quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

a vida não é um sonho #1


«Em estado de doença, os sonhos distinguem-se muitas vezes pelo extraordinário relevo, por uma nitidez e uma semelhança incrível com a realidade. Às vezes os sonhos montam-nos cenários monstruosos, mas o ambiente e todo o processo do espectáculo são tão vivos e com pormenores tão subtis, tão inesperados, mas encaixando-se tão bem, tão artisticamente, na plenitude da imagem, que o próprio espectador do sonho não conseguiria inventá-los em vigília, nem que fosse um mestre como Púchkin ou Turguénev. Tais sonhos, sonhos doentios, ficam por muito tempo na memória e causam uma impressão muito forte ao organismo já abalado e excitado do indivíduo.»

Fiódor Dostoievski, "Crime e Castigo", Editorial Presença, 2001