segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

as falenas

Agora que faço a sopa na panela de pressão tenho menos tempo para pensar. Enquanto decido se mergulho n'As Ondas (o livro que levei 15 anos para ler) ou se me atiro ao Jung (estamos numa relação recente, ainda não sei o que vai acontecer), a água ameaça levantar fervura - ouço ao longe o primeiro vento do apito, quase um assobio, abafado pelo som da máquina de lavar roupa. Hoje a casa caiu-me nos braços, revelou-me todas as suas imperfeições. A casa é o meu espelho e hoje senti-me a mais feia de todas as construções. Mas agora está tudo no sítio. Lavei a loiça, tratei dos gatos, pus a sopa ao lume, deixei o J. tomar um longo banho-de-banheira com um daqueles explosivos perfumados - parecia que ele estava num vulcão. Quando a máquina acabar vou abrir a porta e sentir o cheiro do amaciador, misturado com os vapores do jantar, e isso fará com que eu me sinta mais limpa, mais resolvida, quase arrumada.