quinta-feira, 13 de março de 2014

Central de S. Domingos

Atrás de mim entrou um carrinho de bebé. A mãe foi-se embora e ele gritou desalmadamente durante o tempo suficiente para eu me repreender pela escolha do café. O pai, funcionário do estabelecimento, aproximou-se devagar, deu-lhe a chucha, consolou-o durante um minuto ou dois com uma voz dulcíssima, e fez-se silêncio, pelo menos até à minha saída. Apeteceu-me felicitá-lo, abraçá-lo, perguntar-lhe como é que aprendeu aquilo. Mas desta vez não fiquei a pensar nos meus filhos - no que já tenho e nos que ainda quero ter. Desta vez senti apenas que era a mim que aquele homem reconfortava, era a mim que ele devolvia a calma. Se somos um, se tudo é uno, não será de estranhar que aquele bebé também seja eu.