terça-feira, 6 de abril de 2010

terceira coisa:

APREENDER
I
Passo a minha mão pela tua cabeça,
recurvamente, atentamente, e só com dedos brandos,
olhando-a como passa e vendo onde passou.
Quero tanto saber o que tu pensas.
II
O que tu pensas, mas apenas como,
e quando e o porquê, e não
que estejas pensando ou não que a minha mão,
atenta e recurvada, passa brandamente.
Quero saber aquilo que nem sabes.

Jorge de Sena, Antologia Poética, ASA, 1999