domingo, 7 de julho de 2013

centro comercial são marcos

Às vezes encontrávamo-nos no centro comercial, suponho que a comer gelados e a fumar. Foi lá que eu e o André acabámos, mesmo ao pé dos telefones públicos. Era de lá que o meu pai trazia cervejas, e era lá que me mandava quando as cervejas acabavam. Nesse tempo, não havia lojas COMPRAMOS O SEU OURO, nem PADARIAS PORTUGUESAS – só um mercadinho com produtos africanos, quiabos, mandioca e umas bananas muito feias. 

Nos subúrbios, as casas mais próximas do centro comercial são sempre mais caras porque são consideradas centrais. 

A nossa primeira casa em São Marcos ficava numa rua de sentido único, muito longe do centro comercial. Nesse tempo os lugares eram tão distantes uns dos outros que eu e a minha amiga de Mem Martins trocávamos cartas. Esta casa era longe, era mesmo muito longe. E São Marcos é um sítio ventoso, mesmo muito ventoso. Sempre que a minha mãe ia ao centro comercial, em contra-mão relativamente ao vento, desatava a chorar – de ódio, explicava-me ao chegar a casa.