sábado, 7 de dezembro de 2013

passei toda a semana concentrada: tudo em que punha os olhos ficava. e depois havia como que um rasto disso, uma cauda celeste, uma presença holográfica - não sei como explicar - uma presença melosa, uma cola, um elástico. para exemplificar: eu agarrava uma imagem, vamos imaginar que de job, e enquanto lia o hamlet a imagem ia e vinha, punha-se ao lado, chamava-me. e depois se eu tentava perceber o que teria gerado a imagem já não encontrava a origem, estava sem genoma. todo este peso na testa - os cornos da ressaca. quando vou a vinhos sou tão boçal, fico toda medo e sexo.