogue, para trás. Está lá tudo, com excertos e textinhos mais ou menos parolos em que não escondo o meu amor.

9. Que livro estás a ler neste momento?
Alexandra Alpha, do Sr. Cardoso Pires. É um DIY (do it yourself), em jeito de guia espiritual. Para além disso tem uma cena brilhante e comovente com o Ruy Belo de onde não me apetece sair. E este clássico:


10. Indica dez amigos para o Meme Literário:
O que é o Meme?

the secret diaries of Katharina Palmer (ou: os rascunhos nunca antes publicados)

As histórias, em qualquer parte do mundo, são muito parecidas. Deixei a Jessica em Belevue e segui para a Rämistrasse a rir-me de tudo quanto em nós coincide sem que por isso fiquemos menos sós. Aqui, mesmo que chova, anda-se na rua. É assim, o Verão, e no Inverno não será diferente, embora tenhamos que substituir a chuva por neve. Chovia, sim. E eu andava por ali sem saber que andava por ali, via as montras das Galerias, Vallotton, Giacometti, os anúncios das subidas e descidas das acções nas montras dos Bancos, peças resgatadas a sabe-se lá que século em Antiquários pequeninos onde não me atrevi a entrar. [to be continued]

este blogue ou acaba ou passa a diário

Se não podes ir ao Mali, deixa que o Mali venha até ti.

Sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

uma das coisas que se aprende com a língua alemã

é a juntar palavras para criar uma palavra nova, por exemplo: suíçodumraio.

so use it , miúda

Terça-feira, 7 de Junho de 2011

na verdade comecei a ler isto

Já vou em 4 linhas. Do prefácio.

I love dancing, crazy romancing

É imaginar uma rapariga sentada nas escadas de uma estação - Stadelhofen, chamemos-lhe, vinda, talvez, de Bellevue - calças de ganga, ténis, nada a relatar, um ipod na mala e é só. Depois, é imaginar que a música é qualquer coisa assim: Ain't got no home, ain't got no shoes / Ain't got no money, ain't got no class / Ain't got no skirts, ain't got no sweater / Ain't got no perfume, ain't got no beer / Ain't got no man. A rapariga, claro, sou eu. E logo a seguir, o verso que não me sai da cabeça: 'One cannot lose what one has not possessed.' Nunca a liberdade foi tão inteira: não tens, não perdes. E ainda assim, dás.

Em Zurique os clochards juntam-se em bancos de jardim para beber cerveja e falar muito alto. Ficam ali, à beira dos parques, como os miúdos que foram. Parecem inofensivos. Um, esta manhã, aguentou a porta to Tram para que eu, saída da aula e da conversa breve com o Roy, um indiano que está a fazer um doutoramento em medicina, pudesse ir à minha vida - ou à minha falta de vida. Quando saiu, olhou para mim e lançou um adios arrastadíssimo, lá do fundo da moca, enorme. Desta vez não sorri - clochards, para mim, são Rayuela e La Maga, onde anda?

Well, I'm feeling good aber ich spreche nicht deutsch - nem leio, nada, de nada, de nada. Aqui em Babilónia andam gazelas nos telhados, isso posso garantir-vos. Vejo-as, de manhã, saltam com os pássaros. E há duendes de loiça (que hei-de comprar para o jardim da Cat).

Hoje, no intervalo da aula, perguntaram-me: Então e tu, estás aqui a fazer o quê? Ao que eu respondi: nada. Haverá melhor coisa do que não fazer nada? É que agora sim, posso fazer o que quero, escrever o que quero - sem que me entrem em casa, queridos leitores, a perguntar se eu sou eu. É que não sou.





I got my heart, I got my soul / I got my back, I got my sex / I got my arms, I got my hands / I got my fingers, Got my legs / I got my feet, I got my toes / I got my liver, Got my blood

welcome to the cruel world

bom dia ricardo

Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

a subjectividade é a verdade #13


1+1=1 Dizia o Hermes pela boca dos Mutantes



"É verdade sem erro, certo, muito verdadeiro, o que está em cima é o que está em baixo e o que está em baixo é o que está em cima a fim de que seja feito o milagre de uma só coisa."

1+1= 1



"Elle est retrouvée.
Quoi? - L'Éternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil."


- Rimbaud -

Domingo, 5 de Junho de 2011

Chefe, precisamos de mentiras novas #2



«Como uma mesma corrente, desenvolvem-se as lutas de classes da longa época revolucionária, inaugurada pela ascensão da burguesia, e o pensamento da história, a dialéctica, o pensamento que já não pára à procura do sentido do sendo, mas que se eleva ao conhecimento da dissolução de tudo o que é; e no movimento dissolve toda a separação.»

Guy Debord, "A Sociedade do Espectáculo", Edições Antipáticas, 2010

senhoras e senhores

o blogue que quer deixar de fumar internacionalizou-se e tentar agora abandonar a nicotina ao abrigo do Acordo de Schengen. aparentemente, nada mudou, e o blogue que quer deixar de fumar continua a fumar, só que agora, tchanam, pelo dobro do preço. uma salva de palmas.

não cheguei a perceber se sou uma optimista ou uma pessimista

espero sempre o pior mas nunca me nego à viagem. (não deixo de pensar que há uma terceira hipótese, a de não ser muito inteligente)

é como viver com um touro num T1

expiação

muitas vezes dou por mim a escrever sem qualquer vontade. escrevo o que vejo, o que penso, sem grande estilo, sem qualquer convicção. não sei se me frustra mais o não escrever, de todo, ou essa escrita mal amanhada de quem se arrasta pelas frases como pela lama. nada soa muito bem, nada é completamente justo, nada é digno de registo. ando periférica, cheia de pele, toda olhos. e por dentro? nada.

Sábado, 4 de Junho de 2011

Teoria da Conspiração #26 (ou a Máquina do Estado Novo)



«Mas no caso da máquina humana de leitura, "ler" significa: reagir desta e daquela maneira a símbolos escritos. Assim, este conceito ficou completamente independente de um mecanismo psíquico ou de outro qualquer. - Aqui também não pode o professor dizer ao aluno: "Talvez ele tenha lido esta palavra". Porque não há qualquer duvida acerca do ele fez. - A transformação que foi tendo lugar quando o aluno começou a ler foi uma transformação do seu
comportamento; e aqui não tem qualquer sentido falar de uma "primeira palavra no seu estado novo de consciência".»

Ludwig Wittgenstein, "Tratado Lógico-Filosófico. Investigações Filosóficas", Fundação Calouste Gulbenkian, 1995

The look of love #1

o tal do zé dos bois




Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

diário dos mesmos pesares #9



«Será que este caminho tem coração? Se tem, o caminho é bom; se não tem, não presta. Nenhum dos caminhos leva a parte alguma; mas um tem coração, o outro não tem. Um proporciona uma viagem com alegria; na medida em que se o seguires, serás uno com ele. Outro levar-te-á a amaldiçoar a vida.»

Don Juan

Tobias Schneebaum, "Lá onde o rio te leva", Antigona, 1990

estou em big bang

mais dia, menos dia, serei fogo de artifício.

Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

espécie de oração particular #10



«Berrem comigo! Senão não me contenho.»

H.-E. Kaminski/Louis-Ferdinand Céline, "Céline de Camisa Castanha/Mea Culpa", Antígona, 1989

let's cross it over

vi um filme lamechas.

where is the love?

Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

dedicatória #13*



* dedicada a todos os portadores de PHDA.