quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Falámos sobre o tempo. Os dois anos dele, os meus sete meses. Também ela me escreveu sobre o tempo (um tempo sob a forma de ciclo) e a minha resposta, enfiada à pressa no envelope, é disso que falará. Ontem, mesmo antes de adormecer, ou talvez depois, não posso precisar, ocorreu-me que tudo aquilo que julgamos ter ocorrido numa certa extensão de dias pode ter acontecido, de facto, de um momento para o outro. E que essa mudança, marcada por um evento qualquer, pode estar longe de ter sido originada pela quantidade de tempo que supomos. Assim, de repente, de um momento para o outro, num abrir e fechar de olhos, as coisas mudam. Amantes separam-se, outros encontram-se. Escrevem-se e apagam-se livros. Olha-se para a esquerda, move-se um cotovelo. Um século inteiro de trabalho para uma só explosão.