segunda-feira, 1 de julho de 2013

HORS CONCOURS

Ele tinha um nome estranho para um homem: Leslie, Leslie Beauchamp. Nesse fim de tarde falaram sobretudo de peras, da quantidade impressionante de peras que a velha árvore dava, do cesto que levavam quando iam colher peras, de como as peras caíam à medida que eles abanavam os ramos, ou de como as peras caíam tão longe e eram atacadas pelas formigas. Nem um nem outro voltou a ver peras como aquelas, pequenas, brilhantes, amarelas. Sentados no banco de jardim cor de rosa, arrancavam o caule e sorviam pequenas gotas de sumo de pêra. Comiam-nas assim, começando por cima, até ao coração. Não sobrava nada, não sobrou nada, e já cá não está ninguém para recordar que algumas dessas peras apareciam entre as folhas com pequenas marcas de dentes. 
“Quem é que as mordia?” 
“Foi sempre um mistério.”