segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

«Oiça - disse-me ele a 9 de Dezembro - (...) Dentro de 3 dias serei fuzilado pelos soldados de Deus»


Raymond Radiguet nasceu no dia 18 de Junho de 1903; morreu sem o sentir a 12 de Dezembro de 1923, ao cabo de uma vida miraculosa.
O tribunal das Letras é de opinião que ele tinha o coração seco. Raymond Radiguet tinha um coração duro. O seu coração de diamante não reagia a qualquer contacto. Precisava de fogo e outros diamantes. Desprezava o resto.
Não se acuse o destino. Não se fale de injustiça. Ele pertencia a essa raça grave em que a vida se percorre demasiado depressa até ao fim.
«Os verdadeiros pressentimentos - escreveu ele no final do Diable au Corps - formam-se a profundidades que o nosso espírito não visita. Por isso nos compelem muitas vezes a actos que interpretamos ao contrário... Muitas vezes um homem desordenado que vai morrer e o pressente, organiza as coisas à sua volta. A sua vida modifica-se. Arruma papéis. Levanta-se cedo, deita-se a horas. Renuncia aos seus vícios. Os que o rodeiam, felicitam-se... A sua morte brutal parecerá por isso ainda mais injusta. Ia ser feliz

Jean Cocteau no prefácio do livro
O Baile do Conde de Orgel de Raymond Radiguet, Estampa, 1973