sábado, 29 de janeiro de 2011

pharmácia de serviço

Esta manhã, no posto médico, chamaram pelo meu nome. Quando entrei no gabinete o médico, sentado por detrás de uma pequena secretária, falava com um homem de bata branca, pelo que pude perceber, enfermeiro da sala de pensos. Falavam da morte: o cancro nos rins é dos piores, ele tinha quarenta e oito anos, e o seu pai, quantos tinha? ah, ele já não tinha hipóteses, uma trombose e mais não sei o quê, foi no dia 1 de janeiro, pois, é muito difícil para ela - e eu, sentada, prestes a comentar qualquer coisa, que só me doía um bocadinho a garganta e que talvez já nem precisasse da receita, até já estava a sentir-me melhor. Fiquei calada. O enfermeiro acabou por se ir embora para chamar o trinta e sete, que devia estar lá fora com um penso velho para trocar. Depois disso a minha consulta durou mais dois ou três minutos, perguntou-me o que tinha, deitei a língua de fora, diga «a», antibiótico e xarope. mesmo antes de sair entra outro de bata branca, então alinhas? e o meu médico que sim, que alinhava. mas vai ser o quê? uma entremeada com molho de leitão, gostas ou preferes favas? o que vocês quiserem. Não se esqueça de carimbar a receita, diz-me, a senhora fuma? Então devia deixar.
E assim, em três ou quatro minutos, morte, entremeada, a vida no limite, cancro, colesterol, ou uma bronquitezinha, quem sabe o que nos espera?