quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

da Intimidade



"Depois é quase madrugada. Depois no quarto há uma claridade sombria de cor indecisa. Depois acendes as luzes para a ver. Para a ver a ela. Para ver o que nunca viste, o sexo oculto, ver aquilo que devora e prende sem o aparentar, vê-o assim fechado sobre o seu sono, a dormir. Para ver também as sardas espalhadas sobre ela, da implantação dos cabelos até ao princípio dos seios, lá onde os seios cedem ao próprio peso, presos às articulações dos braços, e também até às pálpebras fechadas e sobre os lábios entreabertos e pálidos. Dizes para ti próprio: nos sítios do sol de verão, nos sítios expostos, que se oferecem ao olhar.
Ela dorme.
Tu apagas as luzes.
É quase dia."


- "Textos secretos" - Marguerite Duras