segunda-feira, 14 de outubro de 2013

literatura dos séculos dezassete e dezoito

Antes de morrer, a minha bisavó deu-me um fio de prata com um penduricalho branco de que não gosto nem um bocadinho. Aceitei-o por simpatia, embora me importem mais as quadras que me deixou, como esta oração sinistra que já fiz o favor de transmitir à descendência:

 quatro cantos tem a casa, quatro velas estão a arder, quatro anjinhos me acompanham se esta noite morrer 

Dela tenho também um relógio, desta feita oferecido pela filha, minha avó, a quem sistematicamente furto velharias e casacos. Esta manhã, na ourivesaria onde fui substituir a bracelete, ouvi de um homem o seguinte dito: hoje em dia preferia ser poeta do que bancário. Não dei cana: sorri por dentro.