segunda-feira, 24 de junho de 2013

à perdre la raison

De cada vez que leio os comentários no Público quero morrer, pelo que devo ser uma pessoa com uma brutal pulsão de morte, dado que continuo a ler os comentários no Público. Pergunto-me se haverá um sub-tipo de pessoas cuja missão é escrever, por debaixo de uma notícia de jornal, aquilo que pensa sobre o assunto. Ao jeito do comentador político, mas mais democrático e igualmente inane. Devo confessar, porém, que há um tipo de notícias cujos comentários me atraem particularmente - não vou a todas. Demoro-me nas mães que matam os filhos, que os envenenam com bolo de laranja, que lhes pegam fogo ao quarto de brincar, que se atiram com eles ao Douro, que lhes dão cabo da vida com a faca da cozinha. Mas também me interessam as velhas que, trinta ou quarenta anos depois, despejam uma caçadeira em cima do marido, as que lhes enfiam no crânio a última travessa de entrecosto, uma jarra bonita, uma pedra pesada. Desconfio muitíssimo de quem usa a palavra culpa.