sexta-feira, 28 de junho de 2013

o poeta sabe menos que o poema


A ilha onde tudo fica claro.

Aqui é possível ter pé nas razões.

Caminhos que a servem só os de ir.

Vergam-se os arbustos pesados de respostas.

Aqui vai crescendo a árvore do Bom Senso
de ramos eternamente desenredados.

A fulminantemente simples árvore da Compreensão 
junto à nascente do Aí Então É Isso.

Quanto mais longe no bosque, mais amplamente se abre o 
Vale da Clarividência.

Se alguma dúvida há, o vento a dissipa.

Sem ser chamado o eco leva a voz
e de bom grado desvenda os enigmas do mundo.

Ao lado direito a gruta onde o sentido descansa.

À esquerda fica o lago da Profunda Convicção.
A verdade desprende-se do fundo e vem levemente flutuar à superfície.

Sobranceira ao vale a Certeza Inabalável 
de cujo cume se estende a Vera Essência.  

Wislawa Szymborska, "Paisagem com Grão de Areia", Relógio D`Água, 1998