segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

parecendo que não, são todos muito cá de casa

Mais do que a culpa (que pode conter um elemento que paralisa), interessa-me finalmente uma ideia de verdade que se constitua a si mesma como resultado de um trabalho de pesquisa que me permita vê-la sem recorrer a confirmações exteriores (isto é, a mestres). Não quero que me dêem o peixe, nem sequer que me ensinem a pescar: quero ter fome e imaginar a cana. O exercício da tradução obriga a um abrandamento semelhante: ao invés de comer o texto sou obrigada a desenhá-lo de novo, a criá-lo. É preciso tempo, é preciso dar tempo ao tempo. Eu já fiz perguntas para que alguém respondesse, isto é, só para que eu não respondesse. Será que perguntar é escapar à responsabilidade de responder?

Siddhartha espera que o rio lhe dê a resposta, isto é, não se põe a fazer perguntas. Estou convencida de que, a haver uma imagem para a noção de primitividade, esta seria boa - sobretudo porque não é intelectual mas simples como um conto de fadas. Mais do que a culpa, esta relação com o tempo - ou com a resposta que o tempo traz àquele que ousa não perguntar - pode ser um ponto de partida. E é aqui que nos podemos rir: um ponto de partida que faz tudo, menos partir.