segunda-feira, 5 de abril de 2010

só esta espécie de verdades


«Há coisas que vão escapando de uma ou de outra forma. Ontem, dizia uma senhora numa novela para o seu ex-marido: «Carlos, você deixa escapar a felicidade. Eu não sei o que acontece. Comigo foi assim, nós éramos felizes, Carlos, e você vivia sempre zangado, angustiado, revoltado. E agora, está acontecendo de novo. Você vai deixar escapar». Fiquei em suspense, na esperança que uma novela brasileira me respondesse a qualquer coisa que entendo mas para a qual não tenho resposta. Mas o Carlos não respondeu. A questão é que, para se ser feliz, não se basta estar feliz com o outro. Tem de existir uma cumplicidade connosco, uma felicidade visceral com aquilo que és, que tiveste, que tens, que te deram, com a saúde da tua vida. E isto não passa por eventualmente teres nascido mais ou menos bonita do que nasceste, mais ou menos dedicada às coisas, com mais ou menos dinheiro. É qualquer coisa tão simples que se reduz a um traço de humanidade que salva sempre, mesmo quando tudo o resto se desmorona. Que é conseguires voltar a casa com o sentimento de casa.»
[excerto de um post dela]