segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

e chove e chove e chove e

lê-se:

"Estou sentado a ler um poeta. Há muitas pessoas na sala, mas passam despercebidas. Estão embrenhadas nos livros. Por vezes movimentam-se nas páginas como quem está a dormir e se volta entre dois sonhos. Ah, como é verdadeiramente bom estar entre pessoas que lêem. Porque é que elas não são sempre assim? Podes aproximar-te de uma e tocar-lhe ao de leve: ela nada sente. E se, quando te levantares, deres um leve empurrão ao vizinho do lado e pedires desculpa, ele faz um gesto de assentimento para o lado de onde veio a tua voz, o seu rosto vira-se para ti e não te vê, e tem o cabelo como o de alguém que está a dormir."

As anotações de Malte Laurids Brigge, Rainer Maria Rilke, Relógio d'Água