terça-feira, 19 de janeiro de 2010

caros leitores

é bem verdade que a livreira tem andado passada, entre a noite e o riso, a gravidade e a graça, e sei lá mais o quê. às vezes uma tipa vê-se ao espelho e só consegue ver um belo par de olheiras debaixo de duas sobrancelhas desafinadas e pensa: mas o que é que eu estou a fazer à minha vida? depois, essa mesma tipa, que por acaso sou eu (coisa nova neste blogue), decide que vai começar a andar mais bonitinha, certa de que tudo se resolve com um bocadinho de estética. mas, desenganem-se, do que se trata aqui é do bichinho da insatisfação, o roedor discreto que quero responsabilizar pelos três ou quatro buraquinhos no casaco cinzento. oh, estarei a ficar maluca? temo que, antes pelo contrário, tenha sido acometida por uma estúpida seriedade que me fez ver o último filme do cassavetes (daquela caixa com cinco ou seis) e bloquear completamente: então é isto, pensava eu, então é isto. qualquer coisa entre o estar a ver tudo tão clarinho que não posso ser normal e o devo estar a passar-me para o outro lado, chamem os paramédicos que até me foge a sintaxe, que nem me costumava deixar ficar mal. então, no tal filme, que se chama opening night e também é um bichinho que rói todos os casacos, a tipa apercebe-se que já não tem piadinha nenhuma, perdeu a graça, de vez. E porquê, meus senhores? Porque deixou de se levar a sério. Eureka! Como se apenas o peso de todas as certezas, convicções e sonhos permitisse essa brincadeira permanente. E, desprovida desse peso, ela brincaria com o quê?
Bem, mas não levem isto demasiado à letra que a minha vida não é assim tão interessante. O que eu quero dizer é só isto