sexta-feira, 9 de abril de 2010

com cinco letrinhas apenas, ou a vertigem das listas

“Vi nitidamente a alma do meu pequeno interlocutor. As crianças são um mundo de inconstantes possibilidades. Miguel tanto podia ser pescador, como filatelista ou naturalista. Dependia de uma trama de circunstâncias – talvez dependesse de mim – que seguisse os fáceis meandros do coleccionador ou do sportsman ou que se aventurasse pelas imprevisíveis avenidas da ciência.”
Silvina Ocampo & Adolfo Bioy casares,
Quem ama, odeia, Lisboa, Oficina do Livro, 2009, p.62.


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“[Oblomov], personagem do romance homónimo de Ivan Goncharov, escrito em 1858, que introduziu um novo arquétipo na sociedade russa e alastrou à trama universal, sendo o «oblomovista» um ser que habita o seu pequeno mundo, sem incomodar ninguém e exigindo o direito de não ser incomodado. (N do T.)”

Idem, p.70.

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“Suspeitei que na trama lógica destes argumentos havia imperfeições, mas estava demasiado confuso e demasiado abatido para as descobrir.”

Idem, pp.85-86.