sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

novos paradigmas? não sei

tenho uma data de coisas para dizer mas não consigo. ou porque o discurso teima em permanecer desorganizado, ou porque continuo a sentir que não tenho autoridade (experiência, idade, formação) para dizer o que quer que seja, ou porque não tenho a certeza se o que penso pode ter algum fundamento.
às vezes, depois de falar com certa vendedora, ou com o apoio a cliente de certa editora, fico triste. o problema é que cada vez vão sendo mais as certas vendedoras ou certas editoras. e eu cada vez vou ficando mais triste. por exemplo, fico triste quando comento com certa vendedora que certa editora não põe cá livros porque nós não facturamos o suficiente para termos cá os livros deles e essa vendedora não só concorda como justifica: então mas achas que eles vão cá enfiar três mil euros em livros para depois serem vendidos dez ou vinte por mês?
de que adianta explicar que não é preciso que editora nenhuma coloque cá três mil euros em livros? de que adianta explicar que as coisas têm dimensões diferentes, os negócios são diferentes, as pessoas são diferentes? de que adianta explicar que, por detrás de uma editora gigantesca deverá haver uma pessoa, tal como por trás de uma pequeníssima livraria?
depois vem o caso daquela grande livraria que fechou e do dinheiro que as editoras lá terão perdido (para justificar o que pode parecer uma desconfiança do sector). e de que adianta explicar que o risco de colocar três mil euros em livros numa livraria nova de grandes dimensões é infinitamente maior do que o risco de colocar trezentos euros em livros numa pequena, tão pequena, livraria? são, afinal, coisas para gestores, que sei eu?
e se todas as grandes editoras/distribuidoras forem como aquela, que não coloca aqui livros porque a minha facturação não tem expressão quando comparada com as grandes contas de outros clientes?
a verdade é que uma livraria como esta nunca terá uma facturação digna de ter os livros daqueles senhores. e uma livraria como esta nunca terá uma facturação suficiente para investir nos livros daqueles senhores, comprando-os, com dinheiro vivo, depois dos trinta dias da factura. e as grandes livrarias, com contas bancárias um bocadinho mais aliviadas do que as nossas, sempre em quarto minguante, nunca terão que investir nesses livros porque eles sempre lá serão colocados à consignação. porque esses são os lugares onde interessa estar. são os lugares que rendem - objectivamente.
e o pior é que eu percebo isto. eu percebo que se valorizem os melhores clientes. percebo que aos melhores clientes sejam dadas maiores vantagens. eu até faço o mesmo com os meus clientes. a diferença aqui é que eu não trato mal nenhum cliente - nem o que compra um livro de seis em seis meses. e nós somos muito, muito maltratados por certas editoras.
porra.