sexta-feira, 12 de julho de 2013

é bom sabermos para onde foge aquilo de que precisamos

Eram três fugas: a fuga dos pés, a fuga do tapete
e a fuga do chão. Os pés fugiam em todas as direcções, o tapete fugia para o buraco do chão
e o chão fugia de si mesmo. Quando acordava, eu nunca sabia se eles iam lá estar,
se tinha pés, ou tapete, ou chão, se tinha só pés, se não tinha nada. Aconteceu-me em certos dias
levantar-me e cair logo (pelo buraco da imaginação), mas também vim a dar comigo amputada no tapete.

Uma pessoa só desaprende se tiver um acidente, não é?
Mas há sempre uma memória do que se soube, antes de tudo aquilo - e de como era fácil,
como era tão fácil. Não,
nunca me aconteceu nada tão grave assim, tão grave que eu deixasse de andar.

Água: perdes o pé e vais ao fundo, ao fundo da água, onde está outra vez a terra (mas não respiras).
Terra: perder o pé em ascensão, em suspensão,
ou numa poça de lama (os pés não têm pulmões, que sorte).
Fogo:
Ar: sem contacto.