sexta-feira, 9 de abril de 2010

coisas que são a Trama

há um ano atrás, mais coisa menos coisa, decidimos começar a exibir filmes na livraria. na altura sentíamos que a exibição de um filme, por si só, poderia não ter grande interesse para o público em geral - para isso havia salas de cinema, lugares apropriados e com melhores condições. assim, pensámos (durante cinco ou seis minutos) e concluímos que o que poderia ser interessante numa sessão de cinema na livraria era a experiência. munimo-nos de um espírito muito anos sessenta e fizemos sessões triplas pela noite fora.
a primeira noite, organizada pela Rita (cliente que se ia transformando em amiga), foi memorável. o tema era "a palavra contra a imagem" e a sessão incluía A Nossa Música, A Cativa e O Estado das Coisas. como devem imaginar, não é muito fácil ver três filmes de seguida mas quase toda a gente aguentou. Bem, o que interessa é que se criou um espaço de reflexão descontraidíssimo, saímos daqui às sete da manhã, o sol brilhava lá fora, tínhamos visto três filmes fabulosos, fomos falando, rindo, bebendo (pronto e dormindo também) e chegámos à rua exaustos e felizes.

o meu momento panfletário começa quando tenho vontade de explicar que a Trama, ou a forma como nós vemos a Trama, é assim: uma loja onde se vendem coisas, que são maioritariamente livros, e onde se fazem coisas que não se vendem. e isto é uma parte muito importante da história - a parte em que damos, recebemos, trocamos, passamos uns bons bocados, proporcionamos outros bons bocados, enfim, estamos cá, inteiros, para uma coisa que ultrapassa o comercial e que é difícil de explicar porque não se trata de uma teoria, de uma ideologia, de um partido, de uma religião, mas apenas de um modo de vida.

e porque não vos quero aborrecer muito mais acrescento apenas que houve mais duas sessões, uma organizada pelo Gonçalo e outra pelo Celso, que também correram muito bem, e que na próxima sexta-feira começa um novo ciclo, que vai durar até Dezembro, do qual falarei já a seguir.